terça-feira, 25 de novembro de 2014

SÃO 73 RÉUS COM ANEL DE DOUTOR

Quando a banda de rock Paralamas do Sucesso lançou, em 1995, a música “Luís Inácio/300 Picaretas", deputados e senadores da época ficaram revoltados e até tentaram proibir a veiculação da música, composta por Herbert Vianna. Herbert se referia ao fato de Lula ter afirmado que havia, no Congresso Nacional, “300 picaretas com anel de doutor” e falava dos "Anões do Orçamento". Tentaram silenciar os Paralamas do Sucesso, e até processá-los, pela óbvia constatação, nada mais do que isso. Neste rap, com tons de baião, Herbert dizia: “Eu me vali deste discurso panfletário/ Mas minha burrice faz aniversário/ Ao permitir que num país como o Brasil/ Ainda se obrigue a votar por qualquer trocado/ Por um par se sapatos, um saco de farinha”.

Eu também me sinto burro por ter que falar em algo tão óbvio, tão repetitivo. Não sei exatamente quantos picaretas temos, neste momento, com anel de doutor no Congresso Nacional. Mas, não devem ser poucos pelas notícias que vemos. Durante as eleições, o site Congresso em Foco, que acompanha o dia-a-dia do Congresso Nacional, mostrou que um em cada dez deputados federais, candidatos à reeleição, enfrentavam ações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF). Agora o mesmo o Congresso em Foco deu que dos quase 300 deputados e senadores, que renovaram seus mandatos nas urnas em outubro, 73 parlamentares estam respondendo a acusações criminais no STF.

Ou seja, tivemos vários políticos que puderam ser candidatos mesmo aparecendo como réus no STF. Pior, essa gente, que tem status jurídico de “possuidores de culpa”, por terem cometido crimes e delitos, receberam anistia dos eleitores nas urnas. O menu criminal dos parlamentares é longo e variado. Tem congressista respondendo por fraude eleitoral, corrupção em atos licitatórios, formação de quadrilha e associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e até trabalho escravo. Se esses parlamentares de ficha suja e folha corrida não tivessem sido reeleitos continuariam respondendo às acusações, que lhes são impostas, mas não mais no STF. É que o representante do povo tem essa regalia de só ser julgado na Suprema Corte.
 
Ser reeleito é a garantia que o deputado/réu tem que a condução de seu processo lhe será favorável. Não ser reeleito é decretar sua sentença, pois sem os privilégios ele se tornará um cidadão comum, como eu e você, que pode ser alcançado pelo braço lei. Vejamos o caso do deputado Marco Tebaldi do PSDB-SC. Ele é processado por crime de responsabilidade, falsidade ideológica e em licitações. Ele é réu no STF desde 2011, como fica matando o tempo na Câmara dos Deputados não irá mesmo a julgamento. Beto Mansur, do PRB-SP, foi reeleito pela 4ª vez consecutiva com mais de 31 mil votos. O ex-prefeito de Santos continuará segurando, no STF, o processo em que é réu por ter mantido 46 pessoas em condição análogas à de escravo em duas fazendas de Goiás.

O STF termina se tornando uma espécie de abrigo para essa gente acostumada a burlar a lei. E é para lá que irão, também, os imbróglios dos que foram eleitos pela primeira vez, mas que já possuem delitos e crimes em suas contas. Aliás, esta é uma estratégia do crime organizado. O sujeito está sendo processado e se mete a adquirir, mediante contrato de compra e venda de votos, um mandato eletivo na Câmara Federal para ir se defender no STF. Como isso se resolveria? Elementar! Bastaria a justiça impedir que esses criminosos contumazes fossem candidatos ou, então, poderíamos barra-los nas urnas. Seria tudo mais simples se não elegêssemos essa gente com anel de doutor, donos de extensas fichas criminais.

Como diria Herbert Vianna nossa “burrice faz aniversário”, pois nenhum dos partidos terá uma bancada maior do que a dos 73 parlamentares réus no STF. As duas maiores bancadas, em 2015, serão a do PT com 70 deputados e a do PMDB com 66. Estes 73 parlamentares vão sempre votar, em plenário, contras as tentativas de mudar essa realidade. Claro, vão contar com o obsequioso silêncio e o corporativismo criminoso de seus pares, que não estam sendo processados, mas que podem vir a ser. Não é a toa que a Comissão de Constituição e Justiça, do Senado, aprovou um Projeto de Lei que impede que partidos sejam punidos por irregularidades, em suas contas de campanha, que não forem julgadas pela Justiça Eleitoral num prazo de quatro anos.

Dessa forma, os partidos poderão cometer crimes eleitorais sabendo que não serão processados. Isso é o que chamo de auto benevolência. No Congresso se trabalha incansavelmente para que partidos e políticos à margem da lei não sejam punidos. É por isso que não teremos uma reforma politica até 2020, pelo menos. É por isso que os Paralamas do Sucesso já diziam em 1995: “Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez / O congresso continua a serviço de você”.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).