terça-feira, 19 de março de 2013

Por favor, não seja bom para todos!







Há uns dias atrás eu conversei com um ex-gestor público e ele me disse que o poder lhe deu uma certeza que depois se transformou em grande frustração. Ele falava do fato de que é impossível agradar a todos e que é preciso lidar com os insatisfeitos. Por causa dessa conversa lembrei uma frase de Maquiavel. Ele dizia que o governante deve fazer o bem aos poucos e a praticar o mal de uma vez só. O que o filósofo queria dizer é que um governante não pode querer tomar apenas medidas boas.



Nada pior do que um governante tentando agradar a todos. Essa é uma das mais perigosas tentações de quem detém o poder, pois na política as demandas são sempre maiores dos que os recursos.  A regra da governança é “não seja bom o tempo todo”. Não queira agradar a todos, pois governar é, antes de tudo, fazer escolhas. Uma das normas da política é que ao se escolher se criam satisfeitos e desgostosos. A você, gestor público, cabe aprender a lidar com isso da melhor maneira possível.




Vejam, por exemplo, como é tenso o momento de se montar o secretariado de um governo que vai começar. Eu desconheço que tenha havido um caso em que existiam mais cargos do que pessoas para assumi-los. Pelo contrário, a quantidade de aliados ávidos por cargos é sempre maior do que a quantidade de postos a disposição do gestor para que se realizem as nomeações. A montagem e manutenção de um governo é sempre sensível por esse aspecto.




Vejam que há alguns dias o PTN anunciou que rompeu com o governo de Ricardo Coutinho. Em Nota, o partido afirma que deixa de ser governista por não ter sido reconhecido como merecia e por não ter participado efetivamente do governo. Na verdade, o que aconteceu é que o PTN não foi atendido em seus pleitos. Ele não deve ter sido contemplado com todos os cargos que gostaria. O governador Ricardo Coutinho fez suas escolhas e aí, não tem jeito, sempre vamos ter os insatisfeitos.




Eu já disse muito, aqui no POLITICANDO, que ter poder é possuir a capacidade de impor a sua vontade aos outros. Mas, essa capacidade precisa ser bem administrada, pois do contrário se volta contra aquele que a usa. Nada mais destrutivo para um governante do que uma massa de descontentes a lhe bater a porta para cobrar que, o apoio dado na eleição, deve ser transformado em cargos de confiança, empregos públicos, ou seja lá em que for.




O historiador Britânico Lord Acton dizia que “O poder tende a corromper e o poder absoluto tende a corromper absolutamente”. O governante que não atenta para a tomada de decisão, e que coloca seu próprio poder acima disso, corre sérios riscos. Sabemos que o poder transforma as pessoas. Algumas se embriagam com ele de tal forma que não veem um palmo além de suas narinas. É comum, nos primeiros meses de mandato, o governante não saber identificar os limites do seu poder.




Temos casos de governantes que foram engolidos pelo poder que pensavam controlar. Jânio Quadros, que renunciou para chantagear o Congresso e o Exército, e Fernando Collor, que achou ser possível aniquilar os outros poderes, são dois ótimos exemplos. O governante precisa ter cuidado com a situação que lhe rodeia. Os símbolos do poder, o comportamento das pessoas, a sensação de estar no alto da cadeia de comando podem ser perturbadoras.



O poder pode maquiar a realidade para o próprio governante. Fernando Henrique Cardoso disse que, enquanto foi presidente, não abria portas, não dirigia carros, não apanhava um objeto que caísse, sequer escolhia as gravatas que iria usar. Essa simbologia pode trazer consequências graves para o poderoso de plantão. De posse da sensação que o poder lhe dá, o governante pode cair na tentação de querer agradar a todos. Pior, o poder mascara a realidade a tal ponto que faz o governante achar que basta a vontade política para resolver todos os problemas.



 



O ex-gestor com quem conversei disse que sua vontade política parecia não conhecer limites até que ele topou com as barreiras impostas por sua oposição e pelas limitações financeiras, materiais e humanas. Daí veio à frustração para com o poder. Com o tempo, o gestor percebe que as reivindicações, apelos e solicitações dos que o apoiaram são tantas que a vontade de agradar a todos simplesmente deixa de existir. Em alguns casos ela é substituída pela vontade de fazer o mal em pequenas parcelas.




Muitos não resistem à tentação e recorrem ao expediente de criar cargos a esmo para alocar aliados. Vejam que o governo federal dispõe, hoje, de 38 ministérios. A presidente Dilma não parece conhecer outra frase famosa de Maquiavel. É aquela que diz que: “O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que ele tem à sua volta”. O problema é que os governantes preferem ser chamados de estúpidos a perderem seus aliados.




Um comentário:

Jacareca disse...

Você faz isso, seu pai fez isso, seu chefe faz isso! É o preço que se paga com o poder.

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).