A celeridade e a agonia dos fatos dificultam o cumprimento do metiê do cientista político que é analisar o estado de coisas que nos cercam. Assim, vou elencando análises, opiniões, dados e informações relevantes para lidarmos com este momento. A teoria de que o fundo do poço, no Brasil, seria apenas uma etapa a se cumprir rumo ao infinito, as profundezas, parece mesmo crível.
A impressão que tenho é que chegamos a fase "fundo do poço" com o presidente da República, flagrado, incentivando alguém a seguir "comprando o silêncio" de um ex-deputado preso e com um senador, ex-candidato a presidente, pedindo para um empresário lhe dar dinheiro para ele se defender de acusações feitas nos vários inquéritos que tem que responder.
O tal JB disse que Aécio Neves lhe pediu R$ 2 milhões para pagar suas despesas com os inquéritos da Operação Lava Jato. Mas, se listarmos as acusações que pesam sobre o senador, essa do JB parecerá brincadeira de criança. Certo, Aécio Neves foi afastado do cargo e não é mais presidente do PSDB, está proibido de deixar o país, pessoas próximas a ele já estam presas, ele teve imóveis devassados pela Polícia Federal, o STF ainda não teve coragem de mandá-lo para cadeia, etc, etc, etc. Isso tudo pode, sabemos, dar em nada. Mas, e isso não é pouco, o senador viu seu capital eleitoral esvair-se em menos de 24 horas.
Falando em consequências, estive pensando nos sentimentos dos 50 milhões, 993 mil e 533 brasileiros que votaram em Aécio Neves para presidente da República em 2014.

Assista o vídeo acima! Nele vemos atores da Rede Globo como Ney Latorraca, Rosamaria Murtinho, Márcio Garcia, Marcelo Madureira emprestando suas famas para Aécio. Faltou Regina Duarte dizendo que estava com medo do PT e de Lula. Vemos cantores como Fagner, Sandra de Sá, Zezé di Camargo, Chitãozinho & Xororó, Bruno & Marrone, afirmando que Aécio é a melhor solução. Esportistas como Bernardinho, Zico, Anderson Silva, Oscar Schmidt destacam que Aécio representa o novo. Cada um tem o direito de ter opiniões e opções. As pessoas devem ter liberdade até mesmo para se enganarem! Mas, por favor, "decime que se siente!"
Esta charge explica a situação de uma forma que tivesse eu espaço para dez mil palavras e mesmo assim não o faria tão claramente. Após o jornal O Globo e o Jornal Nacional decretarem o fim do governo usurpado de Michel Temer, ao divulgar a delação premiada do JB, fiquei imaginando quanto tempo o presidente mais ilegitimo, desses anos de frágil democracia, permaneceria no cargo que legalmente pertence a Dilma Rousseff.
Imaginei que Temer resistiria mais uma semana se tanto. Seria o tempo hábil para a Rede Globo, e suas afiliadas oficiais e oficiosas, ruminar as denuncias forçando a renuncia. Passaram-se 24 horas e Temer segue dizendo que não renunciará. Mas, a essa altura ele já deve ter dito a D. Marcela para fazer as malas de volta a São Paulo.
Inclusive, JB gravou a conversa e nela o ainda presidente diz: "tem que manter isso, viu?" se referindo a necessidade de dar prosseguimento ao mutismo de Cunha e do lobista. Temer resiste porque é preciso manter os fundamentos do golpe de 2016, do qual é simbolo maior. Temer sairá, sim, da presidência, mas só quando terminar de fazer o papel sujo ao qual se prestou de tão bom grado. Tal qual Eduardo Cunha, será cuspido fora assim que não mais for útil.
O fato é que o conglomerado golpista desmoronou. Agora é cada um por si e o diabo por ninguém. Os setores poderosos da comunicação, como a Rede Globo, não parecem mais querer gastar preciosos minutos com matérias para inocentar os Aécios Neves que pululam por aí.
O Judiciário faz o seu próprio jogo vislumbrando poder ter um dos seus no lugar de Temer. Falo da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. É que com a renúncia (ou impeachment) de Temer e a impossibilidade dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, respectivamente o "Botafogo" e o "Índio" no esquema da Lava Jato, assumirem a presidência (devido aos inquéritos onde são réus), Cármen Lúcia seria a próxima na linha sucessória presidencial. Tudo com as bençãos do setor de comunicação do conglomerado golpista.
Lembra a história que diz que quando o barco começa a afundar os ratos são os primeiros a sair? No caso brasileiro, o barco, digo governo, é formado por ratos, ratazanas e demais corroedores das instituições politicas. O barco do governo golpista se encontra nas profundezas de um mar de lama sem fim e suas ratazanas mais pesadas anunciam que vão abandoná-lo.
O ministro da cultura, Roberto Freire (PPS), anunciou que vai deixar o governo Temer por causa da "revelação de que o presidente foi gravado dando aval para compra do silêncio de Eduardo Cunha". O ex-comunista descobriu, finalmente, que o governo que tanto contribuiu para montar é um grande barco cheio de ratazanas? Quanta ingenuidade!
O PSDB, com seu extinto de sobrevivência a flor da pele, está em permanente reunião desde o final da edição do Jornal Nacional da quarta-feira (17/05). A direção nacional já decidiu que Aécio Neves está por conta e risco, como se dizia antigamente, e que tem que deixar a presidência do partido. Não me parece que o grã-tucanato paulista esteja preocupado com as dores e o futuro político do senador mineiro.

Por que o PSDB defenderia uma eleição indireta? Elementar, porque se for disputar uma eleição direta contra Lula perderá, mesmo que seu candidato seja o Anjo Gabriel tendo o Papa Francisco como companheiro de chapa.