terça-feira, 27 de março de 2012

ANALISANDO OS PRÉ-CANDIDATOS - ROMERO RODRIGUES


Hoje eu iniciarei uma série de comentários sobre os pré-candidatos a prefeito de Campina Grande. Ao longo dos dias, tratarei de cada um deles em separado. E, ao final, farei uma análise geral. Longe de querer fixar conclusões, a ideia é contribuir para as decisões que teremos que tomar como eleitores.

Romero Rodrigues é filiado ao PSDB. Têm 45 anos, é casado, engenheiro agrônomo e natural de Galante. O valor total declarado de seus bens é de R$ 794.694,00. Nas eleições de 2010 foi eleito deputado federal com 95.293 votos, o equivalente a 4,88% dos votos válidos.

Ele já foi vereador em Campina Grande e deputado estadual. Nas eleições que já disputou foi sempre bem votado, por isso possui um bom capital eleitoral. É experiente na política institucional, principalmente na atuação parlamentar e costuma ser bem avaliado pelos que acompanham o dia-a-dia da Câmara dos Deputados.

Se por um lado isto é uma vantagem, por outro não deixa de ser uma desvantagem já que Romero nunca ocupou cargos majoritários. Ele nunca foi prefeito, por exemplo. Assim, não se sabe como ele se comportará no embate político-eleitoral na qualidade de candidato a prefeito. Ele nunca foi testado em um debate na TV, por exemplo.

Romero é conhecido pelo seu temperamento moderado. Raramente altera o tom da voz. Nos embates políticos, em geral, ele busca a conciliação. Com isso, deverá ter baixos índices de rejeição nas pesquisas eleitorais, em que pese não se saber se isso garante boas colocações nas mesmas pesquisas.

A questão é se ele adotará o tom altivo que a eleição campinense às vezes exige. Saberá lidar com as criticas e até mesmo acusações que inevitavelmente virão? Romero se mostra a vontade no desempenho das atividades parlamentares, parece ter sido talhado para isso. A dúvida é se ele se sentirá a vontade como prefeito, caso seja eleito, claro.

Mas, Romero tem um trunfo. Conta com o apoio de Cássio Cunha Lima. Que, além de seu parente próximo, é uma espécie de “irmão mais velho” no mundo da política. No PSDB não houve discussões sobre quem seria o candidato. Cássio foi tão direto quando anunciou seu apoio a Romero que impediu as disputas intra-partidárias. Assim, ele vai para a disputa sem ter que administrar insatisfações no seu partido e, fora dele, com os aliados. Nos dias de hoje, isso já é alguma coisa.

ROMERO PODE SER A PRIMEIRA MELHOR OPÇÃO, DA OPOSIÇÃO, PARA IMPEDIR A 3ª VITÓRIA CONSECUTIVA DO GRUPO LIDERADO PELOS IRMÃOS VENEZIANO E VITAL DO RÊGO. O GRUPO DE CÁSSIO CUNHA LIMA PRECISA DE UM NOME QUE POSSA ENFRENTAR A ESCOLHA DE VENEZIANO SEM OS RANÇOS DAS ELEIÇÕES PASSADAS.

Alguém que, mesmo associado aos enfrentamentos passados, possa emprestar leveza ao embate naturalmente acirrado. Algo que pesou sobremaneira para que ele fosse o escolhido foi o critério da fidelidade acima de tudo que devota a Cássio. Mas, isso pode ou não ser uma vantagem, pois uns vão nele votar porque Cássio o apóia, e outros não votaram exatamente por causa desse apoio.

Romero está de olho na grande votação que Cássio teve na última eleição e no fato que Ricardo Coutinho deve em muito sua vitória, para governador, ao empenho de CCL. 
Mas, é bom não esquecer, a transferência de votos é irregular no Brasil. Nem sempre o mesmo político consegue a mesma taxa de transferência de uma eleição para a outra.


SOBRE SE A CANDIDATURA DE ROMERO VAI DECOLAR A PONTO DE CHEGAR A UM 2º TURNO, VEJO CHANCES CONCRETAS. MAS, COMOS SE DIZ NA F1, UMA COISA É SE APROXIMAR, OUTRA É ULTRAPASSAR E GANHAR.

segunda-feira, 26 de março de 2012

É MESMO NECESSÁRIO O PODER PÚBLICO FINANCIAR TIMES DE FUTEBOL?


Esta semana o prefeito Veneziano Vital do Rêgo assinou contratos de patrocínio da PMCG com o Campinense Clube e o Treze Futebol clube. Para se colocar mais próximo dos times, e de suas torcidas, o prefeito foi aos locais de treinamento dos clubes para assinar os contratos.

A PMCG repassará 30 mil reais mensais para cada um dos times, por um prazo de dez meses. No final do contrato Campinense e Treze, juntos, terão recebido um total de 600 mil reais. Em contrapartida os dois times terão a logomarca da PMCG em suas camisas. A lógica é associar as marcas. Mas, é bom não esquecer, estamos tratando, também, de instituições políticas e/ou culturais.

Esta semana, no jogo contra o Botafogo carioca e antes mesmo da assinatura dos contratos, os jogadores do Treze traziam a logomarca da PMCG em suas camisas. Algo totalmente compreensível já que o jogo foi transmitido para todo o Brasil e não se poderia perder tão boa oportunidade de divulgação.

Vejam que quando as câmeras fechavam em cima dos jogadores do Treze se via bem a logomarca da PMCG. Aliás, via-se tudo menos o escudo do 13 F. Clube. O patrocínio é algo eficiente mesmo. Quando Léo Rocha perdeu o pênalti, com a fatídica cavadinha, as câmeras focaram toda a sua tristeza e, claro, a logomarca da PMCG.
Se o TSE proibiu o uso do Twitter, como forma de propaganda eleitoral, daqui a pouco vai ter que proibir o uso das camisas de times de futebol com fins eleitorais?

Mas, deixemos o futebol de lado e vamos falar de política. A questão que proponho discutir é se realmente é necessário o poder público financiar times de futebol.
Como se justificativa que dois times, com duas grandes torcidas, das maiores do norte-nordeste do Brasil por sinal, precisem receber dinheiro público? Como se explica que eles não sejam auto-suficientes?

Porque uma prefeitura deve financiar um time de futebol se ele tem uma inestimável fonte de renda que é sua torcida que compra ingressos para vê-lo jogar? Porque a PMCG deve entregar 600,00 mil reais para Campinense e Treze, quando se poderia investir mais e melhor em atividades esportivas nas escolas municipais?

Sempre se dirá que a PMCG está incentivando o desenvolvimento econômico de Campina Grande ao patrocinar os dois times locais. Se afirmará que nos contratos assinados existem termos que prevêem a adoção de uma política de incentivo à prática de esportes para jovens carentes. Também se dirá, que a PMCG investe nos times de futebol porque seus torcedores, quase todos eleitores nunca esqueçamos, assim o querem.

Aliás, todas as vezes que a PMCG assina esses contratos muitos torcedores comparecem as solenidades e tecem elogios ao prefeito por ele estar incentivando o futebol local.

Mas, vamos pensar, se o poder público desistisse em definitivo de patrocinar Campinense e Treze eles deixariam de existir, fechariam as portas? Será que a prioridade do poder público é financiar times de futebol que nunca prestam contas de suas movimentações financeiras, que sempre recebem estas “ajudas”, mas que estão sempre em situação falimentar?

Se a PMCG quer mesmo ajudar os times de futebol, porque não faz obras para dotar a cidade de uma infraestrutura eficiente que a torne atrativa para times de todo o Brasil que queiram vir aqui disputar jogos?

A PMCG quer mesmo incentivar o futebol? Porque não melhora as vias de acesso para o ESTÁDIO AMIGÃO? Porque não tenta dotar a cidade de um sistema de transporte público que funcione de forma eficiente nos dias de jogos?
 
Eu sou um raposeiro de quatro costados, mas não quero ver meu time recebendo dinheiro que é fruto dos impostos que pago. Até porque eu sei bem que raramente, ou nunca, ele presta contas de como se utiliza desse dinheiro.

sexta-feira, 23 de março de 2012

VOCÊ SABE O QUE É ACCOUNTABILITY?


Muito já se disse que uma eleição não deixa de ser o momento pelo qual eleitores julgam o desempenho de governantes e parlamentares.
Num sistema político representativo, eleições funcionam como o instrumento mais fácil para se avaliar a atuação dos políticos e de seus partidos.
Assim, os políticos devem ter em mente que, nas campanhas eleitorais, estão se submetendo a avaliação de seus atos e desempenhos por parte dos eleitores.
Por essa ótica, os políticos que correspondem às expectativas seriam reeleitos e os que decepcionam mandados para casa. Simples assim.
Políticos e eleitores devem atentar para o accountability. Eu já explico o que é isso, antes deixem-me dizer algo sobre o voto como critério de julgamento.
Votar dessa forma significa que o eleitor pondera sobre o comportamento dos governantes e o cumprimento das promessas de campanha para decidir em quem votar.
 Ele considera, ainda, a coerência entre as atitudes de alguém como candidato e como governante e, claro, o envolvimento em escândalos de qualquer natureza.
Convenhamos que utilizar esses critérios para decidir em quem votar é bem mais interessante do que vender ou trocar o voto. Mas, afinal, o que é accountability?
Accountability não possui tradução literal para o português. Mas, seu sentido vincula-se à ideia de “responsabilidade” e “prestação de contas”.
Os americanos usam accountability para, dentre outras coisas, responsabilizar uma pessoa pelos seus próprios atos. Políticos, inclusive, e principalmente.
Que um exemplo para accountability? Quando os comerciais de bebidas alcoólicas dizem “beba com moderação”, estão afirmando que se você for imoderado a responsabilidade é só sua.
No mundo da política, accountability refere-se, de modo geral, ao relacionamento entre governantes e cidadãos. Principalmente, no que toca aos mecanismos de controle.
Mecanismo de controle, são os instrumentos que os cidadãos possuem para acompanhar os atos dos governantes e parlamentares.
Um sistema político é tanto mais democrático quanto mais seus cidadãos tiverem acesso a mecanismos de controle que garantem bons índices de accountability.
O instituto de pesquisas Freedom House acompanha e avalia o desempenho de regimes políticos em 200 países pelo mundo afora e nos cinco continentes.
Ele afere os níveis, ou mesmo a inexistência de accountability através de indicadores como: grau de corrupção, liberdade de imprensa, participação da sociedade civil e lisura do pleito eleitoral.
Antes que o caro ouvinte diga que estou vendo coisas, que no mundo real da política brasileira isso tudo não passa de conversa para embalar bovinos, preciso esclarecer algo.
A combinação desses indicadores é de suma importância. Mas, se as eleições não aconteceram em um clima de plena lisura e com regras bem definidas, é bom esquecer todo o resto.
Se não tivermos eleições limpas e competitivas, o cidadão terá seu instrumento (o voto) para punir ou recompensar mandatários apenas como mera figuração do sistema representativo.

quinta-feira, 22 de março de 2012

VIVEMOS UMA ÉPOCA DE ESTULTA NORMALIDADE!


Vimos que a CPTRAN e o Ministério Público declararam guerra as chamadas “boates de otário” na cidade de campina grande.
As “boates de otário” são aqueles carros equipados com os tais paredões de som e estão por toda parte e em todo tipo de evento público ou privado.
Abusam do direito de transitar e poluem o meio ambiente. Após tantas reclamações as instituições resolveram agir. Já não era sem tempo!
Inclusive, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que proíbe o funcionamento em espaços públicos desses verdadeiros atentados a nossa saúde mental.
Eu torço que a proibição alcance os locais públicos e os espaços privados de livre acesso ao público. Desejo mesmo que os paredões e as boates sejam banidos de nossa sociedade.
Sugiro pensarmos sobre a questão política de tão sério problema, já que o espaço público é definido como aquele que é de uso comum e posse coletiva.
Persiste entre nós a confusão entre o que é público e o que é privado. Alguns lidam com o bem comum como se fosse sua propriedade, ao bel prazer de seus interesses.
Indaguei comerciantes e transeuntes de ruas centrais de campina grande sobre a poluição sonora, muitos disseram que sempre foi assim e que nunca vai mudar.
Já eu não aceito como normal o absurdo de ver o espaço público invadido por uma gente que faz na rua aquilo que só se faz em casa e assim mesmo em baixo volume para não incomodar a vizinhança.
Energúmenos e insensatos de todas as classes sociais danificam nossos ouvidos com o excremento que a indústria musical produz e as malas de carros depositam nas ruas.
Qual o direito de um néscio qualquer estacionar na “praça da bandeira” ao meio-dia, abrir a mala de seu carro e colocar em alto volume um desses “forrós de plástico” escatológico?
O tosco dirá que o carro é dele e o espaço é público. Na verdade, ele age assim por contar com a impunidade. Tivesse certeza da punição não o faria.
Sob o argumento, por certo justo, da “luta pela sobrevivência”, jovens deseducados transitam por onde bem querem com seus execráveis “carrinhos de cd”.
E, por favor, não me falem de zona de exclusão ou de silêncio. Pois, as ondas sonoras se propagam e desconhecem as limitações espaciais impostas pelo poder público.
A poluição sonora é uma praga. Na rua ou em casa não há sossego. E se o cidadão reclama, logo é destratado por aqueles que foram deseducados compulsivamente.
A toda hora tem um desses “divulgadores” do material fecal da usina musical mirando suas “cornetas” tonitruantes em direção a quem não quer escutá-las.
Mas, qual a responsabilidade do poder público nessa questão? Ele não é eficaz na fiscalização da forma como os espaços públicos são utilizados. O mesmo Estado que regulamenta é o que tem que fiscalizar.
Pior, gestores temem tomar medidas por recearem perder votos dos que se sintam prejudicados. Sem contar que, quando candidatos, são também poluidores do meio ambiente com suas propagandas eleitorais.
Quem esqueceu o barulho intenso das últimas duas eleições em Campina Grande? Candidatos falavam, em seus guias eleitorais, em defender o meio ambiente, mas poluíam as ruas com seus carros de som e suas pavorosas carreatas.
A iniciativa da CPTRAN e do Ministério Público é louvável e torço mesmo para que essas instituições saiam-se vitoriosas nessa guerra contra a estultice que equipa carros de nossa cidade.

quarta-feira, 21 de março de 2012

A LEI DA FICHA LIMPA VAI PEGAR?


O STF acabou de fazer uma espécie de reedição da lei da ficha limpa ao decidir que ela pode ser aplicada nas eleições deste ano.

Ou seja, aqueles candidatos que tem contas rejeitadas podem ser impedidos de disputarem a eleição ou de tomarem posse, caso eleitos.

A decisão foi apertada, como em muitas votações no STF. Por 4 votos a 3 definiu-se que não se concederá registro aos postulantes a cargos públicos.

Como se sabe, a lei da ficha limpa considera inelegível aquele que foi condenado, em decisão transitada e julgada, ou proferida por órgão colegiado.

O STF chove no molhado. Essas decisões já tinham sido tomadas. Mas, devido as nossas fragilidades institucionais, teve-se que reafirmar a existência da lei.

O fato é que ela ainda não foi dotada de efetividade para que se torne mais forte do que as vontades individuais.

Será que vamos seguir pondo em xeque uma lei que tem aspectos relevantes como o de ser fruto de iniciativa popular e o de impedir ou dificultar que os tais “fichas sujas” acessem cargos públicos?

Infelizmente, não somos lá muito afeitos em aceitar que normas e leis tenham vida longa. Preferimos mudar as regras do jogo, sempre quando ele está sendo jogado.

Numa democracia consolidada a lei entra em vigência e ponto final. Numa democracia frágil, se busca artifícios jurídicos e sortilégios políticos para se passar ao largo da lei.

É certo que muitos atores e partidos políticos não queriam, por motivos óbvios, que a lei da ficha limpa fosse aprovada e lutaram bastante contra ela.

Mas, constatando que a lei veio para ficar, foram elaborando meios para conviver com ela, sem que sejam alcançados pelo seu longo braço.

Veja-se que desde a criação da lei, e a cada nova eleição, tem sempre alguém recorrendo ao STF para questionar sua validade ou este ou aquele artigo dela.

Se toda lei tem validade a partir da data de sua publicação, então não tem o que se questionar. Claro, pode-se ter dúvidas pontuais.

A exemplo de que foi preciso esclarecer judicialmente, que os efeitos punitivos de uma lei não são retroativos a ela própria.

Por sinal, foi isso que permitiu que Cássio Cunha Lima tomasse posse no senado, mesmo tendo sido cassado do cargo de governador.

Aliás, temos um caso sui generis aqui na Paraíba. A partir desse novo cenário, Cássio fica inelegível até 2014. A mãe de todas as contradições é que ele é Senador da República.

Das duas uma – ou ele é inelegível e não assume cargos, ou assume cargos e pode se candidatar! Podemos conviver com essa situação? Um ator político ser ficha suja e ficha limpa ao mesmo tempo?

Precisamos nos habituar a respeitar as leis que são ou não fruto da vontade popular. Devemos nos submeter a elas. Chega de tentar subvertê-las ao nosso bel prazer.

terça-feira, 20 de março de 2012

AFINAL, O QUE ESTÁ ACONTECENDO NA CAPITAL?


Desde 1998, acompanho, como analista, eleições em nosso país. Já vi de tudo um pouco. Não deveria, mas vez por outra termino me surpreendo.
Temos casos que chamam atenção pela rapidez com que os fatos se dão e pela capacidade de mudar bruscamente a paisagem eleitoral. Vejamos um deles.
Acreditava-se que a eleição em João Pessoa seria das mais tranquilas. A candidatura do prefeito Luciano Agra era indiscutível e sua reeleição tida como certa.
Mas, eis que “Imponderável da Silva” (personagem de Nelson Rodrigues) surgiu. Agra se retirou da disputa e mudou drasticamente o cenário político da capital.
Convenhamos, não é toda dia que um prefeito líder nas pesquisas, com cerca de 60% de aprovação de sua gestão, desiste de buscar sua reeleição.
A pergunta que não quer calar é: porque um governante tão bem avaliado desiste abruptamente do embate, considerando suas boas chances de vencer?
Racionalizando seu ato, Agra disse “não ser afeito ao jogo bruto da política, aos sofismas e frases de efeito”. Melhor para ele, pois ficou fora de um jogo onde, como diria o inefável ACM, “abaixo do pescoço tudo é canela”
Tinha razão Agra, sua candidatura foi implodida pelos seus aliados, num jogo de bastidores que o desgastou ao ponto do desespero e da desistência.
A decisão final foi tomada em comum acordo com o governador Ricardo Coutinho? Ou será que se seguiu o modus operandis ricardista de tomar decisões unilaterais?
A escolha de Estelizabel Bezerra para seguir na disputa parece ter sido, também, uma decisão solitária do governador. Mas, Imponderável da Silva já tinha fincado pé na capital.
Enquanto o “Coletivo Girassol”, uma espécie de eufemismo para os ricardistas, agitava as bandeiras, os aliados descontentes zeravam o jogo, sinalizando que não aceitariam mais uma imposição de Coutinho.
Lançaram o Secretario Estadual de Comunicação Nonato Bandeira e deu-se o imbróglio, pois manda a boa norma da política que aliados fiquem juntos, não separados!
Ricardo, ao que parece, disse a Nonato e a Estelizabel que fossem a luta e conquistassem a maior quantidade de corações e mentes até as convenções partidárias.
Nonato aparece bem na disputa. O PPS fez um congresso e contou com presenças expressivas do arco de aliança do governador, a exemplo de Cássio Cunha Lima e, claro, Luciano Agra.
Estelizabel tem dificuldades para ir além do arco dos movimentos sociais. Ela até tentou estabelecer um canal de diálogo com Cássio Cunha Lima, mas ele não se mostrou receptivo.
Vejamos como se expressam as preferências. Cássio ignorou classicamente Estelizabel quando disse que o partido dela (PSB) não tinha definido, ainda, sua candidatura.
Disse que o PSDB tem a candidatura própria do senador Cícero Lucena. Mas, até os pombos da Praça da Bandeira sabem que Cássio e Cícero não mais se afinam. Por fim, Cássio foi abraçar Nonato Bandeira.
Estelizabel acusou o golpe e recorreu ao Imponderável a Silva. Vemos agora a movimentação de Ricardo Coutinho buscando, pasmem, a rota de José Maranhão.
Ricardo e Maranhão conversam, sabemos. Se Nonato é mesmo candidato, com apoio de Cássio, Estelizabel pode ser a vice de Maranhão. E o governador SE faria presente nos dois pólos.
o confuso cenário da eleição pessoense se refletirá em 2014. Teve razão Luciano Agra em rejeitar o jogo bruto da política? Não sei! Sei que quem tem razão é o antropólogo Roberto DaMatta que diz que a política brasileira não é para principiantes.

segunda-feira, 19 de março de 2012

TSE QUER BANIR O TWITTER DAS ELEIÇÕES


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acabou de decidir que os candidatos, às próximas eleições, só podem utilizar o Twitter a partir de 06 de julho, quando começa a campanha eleitoral.
A decisão foi apertada. Quatro ministros votaram contra e três a favor. Prova que eles mesmos não chegaram a um consenso e buscaram o critério da maioria, simples diga-se de passagem.
Ao que tudo indica a decisão será contestada, pois o Partido Popular Socialista (PPS) já anunciou que pretende recorrer da decisão junto ao Supremo Tribunal Federal.
Ou seja, temos mais polêmicas à vista, num momento em que o jogo político eleitoral já começou. Algum problema com as polêmicas? Nenhum, pois o analista político se alimenta delas.
O fato é que tenho duas questões a levantar. As duas, inclusive, servem para demonstrar o quanto nossas instituições políticas são frágeis.
A primeira é que tanto a justiça como os partidos e atores políticos brasileiros ainda não entenderam que não adianta remar contra a maré.
Eles continuam, como diria Renato Russo, insistindo em usar os remos, tendo um potente motor no barco. Ou seja, eles ainda não entenderam que estamos na era da comunicação.
E veja como o caso é serio. O ministro Ricardo Lewandowski, presidente do STE, demonstrou não ter muita intimidade com essa ferramenta. Mas mesmo assim estava julgando a questão.
A ministra Carmem Lúcia, que votou contra, disse que vedar o uso do Twitter é a mesma coisa que proibir conversa em mesa de bar.
Na eleição passada a Câmara dos Deputados e o Senado tentaram criar limitações para o uso eleitoral da internet. Vê-se, então, que não estamos tratando de uma exceção.
Se os ditadores da Ásia e da África não conseguem proibir que as pessoas acessem a rede mundial de computadores, o que dirá nossa elite política.
Assim, continuamos a não ter uma real reforma política. Insiste-se na perfumaria, quando deveria-se tratar do núcleo duro da questão.
Ao invés de tentar impedir que as pessoas se comuniquem livremente, por que não enfrentar o tal do “caixa dois” das campanhas. E Isso remete a segunda questão.
Não fazemos a reforma política, para fortalecermos nossas instituições, nos momentos não eleitorais. Preferimos legislar quando o jogo político-eleitoral já começou.
Nossa democracia é imatura e aceita mudanças que interferem nas regras do jogo, mesmo quando ele já está em andamento.
Imaginem agora a correria que vai ser por parte daqueles que já vinham usando o Twitter em suas estratégias de campanha. Terão que esperar até o dia 06 de julho?
Criar incertezas, antes mesmo da contenta propriamente dita começar, só fragiliza ainda mais nosso sistema democrático.

sexta-feira, 16 de março de 2012

POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, NA CAMPINA FM.


A PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA (19/03/2012) FAREI UM COMENTÁRIO DIÁRIO NO JORNAL INTEGRAÇÃO DA RADIO CAMPINA FM (93,1), QUE COMEÇA SEMPRE, E PONTUALMENTE, AS 6H30M E VAI ATÉ AS 8 HORAS DA MANHÃ


A COLUNA, INTITULADA “POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS”, TERÁ UMA DURAÇÃO DE 3 MINUTOS, E IRÁ AO AR DE SEGUNDA A SÁBADO.


BASICAMENTE FAREI COMENTÁRIOS E ANÁLISES SOBRE A POLÍTICA LOCAL, REGIONAL E NACIONAL. CLARO, O DESTAQUE NESTE ANO SERÁ PARA O ACOMPANHAMENTO DA CAMPANHA ELEITORAL VISANDO O PLEITO MUNICIPAL DE OUTUBRO PRÓXIMO.

MAS, NÃO ME FURTAREI EM COMENTAR SOBRE AS COISAS DA POLÍTICA (INSTITUCIONAL OU NÃO) E ATÉ MESMO SOBRE ALGUNS TEMAS CADENTES RELATIVOS ÀS COISAS DE NOSSA SOCIEDADE.
TAMBÉM, ACEITAREI DE BOM GRADO ALGUMAS POLÊMICAS. BEM DITO, POLÊMICAS, NÃO FALSOS DILEMAS.

PENSO SER NECESSÁRIO PONTUAR O QUANTO ESTOU SATISFEITO COM ESSA NOVA FASE DE MEU, JÁ CONHECIDO, TRABALHO COMO ANALISTA POLÍTICO JUNTO A IMPRENSA.
ESPERO PODER ATENDER A ALGUMAS EXPECTATIVAS EM MIM DEPOSITADAS E, CLARO, CONTAR COM A AUDIÊNCIA DE TODOS.

POR FIM, GOSTARIA DE AGRADECER AO CONVITE FEITO PELA CAMPINA FM, ATRAVÉS DE SUA DIRETORA-PRESIDENTE MARILENA MOTA E DE ARQUIMEDES DE CASTRO, EDITOR-CHEFE DA RADIO, QUE SOUBERAM VALORIOZAR E ENTENDER O PAPEL DO CIENTISTA POLÍTICO NESTA TÃO PRÓXIMA, E ÀS VEZES TÃO DISTANTE, SEARA DE NOSSA VIDA.
 



terça-feira, 13 de março de 2012

Ensaios sobre Antropologia Política


Elizabeth Christina é professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e História da Universidade Federal de Campina Grande. Bebeth, como é mais conhecida em nosso meio acadêmico, desenvolve pesquisas nas áreas de Cultura, Mídia e Política, focando suas atenções na questão da espetacularização da política em campanhas eleitorais e na construção da imagem pública dos políticos.

Agora, ela lança “ENSAIOS DE ANTROPOLOGIA DA POLÍTICA” pela Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB), algo oportuna já que nos preparamos para “enfrentar” mais um processo eleitoral.

O livro demonstra em sua plenitude o metiê do pesquisador das Ciências Sociais, i.e., aquilo que está em nosso meio, que é tido como normal e que, mesmo absurdo, perdeu a capacidade de chocar a sociedade ganha outro tratamento pelas mãos de Bebeth. Aqui o absurdo não é normalizado, pelo contrário, é desnudo. Se numa campanha eleitoral é normalmente aceito que pessoas sejam achincalhadas publicamente, no livro se demonstra, por exemplo, os “excessos” por trás de “inocentes” músicas de campanha.
Assim como na dramaturgia, em “O uso de músicas em campanhas eleitorais e o lugar da ética na política” o que seria cômico, vira trágico; o que deveria ser levado a sério, se torna risível; o que seria unicamente características da personalidade de um ator político, é transformado em defeitos ou mesmo desvios de comportamento. Enfim, pelas músicas (que Bebeth deu-se ao trabalho de recolher, em que pese o desgaste em ter que ouvi-las) se percebe o que já algum tempo venho chamando, ironicamente, claro, de a “festa da democracia”.

Ainda, temos uma lúcida abordagem sobre a “Emergência do feminino em campanhas eleitorais”. Nada mais proposital, já que a campanha eleitoral deste ano, em Campina Grande, deverá ser por elas monopolizada.

Os artigos que compõem este livro tentam trazer a política para o campo da cultura e construir uma ideia de política marcada e atravessada pelo cotidiano de práticas, nas quais se sobressaem os laços de fidelidade, de amizade, as adesões, o lugar social da mulher, a reatualização das rivalidades através das músicas de campanha e o uso de charges com mensagens subliminares a respeito da política, dos políticos e de suas práticas, esperando que tais fazeres, ao serem permeados e iluminados pela cultura, ofereçam novas e múltiplas for­mas de pensar as instituições e as práticas políticas.

Boa Leitura!!!

domingo, 11 de março de 2012

Recuo dos recuos


Como se consolida uma democracia? Deve ter sido nisso que pensava Eliane Cantanhêde quando escreveu esse artigo, publicado hoje (11/03/2012) na Folha de São Paulo. Uma democracia só vai de solidificando quando as decisões que suas Instituições Políticas tomam vão sendo implantadas na sociedade com tempo suficiente para serem testadas. Fundamentalmente, esse é um princípio das democracias modernas - respeitar as decisões tomadas, sem recuar para agradar a alguns interesses pontuais.

Recuo dos recuos
Houve um festival de recuos na semana passada. Seria cômico, se não fosse trágico. Comecemos pelo Supremo. Na quarta, por 8 a 1, considerou inconstitucional o Instituto Chico Mendes, criado por uma medida provisória aprovada sem passar por uma comissão especial de deputados e senadores. Na quinta, por 7 a 2, voltou atrás. A exigência de comissões para MPs passou a ser só a partir de agora.
Mantida a primeira votação, seria criado um limbo jurídico para cerca de 560 MPs sujeitas a questionamento. Exemplos: Bolsa Família, ProUni, lei do salário mínimo, transgênicos, leis da Copa e da Olimpíada e vai por aí afora. Um caos, portanto.
Outro recuo foi na cobrança de multa para empresas que paguem salários diferentes para mulheres e homens em funções iguais. Na quarta, a Câmara aprovou, Dilma comemorou e até anunciou que iria pes-soalmente ao Congresso para a sanção. Na quinta, líderes governistas no Senado acataram o chororô patronal e a Casa Civil subitamente passou a achar o texto "mal redigido". Conclusão: o projeto, tão comemorado, subiu no telhado. Era para ser um, vai ser outro. E sabe-se lá quando. Dilma vai ao Congresso, mas sem sancionar coisa nenhuma.
Um terceiro vexame começou com a Fifa dizendo que o Brasil merece "um chute no traseiro". Depois alegou que a tradução estava errada (certamente, a culpa foi da imprensa...) e, enfim, pediu desculpas. Aldo Rebelo (Esporte) atacou e recuou, aceitando as desculpas. Ficou o dito pelo não dito, todo mundo com a garganta arranhando.
E não parou aí: o Senado derrotou em votação secreta o candidato do peito de Dilma para a ANTT (agência de transportes terrestres). Agora é ver quem assume o voto e quem recua: "Eu?! Eu votei a favor!". Sem anonimato, a conta de 36 a 31 fecha? Um ET que desembarcasse aqui acharia tudo surreal. Como brasileiros, já estamos acostumados...

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