quinta-feira, 9 de agosto de 2012

NÃO BASTA SER DESENVOLVIDO, TEM QUE SER, TAMBÉM, DEMOCRÁTICO.





Na semana passada eu falei aqui, no POLITICANDO, que o cidadão quer que seus governantes respeitem os mecanismo de participação e que sejam efetivos em termos de políticas públicas. Eu falei que 44% dos latino-americanos prefere ter crescimento econômico a ter democracia e que trocariam seu governo democrático por um autoritário, desde que ele promovesse bons níveis de desenvolvimento.

Mas, será que temos que escolher entre desenvolvimento e a democracia? Porque não ficar com pacote completo? Será que existe um real dilema entre democracia e crescimento econômico? Desenvolvimento econômico e democracia não são contraditórios entre si. Existem países que só são desenvolvidos porque são democráticos e nações que só se tornaram democráticas porque experimentaram os benefícios do desenvolvimento econômico.

Discordo dos que só valorizam a democracia se estiverem satisfeitas com os rumos da economia. O cientista político Robert Putnam afirma que “não existe uma forte relação entre os altos e baixos da economia e os índices de confiabilidade que as pessoas depositam nos governos”. Veja-se que nosso país tem experimentando bons níveis de desenvolvimento econômico, mas nem por isso consolida seu sistema democrático. Seguimos preferindo viver numa democracia de formalismos.

Continuamos a ter um sistema eleitoral eficiente que, no entanto, conduz mensaleiros, palhaços de todos os tipos e pessoas desinteressadas para com as coisas do Estado ao parlamento e ao governo.

O fato é que nos habituamos a demonizar aqueles que elegemos e a nos vitimizar. Achamos mais fácil culpar o governo por tudo que está errado em nossa volta. Raramente nos organizamos para reivindicar nossos direitos. E é por isso que vamos cada vez mais sendo governados por governos ineficientes, quando não corrompidos por um sistema político que aceita a impunidade como regra.

Os governos, e a democracia, funcionarão mais e melhor onde existir bons níveis de engajamento civil. Onde houver uma população participativa, haverá um governo comprometido. A regra é clara, já diria aquele ex-juiz de futebol. O fato é que não adianta simplesmente eleger os governantes, é preciso que a sociedade se engaje nas coisas da República e nas questões do Estado. Enfim, não basta votar tem que participar.

Sociedades, como a brasileira, com estruturas hierarquizadas levam a população a concluir que não deve ter responsabilidades e que as questões públicas são apenas da alçada do governo. Quanto mais capital social houver em uma sociedade, mais qualidade governamental ela terá. Uma sociedade onde os níveis de confiança e de responsabilidade entre as pessoas são altos tem boas chances de ser, também, democrática.

Em relação aos governos, a descrença na democracia é, ainda, reflexo dos muitos anos em que vivemos sobre duas ditaduras (a de Getúlio Vargas e a dos militares). Acostumamo-nos a não ter direitos, só deveres. No Brasil, não trilhamos um processo de transição e redemocratização. O que fizemos foi um lento processo de liberalização. A passos de tartaruga, fomos substituindo normas, leis e instituições autoritárias por procedimentos democráticos como as eleições.

Nós não encerramos a ditadura e iniciamos um novo sistema democrático. Fomos reformando o antigo sistema, reaproveitando algumas velhas estruturas e criando algumas novas. Construímos uma nova casa sob as paredes da velha moradia.

O fato é que não dá para exigir que sejamos democráticos e acreditemos nas instituições se temos que conviver com as notícias de corrupção e com um tipo de Estado que está bem longe de ser de direito, pois não garante segurança, por exemplo, a seus cidadãos.

Será que podemos pedir a Alessandra Bezerra que acredite na democracia, depois dela ter visto seu marido morto com várias marcas de tortura pelo corpo? Para quem não sabe, o marido de Alessandra teria sido espancado até a morte por policiais, depois de invadir a casa de um PM motivado por uma crise psicótica fruto do uso e abuso de crack.




Como querer que o cidadão acredite e defenda os valores da democracia se ele é diariamente desrespeitado em seus direitos mas básicos. Democracia é algo processual e tem que ter substância. Democracia não é algo que se cria do dia para a noite. Não é por que temos eleições a cada dois anos que podemos supor que somos a sociedade mais democrática do mundo.

Eleições são condição necessária para se ter democracia. Mas não são e não podem ser condição suficiente. Muito mais do que uma democracia de formalismos e regras, precisamos ter uma cultura democrática que dê lastro a procedimentos igualmente democráticos.



Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).