Professor do Curso de História da Universidade Estadual da Paraíba. Mestre em Ciência Política (UFPE) e Doutorando em Ciência da Informação (UFPB). Especialista em História do Brasil, com ênfase na Era Vargas e na Ditadura Militar, na democracia e no autoritarismo. Autor dos livros "Heróis de uma revolução anunciada ou aventureiros de um tempo perdido" (2015) e “Do que ainda posso falar e outros ensaios - Ou quanto de verdade ainda se pode aceitar” (2024) lançados pela Editora da UEPB.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Lições para se perpetuar no poder.
Sua acachapante vitória no Congresso Nacional, ganhando as presidências da Câmara dos Deputados, com Michel Temer, e do Senado, com José Sarney, demonstra longevidade no poder e capacidade de sobrevivência. O PMDB atuou na liberalização que legou nossa frágil democracia, teve as derrotas de 1989 e 1994 e, após 16 anos, volta a comandar as duas casas do Congresso, gabaritando-se para influenciar o jogo da sucessão presidencial em 2010.
O controle do Congresso é mais um elemento no manancial de poder do PMDB. São 7 ministérios, 7 governos estaduais, 5 prefeituras de capitais e 1.308 de cidades; além de 20 cadeiras no Senado, 96 na Câmara, 170 nas Assembléias Legislativas e 8.308 nas Câmaras de vereadores. Convenhamos, é muito poder! Mas, como ensina Maquiavel, não basta tê-lo, é preciso mantê-lo.
O PMDB é governista por definição. Esteve em todos os governos pós-ditadura. Eis a fórmula: aliar-se a quem está no poder central. Fácil? Não, bastante difícil. Alianças são feitas a partir do que se tem para oferecer. O PMDB sabe que todo presidente da República conta com o apoio dos presidentes da Câmara e do Senado - foi por isso que se bateu pelas vitórias de Temer e Sarney. Atropelou aliados e adversários, contou com o pragmático apoio de Lula e ofertou cargos, verbas e outros mimos no varejo e a granel. Mas, qual o valor desses cargos num cenário eleitoral?
Os presidentes do Senado e da Câmara controlam a pauta de votação de suas casas - decidem o que vai ou não ao plenário, i.e., o governo depende deles para aprovar projetos. Podem retomar antigas matérias, definir o que será questão de ordem, arquivar (ou apressar) a instalação de CPIs e, unilateralmente, impugnar as proposições dos parlamentares.
O presidente do Senado dirige as sessões conjuntas das duas casas e põem em votação medidas provisórias e vetos presidenciais. Convoca o Congresso em casos de decretação de estado de defesa, de intervenção federal e de estado de sítio. Já o presidente da Câmara é o segundo na linha sucessória e o do Senado o terceiro. Com os problemas de saúde do vice-presidente José Alencar e com Lula viajando, Michel Temer assumirá algumas vezes. Imagine-se o que não fará em prol do PMDB sentando na cadeira presidencial por, digamos, três dias?
Vejamos, então, como fica o cenário para a próxima eleição. O PMDB valoriza bem seus espaços. Engana-se quem acha que retribuirá facilmente o apoio dado pelo governo na eleição do Congresso. Imporá árduas negociações em cada matéria de interesse do governo, como as medidas que visam minimizar os efeitos da crise econômica, posto que se a marolinha lulista virar tsunami, o PAC não anda e a candidatura Dilma vai para as calendas.
Resolutamente governista, o PMDB tende a ficar com Lula, para eleger Dilma, ou outro nome caso o dela não decole. É sabido que Lula quer o PMDB na vice-presidência e que o preferido é o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Mas, na real política, muda-se de preferência ao sabor das conjunturas. Assim, Michel Temer passa a ser bem visto, apesar de que terá que ser dócil aos interesses do governo na Câmara. Ele prefere ser o Dilmo de Dilma, i.e., quer a Casa Civil se Dilma for eleita presidente. Bem ao estilo do PMDB, prefere os bastidores ao proscênio. Já Sarney “contenta-se” em comandar os quereres dentro e fora do Congresso. Dilmista, age para ter Aécio Neves no bloco dos que apóiam Lula, sem que saia do PSDB. Com isto garante bom trânsito na oposição, caso a crise econômica faça água na popularidade de Lula e na candidatura de Dilma.
Ao tomarem posse, Sarney e Temer, prometeram que vão encaminhar a reforma política. Sabemos que não, pois ela visa redesenhar as instituições para dotá-las de um caráter mais republicano – tudo o que a elite político-partidária não quer. Prometeram mais transparência e aproximar o Congresso dos eleitores. Bazófias, de quem tem poder acima de seus pares.
A única certeza é que o PMDB comporá o governo que assumirá em 2011. Se mantiver a aliança com Lula e Dilma for eleita, tanto melhor. Se o PSDB conseguir eleger Serra? Problema nenhum. Com seu cabedal político pula para o galho tucano. É um erro dizer que o PMDB está com os pés neste ou naquele galho. Ele sempre está com os pés em vários galhos, desde que seguros.
Postscriptum: Tratei do PMDB pela notável vitória obtida no Congresso. Mas, ele não é a exceção, e sim uma privilegiada regra. Guardando as devidas proporções, vários outros partidos podem servir como exemplo em aulas práticas de como se perpetuar no poder.
Fevereiro/2009.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Autofagia na política paraibana.
Antes, o óbvio – os meios utilizados para captar votos devem ser revistos. Tivéssemos o senador José Maranhão eleito em 2006 e estaríamos, agora, falando de sua cassação. Mostrem um pleito que não se usou a compra de votos e eu direi que políticos são altruístas por definição.
Cassado duas vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acoimado de distribuir cheques da Fundação de Ação Comunitária (FAC), o governador permaneceu no cargo por força de liminar. Em 20/11 passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a decisão do TRE e cassou a liminar. O governador teria apenas que aguardar a publicação do acórdão para deixar o cargo. Ato contínuo, o senador José Maranhão renunciaria a seu mandato e assumiria o governo. Mas, cabia recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Como ministros do TSE têm assento no STF e como, em geral, esta corte não contradiz aquela, dava-se como certa a saída de Cássio Cunha Lima do executivo estadual. Não foi o que ocorreu. O STF o manteve no cargo.
Este processo é um látego para a sociedade e fragiliza as instituições. O que se espera é que se tome - e se cumpra - uma decisão, independente de qual seja e a quem beneficie.
Havia dúvidas quanto à culpabilidade do governador? Então não se deixasse o processo chegar ao STF. Porque os ministros do TSE não pediram vistas ao invés de julgá-lo em rito sumário? Poupar-se-ia a sociedade e as instituições paraibanas de muitos contratempos.
O que aparenta é que os ministros recearam dar ao país o precedente. Cássio Cunha Lima é apenas um entre sete governadores com mandato sub judice. Cassá-lo escancararia a porteira. Suas excelências responderiam pela debandada da manada? Cassar vereadores e deputados é fácil; mas, apear governadores de seus cargos é algo a se ponderar. Senão, vejamos.
Os governadores de Santa Catarina - Luiz Henrique (PMDB), Tocantins - Marcelo Miranda (PMDB) e Sergipe - Marcelo Déda (PT) são acusados de uso indevido da mídia, propaganda antecipada e abuso de poder político e econômico. O governador de Rondônia - Ivo Cassol (PPS), denunciado pela compra de votos, foi, também, cassado duas vezes pelo TRE. No Maranhão, o governador Jackson Lago (PDT) foi acusado de distribuir cestas básicas e o governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), teve seu mandato contestado. Cassar um desses é por a mão em um vespeiro de interesses. E, note-se, que dos sete apenas dois (o paraibano e o alagoano) são de um partido de oposição ao governo federal. Os outros cinco apóiam o presidente da República.
O TSE pretendia não mais desgostar a opinião pública, depois de desautorizar os TRE’s que negavam registro de candidatura a políticos “fichas-sujas”. Parecia querer limpar sua própria ficha. Se a cassação de Cássio alertou os outros governadores, o desdobramento mitigou-os.
Foquemos, agora, a atenção nos dois principais atores do mistifório paraibano.
Aprovado por 69% dos paraibanos, o governador Cássio mantém-se no cargo, mas carrega a marca indelével da cassação. Perde tempo dando explicações e chances de projetação em nível nacional. É tratado (pela mídia) como o “governador cassado” e isso poderá servir para que, no futuro, seja preterido em alianças políticas na esfera federal. Sua opção? Terminar o mandato e buscar uma vaga no senado. Óbvio, espera que o tempo, senhor dos esquecimentos, aja.
Ele tem afirmado que a democracia é ameaçada por processos que modificam o resultado das urnas. Certo, o voto é a expressão da vontade popular. Mas, nosso sistema político baseia-se na separação dos poderes. O poder judiciário deve interferir se o executivo infringe leis. A decisão popular é soberana e legal, mas pode equivocar-se e se ilegitimar, daí a intervenção judicial. Se assim fosse, Collor não sofreria o impeachment, já que foi eleito. E, sabemos como eleitores usam o voto como moeda de troca e não para escolher representantes.
O senador José Maranhão exerce seu mandato em Brasília, enquanto aguarda o fim do processo. Seu partido (PMDB) abocanhou a presidência das duas casas do Congresso e, claro, ele se beneficiará disso. Porém, sabe que é temerário assumir um mandato próximo do fim. Lidará com percalços de uma transição onde a equipe que sai não facilita o trabalho da que entra. E, para montar um staff, terá que selecionar aliados, i.e., agradará a uns e desagradará a outros.
Também, se assumir, verá na Assembléia Legislativa a bancada majoritária indo para a oposição. Além do que, restarão dúvidas se ele terá direito a uma ou duas reconduções ao cargo. O seu dilema é sobre as vantagens de trocar de cargo tão próximo da eleição. O fato de, quando perguntado se vai tomar posse, responder, em geral, com evasivas sugere que sua meta não é a de voltar imediatamente ao governo da Paraíba. Ao se colocar como candidato a governador em 2010, Maranhão mostrou uma visão utilitarista da cassação – a vê como forma de desgastar Cássio.
O pior desta tibornice é o modus operandis. A forma como eles se agridem e os métodos utilizados nas últimas eleições, os embates entre as bancadas de oposição e situação na Assembléia Legislativa e na Câmara de Vereadores de Campina Grande - parlamentares que não representam seus eleitores pela sanha de atacar adversários – demonstram que a luta pela hegemonia no poder foi substituída por um combate de vida e morte.
É por isso tudo que vou me contradizer. Desconsiderarei a racionalidade dos atores políticos, pelo menos os da Paraíba. Eles não percebem que essa autofagia política abrirá espaço para novas (digo novas, não recauchutadas) lideranças que possam depurar o oxigênio da política paraibana.
Fevereiro/2009.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Frei Beto tenta emparedar o STF com a questão da anistia
Brasil - O STF e a verdade histórica
Frei Betto
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se encontram perante duas alternativas: reiterar a Lei de Anistia e isentar de punição os responsáveis por crimes da ditadura militar ou declarar que suas atrocidades são imprescritíveis e, portanto, passíveis de penalidades.
Escolhida a primeira alternativa, descansarão em paz com os setores militares que mancharam 21 anos de história do Brasil. E terão seus nomes incluídos, pelos historiadores do futuro, entre os que foram coniventes com os graves crimes praticados.
Se prevalecer a segunda alternativa, haverão de reafirmar a independência da corte suprema e terão seus nomes registrados na história por terem ouvido o clamor de justiça das vítimas.
O direito de justiça às vítimas é acentuado pela tradição bíblica. Javé não permite que o sangue de Abel se cristalize em lacre de silêncio, e os apóstolos identificam na ressurreição de Jesus a "volta por cima" daquele que, preso, torturado e assassinado por dois poderes políticos, tem a sua memória perpetuada pelos evangelistas. É o que faz da Igreja primitiva memorial dos mártires, elevados aos altares para que jamais se esqueça o valor de seu sacrifício.
A tese de que "é melhor não reabrir as feridas" é típica de quem se beneficiou de golpes e ditaduras, afirma o espanhol Prudêncio García, representante da ONU na apuração dos crimes da ditadura guatemalteca. O argumento do ministro Gilmar Mendes, de que reabrir o debate traria instabilidade ao país, carece de precedente histórico. Chile, Argentina, Uruguai, Guatemala e El Salvador investigaram os crimes de suas respectivas ditaduras e, ao punir culpados, reforçaram ainda mais o Estado de Direito, pilar do regime democrático.
Na Argentina, a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (1984), presidida pelo escritor Ernesto Sábato, extirpou das Forças Armadas os resquícios da ditadura, fez justiça às vítimas, puniu os responsáveis e ainda tornou um dos denunciantes, Adolfo Perez Esquivel, merecedor do Prêmio Nobel da Paz. A Marinha argentina admitiu que utilizaram suas instalações (ESMA) para seqüestrar, torturar e assassinar cidadãos. Nem por isso a democracia se viu ameaçada.
No Chile, a Comissão de Verdade e Reconciliação (1990) passou a limpo a ditadura Pinochet. O Exército reconheceu que, na Villa Grimaldi, presos políticos sofreram torturas até a morte. A Marinha admitiu que o mesmo ocorreu a bordo do navio-escola Esmeralda. Nem por isso a democracia se viu ameaçada.
Em El Salvador, a Comissão da Verdade (1992) teve o patrocínio da ONU. O Exército assumiu sua responsabilidade nos massacres de El Mozote (1981) e dos seis jesuítas da Universidade Centro-Americana (1989), bem como no assassinato do arcebispo Oscar Romero (1980). Nem por isso a democracia se viu ameaçada.
Na Guatemala, a Comissão de Esclarecimento Histórico (1997) fez a filha de uma das vítimas, assassinada pela ditadura, também merecer o Nobel da Paz: Rigoberta Menchú. Os militares daquele país reconheceram que uma ala do Exército cometeu brutal genocídio contra as comunidades indígenas de El Quiché e Petén.
Segundo Prudêncio García, todas essas investigações tiveram em comum o fato de terem sido posteriores a períodos de terríveis conflitos internos; todas trouxeram luz à verdade histórica; todas reiteraram a supremacia da força do Direito sobre o "direito" da força. Em todos os casos, a única parcela da sociedade contrária às apurações foi exatamente a que se beneficiou das graves violações dos direitos humanos.
Walter Benjamin, ao assinar sua filosofia com o próprio sangue, nos adverte que a memória das vítimas jamais se apaga. Não se passa borracha na história. Toda tentativa de fazê-lo resulta em atrocidade intelectual: maculá-la de falsidade e mentira.
Na Alemanha pós-nazista, terminado o julgamento de Nuremberg, iniciou-se um movimento de ocultação da verdade histórica. Hannah Arendt, após 13 anos de exílio na França e nos EUA, reagiu indignada ao regressar: "Os alemães vivem da mentira e da estupidez!" Israel jamais permitiu que a memória das vítimas do nazismo fosse apagada, esquecida ou suprimida da história. O anjo de Paul Klee continua a voar para frente e olhar para trás...
"Portar máscara durante longo tempo estraga a pele", exclama a escritora tcheca Monika Zgustova. "Algo parecido ocorre à sociedade que oculta sua própria culpa com a intenção de livrar-se dela, esquecendo-a. Sociedades e cidadãos devem assumir coletiva e individualmente a responsabilidade do que fazem ou fizeram nossos governos. Este é um dos mais importantes atos da dignidade humana".
O caráter da história do Brasil repousa em mãos dos ministros do STF.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Stand by me
Ouvindo dá até para ver Ray Charles e John Lennon pairando sobre eles.
STAND BY ME.
Ben E. King / Jerry Leiber / Mike Stoller.
Estou convencido que a cultura política importa. Neste artigo de Clóvis Rossi, publicado na Folha de São Paulo hoje (30/01/2009) demonstra que a Russia mudou seu sistema político e econômico, mas seu viés pretoriano continua o mesmo.
INSTINTOS BÁSICOS
DAVOS - Instinto é instinto. Não adianta trocar a roupa de comunista e de funcionário da sinistra KGB pela de presidente e, agora, primeiro-ministro da Rússia mais ou menos capitalista.Vladimir Putin conversou ontem com um grupo de jornalistas com o compromisso de que seria "off the records", pelo que só estou autorizado a transmitir o, digamos, espírito da coisa, sem poder usar citações entre aspas.E o espírito da coisa ficou muito nítido: Putin reage a qualquer crítica ou pergunta que ele acha carregada de uma intenção crítica com um contra-ataque ao país do autor da pergunta.Quando Anatole Kaletsky, colunista do "Times" britânico, tocou na ferida mais aberta, a dos direitos humanos, ainda por cima falando da morte de jornalistas na Rússia, Putin devolveu com observações sobre violências praticadas, por exemplo, na França e em outros países da Europa Ocidental.Chegou ao ponto de desejar aperfeiçoamentos nas práticas democráticas e de direitos humanos do Reino Unido, como se fosse comparável o "record" russo e o britânico na matéria, antes, durante e depois do comunismo.O desagradável é que essa mania, que alguém na sala chamou de "instinto soviético", também aparece em autoridades brasileiras. Ricardo Teixeira, o presidente da CBF, ficou danado quando uma jornalista canadense quis saber o que se faria para garantir a segurança dos visitantes na Copa de 2014 no Brasil, justamente no dia em que o Brasil era escolhido em Zurique.Respondeu com críticas a um incidente qualquer envolvendo atletas brasileiros no Canadá, como se o problema da violência urbana fosse igual no Canadá.Putin gabou-se de ter feito a primeira transição pacífica e democrática na história da Rússia. Não deixa de ser verdade (ou quase), mas o instinto ficou.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
UMA ATITUDE NADA REPUBLICANA.
Fundamentalmente, busco em nossa realidade os exemplos que demonstram as fragilidades do sistema democrático brasileiro e como as práticas utilizadas não contribuem para a consolidação de nossa jovial democracia.
Senão, vejamos.
No mesmo momento que o Secretário de Esporte, Juventude e Lazer da Paraíba, Ruy Carneiro anunciava pomposamente que o Estádio Ernani Sátiro (o Amigão) de Campina Grande está em condições de receber os jogos da Série B e da Copa do Brasil, bem como do Campeonato Estadual, a CBF divulgava uma relação de Estádios em condições irregulares.
E adivinhem que dois estádios de futebol da Paraíba aparecem na lista?
Alguém não está falando a verdade. Quem será?
A julgar pelo que observo quando vou assistir partidas de futebol no Amigão, não parece que o Secretário está correto em seu anúncio.
E ESSE É O PAÍS QUE PENSA QUE VAI SEDIAR UMA COPA DO MUNDO.
QUE OS DEUSES DO FUTEBOL TENHAM PENA DE NÓS.
Vejamos a matéria publicada no WWW.terra.com.br
Copa do Brasil Quarta, 28 de janeiro de 2009.
Laudo da CBF aponta 26 estádios em situação irregular. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta quarta-feira um laudo técnico sobre a situação dos estádios relacionados para receberam partidas da Copa do Brasil. Dos 60 apresentados, 26 estão em situação irregular. O Maracanã, no Rio de Janeiro, e o Mineirão, em Belo Horizonte, são dois dos principais estádios que não foram aprovados por pelo menos um dos quesitos da vistoria, realizada por Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Vigilância Sanitária. Em nota, a CBF adverte que os estádios com laudo em situação irregular têm até o próximo dia 30 de janeiro, sexta-feira, para se regularizarem e conseqüentemente receberem confrontos válidos pela primeira rodada da competição, no dia 18 de fevereiro.
Estádios em situação irregular:
Arena da Floresta (Rio Branco) / Glicério Marques (Macapá) / Castelão (Fortaleza) / Engenheiro Araripe (Cariacica) / Salvador Costa (Vitoria) / Mário Helênio (Juiz de Fora) / Mineirão (Belo Horizonte) / Zinho Oliveira (Marabá) / AMIGÃO (CAMPINA GRANDE) / ALMEIDÃO (JOÃO PESSOA) / Lindolfo Monteiro (Teresina) / Arena da Baixada (Curitiba) / Couto Pereira (Curitiba) / Durival de Brito (Curitiba) / João Havelange (Rio de Janeiro) / Maracanã (Rio de Janeiro) / São Januario (Rio de Janeiro) / Nogueirão (Mossoró) / Machadão (Natal) / Portal da Amazônia (Vilhena) / Alfredo Jaconi (Caxias do Sul) / Heriberto Hulse (Criciúma) / Dario Leite (Guaratinguetá) / Canindé (São Paulo) / Vila Belmiro (Santos) / Nilton Santos (Palmas).
Redação Terra
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
DESEJO A TODOS VOCÊS!!!!!!!
O que seria de nós se não fossem os poetas?
Como expressar belas palavras sem a inspiração que só mesmo um Drummond conseguia ter?
Nestes momentos, só mesmo recorrendo a eles – os poetas.
O que fazer quando se quer fugir ao óbvio ululante do “... felicidades em 2009”?
O que fazer se não se tem nenhuma frase de efeito para enviar?
Se não quero enviar (nem receber) aquelas mensagens enfadonhas lair-ribeirianas/paulo-coelhianas? O que faço? Envio, mais uma vez, este poema de Drummond – belo pela singeleza.
Não pretendo dar lições e conselhos, até porque não sou talhado para isso. Drummond, sim, este nasceu pronto para nos ensinar algo.
Como dizer às pessoas que façam (ou não) coisas que eu mesmo não sei se as farei.
Também, não vou sugerir que sejam politicamente corretas, até porque sei que em vários momentos terei (quererei) não sê-lo.
Porque pedirei às pessoas que mudem, se eu não poderei (ou não quererei) mudar em alguns aspectos da minha vida?
Por isso tudo, me valho de Drummond....
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
CRÔNICA DE NATAL

Pensei bem e decidi que não iria ser o portador da má notícia, pelo menos não agora. Confesso, foi uma atitude cômoda, pois bem sei que a vida se encarregará de dar essa e outras tantas más notícias para ela.
Aderi ao “espírito de natal” e disse que Papai Noel existe para quem nele deseja (ou precisa) acreditar. Já sobre a saúde financeira de Babbo Natale disse que ele não foi, ainda, atingido pela crise econômica que assola o mundo. Mas, daí tive que explicar o que é essa tal crise e onde ficam os Estados Unidos e porque lá tem neve e faz frio.... Foi um festival de “porquês” que resolvi voltar ao início da conversa.
Mas, minha filha não sacia facilmente sua curiosidade e lançou outra questão difícil:
- Papai, porque os adultos desejam um monte de coisas boas para todo mundo no natal?
E eu:
- Well, well, Clara...
Fui sincero:
- Filha, não sei por que deixamos para fazer apenas no final do ano aquilo que deveríamos fazer pelo menos uma vez por mês.
O Natal é uma coisa engraçada mesmo, até os ateus comemoram o natalício de Jesus Cristo.
Muitos, que se sentem “obrigados” a viver nas modernas sociedades de consumo, racionalizam e dizem que a data é apenas uma invenção para acelerar as vendas. No entanto, atire a primeira pedra quem ainda não se refestelou das comidas e bebidas feitas para comemorar o genetlíaco de Cristo.
Aliás, diria minha filha, um aniversário não deveria ter bolo, velas, bolas, pipoca, palhaço e os “parabéns a você”? Acho que não. Quem vai comemorar 2008 anos deve ter uma festa diferente.
Enfim, e por via das dúvidas, Papai Noel virá sim trazer o presente de Clara. Ela até fez uma carta para ele. Pensei em mandar uma mensagem para papainoel@santaclaus.com, mas, decidi ser tradicional e coloquei a missiva nos Correios.
São Nicolau virá sim trazer a bicicleta que ela encomendou. A única dúvida é como ele fará para entrar no nosso apartamento, pois não temos chaminé. E mesmo que tivéssemos, não tem espírito natalino que faça passar um homem tão gordo por um espaço tão pequeno. Sem contar que o portão da entrada fica fechado a partir das 22 horas.
Não tem jeito, ele virá pela varanda. Os quase 10 metros que nos separam do chão não devem ser empecilho para quem voa de trenó, puxado por renas, compra presentes sem ter dinheiro e vive na Lapônia cercado de duendes.
Enfim, que Papai Noel exista enquanto minha filha puder nele acreditar!
E, para todos, felicidades e que bons momentos aconteçam em profusão.
domingo, 21 de dezembro de 2008
UM PAÍS DE MACUNAÍMAS!
O jornalista Juca Kfouri, em sua coluna deste domingo (21/120/08) na Folha de São Paulo, faz aquilo que muitos não tem coragem e/ou interesse em fazê-lo. Afirma que somos um país de Macunaímas (o herói sem caráter, lembram?), pois ao aceitarmos passivamente esse estado de coisas erradas que aqui acontecem somos, pelo menos, coniventes. Juca fala que "talentos não nos faltam, basta ver Kaká, Cielo, Maurren, Fofão, Giba. Só faltam valores". Ficamos inconformados com políticos corruptos (aliás, eleitos por nós mesmo), mas não vemos problema algum que um juiz de futebol seja subornado, desde que para favorecer o nosso time; como também não vemos dificuldades em furar a fila ou ultrapassar o sinal vermelho, pois a nossa justificativa é sempre mais justa do que do outro; e o que dizer de mania recorrente de achar que os fins justificam os meios? Enfim, a Lei de Gerson parece, ainda, ser uma regra quando deveria ser uma excessão.
A MELHOR imagem do Brasil em 2008 é a pior imagem do Brasil em 2008: a imagem do roubo de mantimentos enviados para socorrer os flagelados de Santa Catarina.
Até então, quem sabe, a melhor imagem era a de César Cielo emocionado no lugar mais alto do pódio em Pequim. Ou a de Maurren Maggi, na mesma altura. A das meninas do vôlei também era forte candidata, por tudo o que significava de virada, assim como a da saltadora. Mas não.
Nada mais revelador da alma brasileira do que aquele pessoal surrupiando o fruto da generosidade de alguns em proveito próprio. E, não tenha dúvida, na complexidade da alma brasileira, alguns dos larápios seriam também capazes de fazer doações para serem apropriadas por outros semelhantes. Ora, afinal, pensou um deles, "este tênis aqui é bacana demais para dar para um desabrigado que está precisando mesmo é de uma galocha".
Já o outro achou que "esta camisa é muito elegante para quem não tem nem onde morar e dá pena pensar em vê-la toda amarfanhada. Nem vai durar...". Mais ou menos como achar legal ganhar um jogo com gol de mão, em impedimento e no último minuto.
Ou não se importar que as pessoas se perpetuem no poder, ainda mais se fizerem algo de bom, mesmo que roubem. Porque fazem, né não? Pois não é que neste país se assiste num ano ao escândalo do Pan-2007 e se aplaude a candidatura olímpica na temporada seguinte? Até se bajula a filha do cartola que virou cartolinha para fazer a Copa do Mundo com o nosso dinheiro!
Talvez por isso a melhor frase do esporte nacional em 2008 tenha ficado praticamente inédita até hoje, dita, em Pequim mesmo, pelo jornalista Roberto Salim, da ESPN Brasil, ao ministro do Esporte, Orlando Silva Jr.: "Você envergonha a sua raça, o seu partido, o esporte brasileiro e todos os que acreditaram em você".
Porque também são raros os brasileiros capazes de externar sua indignação com tamanha clareza. A regra é ficar inconformado com o que houve em Santa Catarina, mas fechar os olhos quando em troca de um privilégio, seja de que ordem for, algo que os meios de comunicação também fazem. Tanto que, por exemplo, Dunga apanha mais por suas qualidades do que por seus defeitos, embora tenha trocado algumas delas para sobreviver na função. E que ninguém imagine que aqui esteja sendo feita a apologia do brasileiro perfeito, ou do homem perfeito, porque certas ilusões, nestas alturas, não cabem mais.
Apenas se constata que de nada adiantam surtos de indignação quando a prática diária é a de empulhação. A de levar vantagem. A de mentir. De se juntar com quem não presta para se dar bem, porque o mundo é assim mesmo. A de querer o cara no time, não para casar com a filha. Só que esses caras são tão envolventes em sua falta de compromissos morais que terminam se casando com as filhas dos espertos e acabam por fazer um país. Um país de Macunaímas.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
40 anos do Ato Institucional n° 5
por Marcos Guterman
O Ato Institucional número 5, que mergulhou o Brasil de vez nas trevas da ditadura, está para completar 40 anos. Em meio aos inevitáveis debates sobre as conseqüências dessa ação nefasta, Tarso Genro, ministro da Justiça, disse considerar um “mito” a idéia segundo a qual o AI-5 tenha sido responsabilidade exclusiva dos militares.
“Temos que acabar com esse mito de que o AI-5 da ditadura é responsabilidade de um grupo de militares ou das Forças Armadas”, afirmou Genro. “É claro que as Forças Armadas tiveram papel fundamental, mas o AI-5 teve apoio civil, de pessoas, de ministros, de juristas que redigiram o AI-5, que deram fundamentações para a arbitrariedade.”
De fato, o AI-5 foi produto de um processo histórico do qual os militares foram o trecho final, embora nem por isso esse papel possa ser considerado menor, como sugere o ministro. A história da ditadura não poderia ser contada sem levar em conta o “apoio civil” de que fala Genro, sobretudo de uma classe média apática e de um empresariado que via na ditadura tanto uma forma de afastar o perigo comunista como de abrir oportunidades para bons negócios.
O discurso de Genro, no entanto, pode ser lido como parte da tentativa de conciliação do governo Lula com os militares, uma aproximação que já fez o próprio presidente elogiar Médici, de longe o mais duro dos líderes militares da ditadura. Em abril, Lula disse, em relação a Médici, que “cada um de nós tem uma coisa boa para oferecer, tem coisas ruins dentro da gente, e não poderemos ficar julgando eternamente as pessoas por um gesto, dois gestos, sem compreender outros gestos que as pessoas fizeram”.
Assim, com evidente boa vontade em relação aos militares, Genro afirmou que é preciso “superar essa idéia do ato como resultado de um aparato militar puro, para superar a ideologia falsa a respeito da ditadura e construir a democracia com segurança tanto para os civis e militares e na relação entre ambos”.