sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Golpe Militar que proclamou a República.




 



Quando a República foi proclamada, em 1889, faltavam apenas 11 anos para o século XX. Vários países da América Latina já eram republicanos desde o começo do século XIX. O Chile, por exemplo, tornou-se República em 1823. A imagem clássica, oficial, da Proclamação da República é um óleo sobre tela pintado por Benedito Calixto em 1893. Nele se vê apenas homens fardados, alguns montados em cavalos, muitos canhões e um quartel ao fundo. A Proclamação foi mesmo um golpe.





Um grupo de militares, e civis, proclamou um ato de força unilateral passando ao largo da sociedade. Foi por isso que o jornal “Diário Popular” trouxe em 16 de novembro de 1889 um artigo de Aristides Lobo com o sugestivo título “E o povo assistiu a tudo bestializado”. Ao contrário do que se imagina a abolição da escravidão (em 1888) não foi causa determinante para a Proclamação. Influiu mesmo à adesão do Exército à causa republicana. É que o Exército tinha voltado, vitorioso, da Guerra do Paraguai.





E reivindicava espaços de poder. Por questões internas e por desentendimentos de oficiais do Exército com deputados e membros do governo, as Forças Armadas foram paulatinamente deixando de ser monarquistas e aderindo a causa republicana. No campo civil, desde 1870 os republicanos vinham se organizando sob a liderança de Quintino Bocaiuva e Saldanha Marinho. Em 1873, o Partido Republicano Paulista foi fundado pelos cafeicultores, mas apenas como instrumento para pressionar o Imperador.





Durante o século XIX, o positivismo se tornou a ideologia oficial do Exército brasileiro. A aversão dos positivistas ao regime monarquista, além da convicção de que uma ditadura militar era a forma ideal de governo para o Brasil foi o mote para a causa republicana. Em quatro anos os desentendimentos entre militares e políticos cresceram ao ponto do imponderável. Tornou-se comum militares de alta patente ir a imprensa criticar os políticos ou reclamar direitos. A chamada “questão militar” começou em 1886. "Questão Militar" é como o Exército denominava a necessidade de se efetivar um movimento que acabasse com o Império e decretasse um sistema político onde eles pudessem, senão estarem a frente do governo federal, pelo menos mandarem mais e melhor como forma de atendem seus interesses mais específicos. 





O Coronel Cunha Matos atacou os deputados e o governo num artigo publicado na Imprensa. O Ministro da Guerra sentiu-se ofendido e puniu Cunha Matos. Em 1887, o Coronel Sena Madureira atacou, também em artigo, o senado federal. Foi, também, punido. Ato contínuo, oficiais de Porto Alegre e do Rio de Janeiro manifestaram-se publicamente contra uma lei que proibia militares de falarem em público de questões políticas e militares sem prévia autorização do Ministério da Guerra.



 



Em 1888, os militares aprovaram um documento onde reafirmavam a intenção de lutar pelo direito de defesa da honra. Também, repudiavam punições e reivindicavam mesmo que o governo não interferisse nos assuntos da caserna. Com a abolição da escravidão, os militares viram a oportunidade de fazerem mudanças. O tenente-coronel Benjamim Constant, com outros líderes militares e civis, convenceu o Marechal Deodoro da Fonseca que era preciso mudar o regime.





O ideal positivista de construir uma ditadura militar no Brasil encantou corações e mentes no Exército e em alguns poucos setores da sociedade. Os movimentos republicanos, elitistas, por certo, contribuíram para o desenrolar dos fatos. Deodoro foi convencido de que uma simples mudança em nível ministerial não era solução para a crise institucional reinante. Benjamim dizia que só um golpe militar resolveria a situação humilhante em que a Coroa estava mergulhando o Exército.





Deodoro convenceu os vários setores militares, principalmente o Marechal Floriano Peixoto que ainda apoiava o Imperador, com o argumento de que “... a coisa era contra os casacas”, era assim que os militares chamavam os políticos. Em 11 de novembro de 1889 Deodoro disse que “... não há mais o que esperar dela (da monarquia). Façamos a República. Benjamim e eu cuidaremos da ação militar, Quintino (Bocaiuva) e seus amigos cuidam de todo o resto”.





Bem dito, todo o resto era o próprio pais e a organização de um sistema política que iria surgir dali a quatro dias por um golpe de força gerado por insatisfações de toda sorte e pela mentalidade autoritária de que é assim que se faz mudanças. Notaram que o povo está ausente dessa coluna? Pudera ele não participou da proclamação! Como diria, Aristides Lobo ele foi bestializado, mesmo que a história oficial tenha dado ao povo um papel de destaque para um ato militar. O resultado dessa aventura golpista foi trágico para nossa história republicana.





No século XX vivemos 36 anos sobre ditaduras, a fora os anos onde vestígios de democracia coexistiam sob uma couraça de autoritarismo. Desde a Proclamação ainda não tivemos mais de 35 anos contínuos de democracia sem que ditaduras e autoritarismos de todo tipo solapassem as instituições democráticas. E, como se sabe, democracia é o somatório de procedimentos e processos. Do fim do regime militar, em 1985, até aqui ainda somamos menos anos do que os vividos sob as duas ditaduras do século XX. Nossa jovial e festiva democracia eleitoral ainda tem muito que evoluir.



Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).