ALGUMAS QUESTÕES PARA ENTENDERMOS O CENÁRIO DA ELEIÇÃO NO 1º TURNO EM QUE FLÁVIO BOLSONARO FICOU EM 1º LUGAR, COM 47,03% (56.104.505), E LULA FICOU EM 2º LUGAR, COM 45,16% (53.879.538).
Antes de mais nada é preciso entender que a diferença de Lula para Flávio Bolsonaro foi de apenas 1,87% pontos percentuais – isso equivale a apenas 2.224.965 milhões de votos. Isso é nada, pois somos quase 158 milhões de eleitores.
Considerando que tivemos 21,08% de abstenções, i.e., 33.469.244 brasileiras(os) que não foram votar, Lula tem aí uma boa margem para explorar. Inclusive, é preciso entender que as pessoas tem lá seus motivos para não ir votar, mesmo que não concordemos com a atitude de se abster de algo tão importante como uma eleição.
Lula precisa convencer algo em torno de 10% disso (uns 3 ½ milhões) de que é preciso comparecer às urnas para impedir que um miliciano, fascista, que vota contra os trabalhadores no Congresso e que não tem um projeto para desenvolver o Brasil, se torne presidente da República.
Muitos já estão dizendo que nunca houve uma virada, no 2º turno, em eleições presidenciais; que nunca, desde 1989, um candidato que passou em 2º lugar, para o 2º turno, conseguiu vencer as eleições; que nunca houve uma virada. Consideremos que na política eleitoral as coisas mudam, ainda que lentamente, mas mudam.
A título de exemplo, é bom lembrar que quase nunca é fácil, que foi tudo sempre muito difícil. Em 2022 a diferença de Lula sobre Jair Bolsonaro foi de 1,71%; em 2018, Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad com 10,26%; e em 2014 Dilma Rousseff venceu Aécio Neves por uma diferença de 3,28%. Perdemos para a direita com um percentual alto e vencemos com percentuais reduzidos - nunca foi fácil, porque seria agora?
Também, consideremos que muitos dos que anularam o voto para presidente e dos que votaram em Augusto Cury, por acreditarem na tal 3ª via, podem ser convencidos a votar em Lula que defende a política, a democracia e a cidadania. Por incrível que possa parecer, a pessoa que vota em Cury está bem mais próxima de Lula do que de um Bolsonaro, seja ele qual for.
Interessa reforçar o trabalho no Norte\Nordeste, pois essa diferença de 1,87% pode ser retirada aqui mesmo no Nordeste. É que Lula caiu um pouco em quase todos os estados nordestinos, mas nada que não possa ser recuperado com governadores, senadores e deputados já eleitos atuando junto ao seu eleitorado. Dito isso, vejamos o que precisamos entender para orientarmos nossa ação nesse 2º turno:
- Este governo Lula foi bem desaprovado por quem nunca vai aprová-lo, independente do que faça de muito bom. Os institutos de pesquisa e os que divulgavam as pesquisas insistiram muito nisso para desgastar Lula.
- O trabalho para a acomodação e naturalização da exploração e dos interesses políticos, econômicos e ideológicos, realizado pelos “funcionários” Faria Limer, pela Rede Globo e suas “concorrentes” e pelas religiões evangélicas foram de uma eficiência a toda prova.
- A movimentação evangélica nas últimas duas semanas foi terrivelmente eficiente – é aquele trabalho interno, nas bolhas, que não percebemos, até porque não nos esforçamos para tanto.
- Parte da população brasileira não vê problema algum em votar em bandidos, milicianos, corruptos e corruptores, e em quem participa de orgias e fatura alto com as bets. Pelo contrário, parece que muitos até gostam de votar em membros de organizações criminosas.
- A pauta da eleição foi imposta pela extrema direita. Em geral, quem impõe a pauta, vence a eleição. A extrema direita definiu, como sempre, que o principal problema do Brasil é a falta de segurança e a corrupção e isso passou a ser a tônica dos discursos de todo o espectro político. Lula precisa explicar para a população que são as políticas públicas que nos fazem ficar mais seguros e que mandar a polícia sair por aí matando pessoas não resolve nada, pelo contrário só aumenta a violência nas ruas.
- A extrema direita oferece renovação, tem sempre novidades para apresentar, como Nikolas Ferreira. É uma renovação de tipo conservadora que não propõe mudanças e transformações, mas que está sempre renovando. Já a esquerda não se renova, insiste nos mesmos nomes - Lula, por exemplo. A esquerda precisa dizer o que ela propõe para o futuro e não insistir tanto em experiências e biografias. Em eleições, escolhemos quem vai atuar no futuro, não no passado.
- O judiciário foi um elemento desestabilizador dessa eleição, não decidindo quando deveria, e reforçando o descrédito que a sociedade tem nas instituições. Sem contar que calhou de um ministro terrivelmente bolsonarista presidir o TSE durante as eleições.
- A Eleição parece ser uma desforra pelas condenações do 8/1. É como se a extrema direita estivesse se vingando da sociedade e das instituições pela condenação de Jair Bolsonaro.


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