quinta-feira, 28 de março de 2013

O Custo da democracia






Eu estava analisando a planilha, que especifica o chamado custo deputado, quando cheguei a uma perigosa conclusão. É que manter um sistema democrático, como o nosso, sai muito mais caro do que manter uma ditadura. Eu explico. Numa democracia quem sustenta o sistema representativo, além de todas as outras instituições, é a própria sociedade. As ditaduras restringem ou impedem o funcionamento das instituições representativas, daí o custo ser menor.


Mas, por favor, não me entendam mal. Não estou querendo dizer que seria melhor vivermos em uma ditadura. O que quero demonstrar é que se a democracia é um sistema do povo, e para o povo, então é este que deve mantê-la, inclusive financeiramente. É assim que o custo representante é repassado para a sociedade. Custo deputado é tudo aquilo que a sociedade paga para que o parlamentar possa desempenhar suas funções. Inclui salários, ajuda de custo, verba para assessores e um sem número de benefícios.


Vejamos como isso funciona não esquecendo que exercer a função parlamentar no Brasil têm bem mais benefícios do que custos, do contrário não haveria uma procura tão grande pelos cargos legislativos nos períodos eleitorais. Em janeiro de 2011 o custo do deputado federal, por gabinete, era de R$ 122 mil, sendo que apenas o salário do deputado custava aos cofres públicos à quantia mensal de quase R$ 27 mil. Por ano, o montante chegava a quase R$ 321 mil.


Esses valores aumentaram consideravelmente. É que tanto o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, como o atual, Henrique Alves, implementaram medidas administrativas e progressivos reajustes salariais.  Na verdade, eles abriram o saco de maldades, além do cofre, para manter um sem número de privilégios que de tão acintosos agridem o cidadão comum desse país montado em desigualdades sociais, políticas e, principalmente, econômicas.


Desde janeiro passado, o custo mensal de um gabinete é de R$ 142 mil. Os salários dos deputados foram arredondados para R$ 28 mil. Façamos uma conta rápida. Como temos 513 deputados, só de salários pagamos quase 15 milhões de reais mensalmente. Se cada gabinete custa-nos R$ 142 mil por mês, então bancar 513 gabinetes sai por quase 73 milhões de reais por mês. Cada vez que eu dizer quanto cada deputado gasta com determinada coisa, pegue a máquina calculadora e multiplique o valor por 513.


O salário dos parlamentares subiu por causa da chamada “PEC da Bondade”, que foi a fatura que os deputados cobraram para votarem em Henrique Alves. Claro, a bondade foi feita por eles, para eles e com eles. Além do salário de R$ 28 mil, o parlamentar recebe uma quantia para se mudar para Brasília e conta com quase R$ 30 mil mensais para alimentação, aluguéis de salas, combustível, consultoria, assessoria e tudo mais que precisar em seu estado de origem. Em Brasília ele pode ter até 25 funcionários, um gabinete, um apartamento funcional e linhas telefônicas com uso ilimitado. Claro, suas despesas com alimentação e locomoção são também custeadas por nós. A lógica é muito simples.


O deputado está em Brasília para representar os interesses de seus eleitores, então que estes paguem as despesas. Porém, a questão não é pagar a conta e sim quanto custa pagá-la. É que os custos de nossa democracia são sempre superfaturados. Além da infraestrutura necessária, existe o trabalho propriamente dito do deputado. Para que ele apresente projetos, relate propostas, vote, aprove, rejeite, fiscalize e/ou apoie o governo existe um custo operacional. E adivinha quem paga essa conta?


Existe, ainda, o “cotão”. Os deputados dizem que é uma verba multiuso, pois pode ser utilizada para pagar por todo e qualquer tipo de serviço que o parlamentar venha a necessitar. Talvez, pague até aqueles serviços, digamos, de caráter privado. O valor do “cotão” por deputado é de R$ 33 mil. Multiplique por 513 e veja que a festa da democracia sai por quase R$ 17 milhões. O deputado recebe o auxílio-moradia. São R$ 3.800 mil por mês para que seu pobre representante não fique sem ter onde dormir.


A verba de gabinete para pagar até 25 funcionários é de R$ 78.000 mil ao mês. O deputado pode ser ressarcido de suas despesas médicas de forma ilimitada. Desde que o pobre deputado enfermo comprove os gastos somos obrigados a ressarci-lo. Os deputados não pagam um centavo sequer com impressões, fotocópias e material de expediente. Até blocos de papel eles recebem. Quando um deputado estiver rabiscando algo saiba que é você quem está pagando pelo papel e pela tinta da caneta


O caro ouvinte conseguiu fazer a conta para ver até onde vai o custo com nosso sistema democrático? Se não conseguiu, não se preocupe, pois fiz alguns cálculos e cheguei a um resultado. É melhor sentar, pois ele impressionante. O custo da representação será, neste ano de 2013, algo em torno de R$ 928 milhões. Ou seja, quase R$ 1 Bilhão de reais. A democracia sai mesmo cara, mas existe um sistema mais em conta. Eu falo da ditadura. Apesar de que este é o barato que sai muito caro.




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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).