quarta-feira, 17 de maio de 2017

Como terminou o FLA X FLU de Curitiba?



Se o embate proposto pela Revista Veja, entre o Juiz Sérgio Moro e o ex-presidente Lula, é crível (não é, pois Veja deixou de ser uma publicação séria e confiável); se resumiremos a política nacional ao enfrentamento entre dois homens ideologicamente opostos; se vamos tratar o depoimento que Lula prestou, na semana passada em Curitiba, como um FLA X FLU; se vamos ver a situação pelo monocromatismo que a Rede Globo impõem então, sim, a relação abaixo pode ser tratada como (SIC) “os melhores momentos do depoimento de Lula ao Juiz Moro”.

Na verdade, tivemos uma espécie de programa piloto, um balão de ensaio, montado pelo próprio Moro e seus procuradores amestrados. É que, na hipótese de nada mais dar certo, está aberta a temporada de buscas ao anti-Lula para as eleições 2018 já que Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, et caterva ficaram inviabilizados por envolvimentos nos mais sórdidos casos criminais.

Claro, Marina Silva poderá ressurgir do fundo da floresta onde se esconde quando não está sentada em cima do muro. Em que pese suas contradições, como ser “representante do povo carente” e defender reformas da previdência e trabalhista, ela pode ser uma via para o conglomerado que usurpou o cargo de Dilma Rousseff. Pode, mas não será, pois a elite quatrocentona não quer ter alguém de origem humilde como sua candidata. Como diria o velho Marx, é uma questão de classe social!

Sim, Jair Bolsonaro pode chegar num 2º turno contra Lula. Não seria interessante ver o conglomerado golpista apoiando o filhote da ditadura, como nos diria Leonel Brizola? Já pensou os liberais modernosos de São Paulo defendendo nosso Hitler redivivo para impedir a volta de Lula ao Palácio do Planalto? Com Bolsonaro viabilizado para as urnas as máscaras vão cair. O que vai fazer a Rede Globo, por exemplo, apoiar Lula, adotar o verde oliva como cor oficial ou ignorar as eleições?

Se o poder (discricionário) da República de Curitiba não conseguir enquadrar Lula, se não o condenar em segunda instância para torná-lo inelegível, e se os planos de adiar as eleições 2018 para 2020 (ou mesmo 2022) não vingarem, restará ao conglomerado golpista (demolidor das instituições políticas e dos direitos sociais e trabalhistas) procurar alguém que posso enfrentar Lula nas urnas. Foi por isso que Moro promoveu o enfrentamento contra Lula. Foi um teste que o emplumado juiz se propôs a participar tentando demonstrar para o conglomerado que pode ser o anti-Lula em 2018. A tirar pelas respostas de Lula, pelo comportamento titubeante, fugindo das réplicas e tréplicas, e pela atitude pusilânime Moro foi reprovado no vestibular pré-eleitoral que o PSDB vem promovendo.

Aliás, outros ainda serão reprovados. Falo do prefeito João Dória Jr. e do animador de auditórios Luciano Huck. Numa entrevista à Folha de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso os apresentou como o que há de mais “novo no cenário político”. Dória e Huck são, isto sim, o velho com roupagem modernosa. Representam a absoluta falta de opção eleitoral de um PSDB enclausurado num sistema carcomido por práticas corruptivas das quais é useiro e vezeiro.

De Luciano Huck basta dizer que a tática de se mostrar novo, por não ser político, é velha, pois fascistas italianos e nazistas alemães chegaram ao poder como avessos a política. O garoto propaganda da Rede Globo quer ser aprovado no vestibular pré-eleitoral do PSDB promovendo “políticas sociais de auditório”, como nos tem dito Dilma Rousseff, e se mostrando boa pessoa com um bom-mocismo forjado nos bastidores globais? Como alguém que tenta na justiça ser dono de uma praia pode querer ser o presidente da República, mesmo que seja a brasileira?

Dória não é o novo em nada! Com aquele visual yuppie dos anos 1980 mais parece um iogurte, numa arrojada embalagem, com data de validade vencida. Dória foi a Nova Iorque oferecer São Paulo como “oportunidade de negócios para investidores”. Na terça-feira (16/05) recebeu o prêmio “Person of the Year” da Câmara de Comércio Brasil-EUA e nos provou que é tão velho quanto políticos da antiga ARENA ao reproduzir ideias do proto-fascista “Escola sem Partido”. Dória disse que o ensino brasileiro tem “conceito de ideologia e sentimento partidário”. Empolgado pelo nacionalismo estúpido que grassa o Brasil, bradou: "Minha bandeira não é vermelha. É verde e amarela".

Em 1989, o então candidato a presidente Fernando Collor tinha um discurso parecido. Certa vez pediu um "não definitivo à bandeira vermelha (...) vamos dar sim à bandeira do Brasil que é verde, amarela, azul e branca". Por aí se vê que não existe nada de novo em Dória e Huck, como não havia em Collor, pois são todos formados na mesma escola político-ideológica dos tempos da ditadura.
Apresento a lista dos dez melhores momentos da “luta do século” e lembro que ela é uma seleção feita a partir do que saiu na imprensa e nas redes sociais, pois o depoimento de Lula durou cerca de cinco horas. No entanto, ela me parece representativa das fragilidades intelectuais do Juiz Moro e da capacidade do ex-presidente Lula de lidar com situações adversas.

Lula: O Dallagnol não está aqui. Eu queria o Dallagnol aqui para me explicar aquele PowerPoint.
Sérgio Moro: Senhor ex-presidente, preciso lhe advertir que talvez sejam feitas perguntas difíceis para você.
Lula: Não existe pergunta difícil para quem fala a verdade.
Moro: Esse documento em que a perícia da PF constatou ter sido feita uma rasura, o senhor sabe quem o rasurou?
Lula: A Polícia Federal não descobriu quem foi? Não? Então, quando descobrir, o senhor me fala, eu também quero saber.
Moro: O senhor não sabia dos desvios da Petrobras?
Lula: Ninguém sabia dos desvios da Petrobras. Nem eu, nem a imprensa, nem o senhor, nem o Ministério Público e nem a PF. Só ficamos sabendo quando grampearam o Youssef.
Moro: Mas eu não tinha que saber. Não tenho nada com isso.
Lula: Tem sim. Foi o senhor quem soltou o Youssef. O senhor deve saber mais que eu [referindo-se ao escândalo do Banestado].


Moro: Saíram denúncias na Folha no jornal O Globo de que…
Lula: Doutor, não me julgue por notícias, mas por provas.
Lula: Esse julgamento é feito pela e para a imprensa.
Moro: O julgamento será feito sobre as provas. A questão da imprensa está relacionada a liberdade de imprensa e não tem ligação com o julgamento.
Lula: Talvez o senhor tenha entrado nessa sem perceber, mas seu julgamento está sim ligado a imprensa e aos vazamentos. Entrou nessa quando grampeou a conversa da presidente e vazou, conversas na minha casa e vazou, quando mandou um batalhão me buscar em casa, sem me convidar antes, e a imprensa sabia. Tem coisas nesse processo que a imprensa fica sabendo primeiro que os meus advogados. Como pode isso? E, prepare-se, porque estes que me atacam, se perceberem que não há mesmo provas contra mim e que eu não serei preso, irão atacar o senhor com muito mais força.
Moro: Senhor ex-presidente, você não sabia que Renato Duque roubava a Petrobras?
Lula: Doutor, o filho quando tira nota vermelha, ele não chega em casa e fala: “Pai, tirei nota vermelha”
Moro: Os meus filhos falam.
Lula: Doutor Moro, o Renato Duque não é seu filho.
Lula: Doutor Moro, o senhor já deve ter ido com sua esposa numa loja de sapatos e ela fez o vendedor baixar 30 ou 40 caixas de sapatos, experimentou vários e no final, vocês foram embora e não compraram nenhum. Sua esposa é dona de algum sapato, só porque olhou e provou os sapatos? Cadê uma única prova de que eu sou dono de algum tríplex? Apresente provas doutor Moro?
Moro: O senhor solicitou à OAS que fosse instalado um elevador no tríplex?
Lula: O senhor está vendo essa escada caracol nessa foto? Essa escada tem 16 degraus e é do apartamento em que eu moro há 18 anos em São Bernardo. 18 anos a Dona Marisa, que tinha problema nas cartilagens, passou subindo e descendo essa escada. O senhor acha que eu iria pedir um elevador no apartamento que eu não comprei, ao invés de pedir no apartamento em que eu moro, para que a Dona Marisa não precisasse mais subir essa escada?
Lula: O vazamento das conversas da minha mulher e dela com meus filhos foi o senhor quem autorizou.
Moro: Tem um documento aqui que fala do tríplex…
Lula: Está assinado por quem?
Moro: Hmm… A assinatura está em branco…
Lula: Então, o senhor pode guardar por gentileza!

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