segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O “HOMEM CORDIAL” E A “LEI DE GÉRSON”







Hoje, eu vou explicar a ideia do “homem cordial” e da “lei de Gérson” para analisar aspectos do nosso caráter e de nossa personalidade que nos fazem ser tão passivos diante dos problemas que nos cercam. O historiador Sérgio Buarque de Holanda (pai de Chico Buarque) afirmava, em seu livro “Raízes do Brasil”, que o brasileiro é um “homem cordial” e que marcas de seu caráter são a fineza no trato e a generosidade.



Para ele, a cordialidade seria a maior contribuição do povo brasileiro para a humanidade. Mas, Sérgio alertava que esse caráter não seria sinônimo de boas maneiras e civilidade. Ser amável seria um modo de resistir. Os escravos só se rebelavam quando tinham forças. Quando não, eram cordiais para lidarem com a opressão. A polidez e a submissão seriam um meio deliberado de resistência.



A “Lei de Gérson” é uma instituição informal por onde explicamos nossa obsessão em obter vantagens em tudo. Usar a “Lei de Gérson” é buscar benefícios passando por fora da ética e da moral. A expressão surgiu em 1976 quando o jogador tricampeão do mundo, Gérson, fazia um comercial para os Cigarros Vila Rica. Mostrava-se o produto como vantajoso por ser o melhor e o mais barato.



Sorridente, Gérson dizia carregando no sotaque carioca: “Eu gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também”. O caro ouvinte está estranhando um jogador de futebol fazendo propaganda de cigarros? É que as coisas giravam em torno de se ter mais benefícios e menos custos. Daí que jogador fazia comercial de cigarros sem o menor pudor. Dizer “eu gosto de levar vantagem em tudo” virou mania e era a forma de se mostrar esperto, descolado.



Eu acompanho a F1 a muito tempo. Vi de Emerson Fittipaldi a Felipe Massa, passando por Nelson Piquet e Airton Senna. Rubens Barrichello seria o “homem cordial” e Nelson Piquet Fº o que usa a “Lei de Gérson”. Barrichello é simpático e alegre. Ele foi cordial quando, no Grande Prêmio da Áustria (em 2002), estava a caminho da vitória e foi obrigado pela Ferrari a deixar Schumacher passar à sua frente na reta final da corrida.



Foi um vexame, uma decepção. Galvão Bueno já pedia o “tema da vitória”, mas teve que engolir seco e gritar que aquilo era um absurdo. O orgulho nacional estava ferido de morte. Como iríamos gritar Brasil-sil-sil!!! O que faríamos naquele resto de domingo sem uma vitória para nos entorpecer? Jornalistas exigiam reparação. Queriam ver Barrichello respondendo à altura das atitudes de Piquet e Senna.







Mas, Barrichello, cordial como ele só, disse que aquilo era assunto da equipe. Ele sabia de suas fragilidades. Consciente do raquitismo de seu papel e, adotando a tática dos escravos, resistiu cordialmente. Sempre que a Ferrari segurava Barrichello nos boxes por 1 ou 2 segundos para beneficiar Schumacher eu torcia para que ele saísse do carro e atirasse o capacete nas câmeras de TV. Mas, ele apenas ria cordialmente.



Nelsinho Piquet chegou a F1 capitalizando esperanças de termos mais um herói das pistas. Sem resultados, não pestanejou e aplicou a “lei de Gérson” quando surgiu a oportunidade de assinar um novo contrato. Ele aceitou bater de propósito para beneficiar Alonso, o mesmo que hoje ultrapassa Massa sem se esforçar, e em troca assinar um novo contrato. Nelsinho sabia que era preciso maximizar benefícios e minimizar custos.



Piquet Jr. não quis saber de nada e de ninguém, queria garantir-se na F1. Como Macunaíma (o herói sem caráter de Mário de Andrade) ele lançou mão da malandragem para fazer frente aos outros pilotos. Em tempos de “politicamente correto” não se fala mais na “Lei de Gérson”. Mas ela vive em nossa cultura política. A “lei do é dando que se recebe”, tão comum na política partidária, tem o mesmo espírito da “Lei de Gérson”.



Porque será que tantos trocam ou vendem o voto? É que gostamos de levar vantagem em tudo. Preferimos trocar o voto por um benefício circunstancial a ter que suportar os custos de uma escolha mal feita.



Muito já se falou que herdamos dos escravos o horror ao trabalho e dos índios a preguiça. E que a mistura disso foi essa malandragem sem fim, essa mania de querer levar vantagem em tudo, usando a cordialidade.



Eu não concordo com isso, mas o malandro vive em nosso imaginário e na nossa realidade. Ele investe contra as regras e leis para obter vantagens. É cordial, nunca violento.  Como os dois pilotos, ele dá sempre um “jeitinho” para driblar as dificuldades e “se dar bem, levando vantagem em tudo”.



Neste período eleitoral, se o caro ouvinte identificar em algum candidato as características do “homem cordial” ou do aplicador da “lei de Gérson” não se assuste pois isso é o comum em nossa sociedade e os políticos não são de Marte, são daqui mesmo do Planeta Terra.




Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).