terça-feira, 26 de março de 2013

Golpe na Câmara de Vereadores de Sucupira




O tema do POLITICANDO de hoje me fez lembrar a antiga novela “O Bem Amado” do dramaturgo Dias Gomes. A história se passava na cidade de Sucupira onde tudo podia acontecer por causa de um político provinciano, corrupto e medíocre.



Nos anos em que vivíamos sob o regime ditatorial era comum que atores políticos paraibanos, da antiga ARENA, recorressem ao governo federal militarizado para que suas demandas locais fossem atendidas. Funcionava assim. O chefe político local (quem quiser pode chamar de coronel) recorria ao general-presidente de plantão para que este, através de um ato de força, atendesse as necessidades do grupo político por ele comandado.



O coronel-prefeito podia pedir ao general-presidente a exoneração, ou mesmo prisão, de um desafeto político. Podia pedir que verbas para combater a seca, por exemplo, fossem logo liberadas das gavetas da burocracia brasiliense. Entre 1964 e 1978 Câmaras Municipais eram simplesmente fechadas na Paraíba e pelo Brasil afora. Bastava à maioria dos vereadores não rezarem pela cartilha do coronel-prefeito para este pedir a Brasília que editasse um decreto-lei fechando a Câmara.




Nos dias de hoje isso não acontece mais. As Câmaras Municipais utilizam procedimentos democráticos e quase não existem chances de haver uma intervenção. O problema é que uma cultura política autoritária ficou em nossa corrente sanguínea. No passado se pedia a intervenção do ditador-presidente para se manter no poder local. Hoje, se utiliza procedimentos legais (mesmo que ilegítimos) como a antecipação das eleições para a Mesa Diretora do poder legislativo mirim.



Antecipar eleições é uma artimanha que presidentes de câmaras municipais, e seus aliados, usam para permanecerem controlando as Mesas Diretoras por dois ou mais mandatos. Vejamos como funciona esse astucioso ardil recheado de golpismo. O primeiro passo é dado quando as Mesas Diretoras são compostas ainda no início do mês de janeiro. Como se sabe, os vereadores tomam posse e logo em seguida escolhem aqueles que vão presidir e secretariar os trabalhos legislativos.


É aí que vem o requinte da coisa. O presidente da Câmara, eleito para um mandato de dois anos após obter maioria simples dos votos de seus colegas, manobra o regimento de forma a se reeleger ao passo em que inicia seu primeiro mandato. Para evitar os danosos custos da negociação, para não ter que passar por um novo processo em dois anos e se valendo da maioria obtida faz-se agora mesmo a eleição que só deveria ocorrer em janeiro de 2015. É algo inteligente, sórdido, mas inteligente.



Eis o golpe. Algumas Câmaras Municipais escolheram suas Mesas Diretoras, em Janeiro passado para o biênio 2013/2014, deixaram passar uns dias e repetiram o processo, de forma que as mesmas pessoas vão ocupar os mesmos cargos no biênio 2015/2016. Ou seja, as circunstâncias atuais, que causaram uma decisão de momento, são utilizadas para se decidir uma coisa que só vai acontecer daqui a mais de dois anos. É como se as relações políticas fossem imutáveis. É como se tudo se repetisse indefinidamente.




Imaginem se elegêssemos, hoje, alguém que só iria começar a governar Campina Grande daqui a 3 anos em Condições Normais de Temperatura e Pressão diferentes. Imaginou? Não é um absurdo? Mas, é isso que se tem praticado pela Paraíba afora. É puro casuísmo. A ação é feita para favorecer, ou resolver o problema, de uma pessoa e/ou de um grupo, sem que se leve em consideração os interesses coletivos. É como se um pai decidisse o futuro de um filho que ainda não nasceu.



Em Bernardino Batista, no alto sertão paraibano, o vereador Aldo Andrade, do PMDB, foi eleito presidente da Câmara Municipal para o biênio 2013/2014 na 1ª semana de Janeiro. Tudo perfeitamente legal e até democrático. Há uns dias atrás os vereadores de Bernardino Batista se reuniram, repetiram os mesmos procedimentos, e reelegeram Aldo Andrade, para o mesmo cargo, só que para o biênio 2015/2016. Simples assim.  Na verdade, foram duas eleições em um só pacote.




Esse procedimento, oportunista e golpista, foi utilizado nos municípios de Joca Claudino, Triunfo, Cuitegi e Queimadas. Mas, que não se diga que essas coisas só acontecem nas cidades pequenas onde mecanismos de controle inexistem. O vereador Durval Ferreira, do PP, conquistou dois mandatos de presidente da Câmara Municipal de João Pessoa em um espaço de apenas 30 dias. Numa espécie de eleição com dois turnos, ele foi escolhido para os biênios 2013/2014 e 2015/2016.



Isso ocorreu na capital do Estado, bem nas barbas dos Ministérios Públicos, dos Tribunais, da imprensa e de parte da sociedade bem informada. O golpe da eleição dobrada, como se fosse uma tapioca, vem sendo dado, noticiado, mas nem por isso evitado. Assim caminha a política em Sucupira, digo na Paraíba.




Nenhum comentário:

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).