LIVROS ILUSTRAM A VIDA

LIVROS ILUSTRAM A VIDA

domingo, 16 de abril de 2017

Temer confessa o golpe





Quando um presidente comete um "sincericídio"

O usurpador-mor da República Michel Temer admitiu (ou seria melhor dizer confessou) numa entrevista especial ao vivo, em rede nacional, que (SIC) “... Dilma Rousseff foi derrubada porque o PT não salvou o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), no Conselho de Ética da Casa”.


Não foi uma entrevista qualquer, uma fala ao acaso, ou mesmo uma dessas “conversas informais” que algum “desavisado” registra o áudio “por acaso”. Foi, isto sim, uma entrevista concedida em estúdio para o canal de televisão BAND transmitida simultaneamente para as rádios Bandeirantes e Band News FM, para o Canal Band News e para as redes sociais da emissora. Sem contar que o apresentador do programa, jornalista Fábio Pannunzio, deixou claro que a entrevista seria reapresentada pela emissora em outros horários. Estava tudo bem preparada, o presidente não foi pego de surpresa. Portanto, que não se venha dizer que foi um ato falho presidencial, pois ele quis sim dar a declaração baseado no fato de quem confia plenamente na impunidade.


Com uma surpreendente tranquilidade, com uma calma franciscana, com aquele sorriso pretensamente pudico, que serve para fingir terceiras intensões, Temer narrou um episódio de pura chantagem política como se fosse algo banal, normal, algo comum das democracias. Temer não mediu as palavras para dizer que a culpa do impeachment de Dilma foi do próprio PT já que o partido não aceitou se submeter à chantagem de Eduardo Cunha (hoje condenado a mais de 15 anos de prisão por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro). Ou seja, se o PT tivesse votado a favor de Cunha no Conselho de Ética, hoje Dilma ainda seria a presidente.


Num raro ataque de cinismo, com pitadas de ironia e escárnio, Temer comentou: "Que coisa curiosa! se o PT tivesse votado nele naquele comitê de ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse". Temer tripudiou sobre seus adversários, fez questão de destacar a ironia da situação. Ou seja, ele mesmo se encarregou de desmentir a história de que Dilma sofreu o impeachment por causa das pedaladas.





quarta-feira, 12 de abril de 2017


Reproduzo aqui uma "Carta Aberta" do Deputado Federal, pelo PSOL/RJ, Jean Wyllys endereçada ao ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Sugiro que o caro leitor se atenha bem mais ao conteúdo da carta do que as motivações que levaram o deputado a escrevê-la, pois ele trata da real divisão politica, econômica, cultural, religiosa, ideológica que existente no Brasil.

CARTA ABERTA A FHC (PORQUE NÃO POSSO ME CALAR)
Caro Fernando Henrique,


Assisti hoje com surpresa ao vídeo que o senhor gravou recentemente, onde se refere ao "bate-boca entre Jean Wyllys e Bolsonaro" e diz que ele foi consequência da "divisão do Brasil provocada pelo PT". Eu pensei muito se eu deveria responder, porque o senhor teve uma atitude corajosa e generosa comigo recentemente, quando os aliados de Eduardo Cunha tentaram suspender meu mandato e, apesar das diferenças políticas que existem entre nós, o senhor me defendeu publicamente. Eu sou grato por esse gesto, mas não posso me calar diante desse vídeo, até porque meu nome é mencionado nele para sustentar uma análise que eu acho muito injusta.


A retórica da "divisão do Brasil" — muito repetida desde o segundo turno das eleições de 2014 — aparece na América Latina sempre que um governo, mesmo sem questionar as bases do modelo econômico neoliberal, desenvolve políticas mais ou menos intensas de redistribuição da renda e melhora a qualidade de vida dos mais pobres, ou amplia os direitos de diferentes parcelas da população antes excluídas. Quando um governo faz isso, é acusado de "dividir" seu país. Mas a verdade é que nossos países já estavam divididos há séculos!


Sim, o Brasil está dividido. Em primeiro lugar, pela divisão de classes própria do capitalismo, que, em sua versão brasileira, está marcado pela herança escravocrata que nos dividiu — a princípio literalmente e, depois, metaforicamente — em "casa grande e a senzala". Ora, segundo o censo do IBGE de 2010, os 10% mais ricos da população ganharam, naquele ano, 44,5% do total de rendimentos; enquanto os 10% mais pobres receberam menos de 1,1%. Ou seja, quem está na faixa mais pobre precisaria poupar a totalidade de seus recursos durante três anos e três meses para acumular a renda média mensal dos que pertencem à faixa mais rica!


E esses dois "brasis" — o da casa grande e o da senzala — correspondem também a outras divisões igualmente históricas: o país branco e o preto; o do sul-sudeste e o do norte-nordeste; o do asfalto e o da favela; o dos jardins e da periferia; o da empregada doméstica e o da patroa. A geografia de nossas cidades — "cidades partidas", para usar a expressão de Zuenir Ventura em livro nada recente e anterior à chegada do PT ao governo federal — está marcada por uma divisão tão evidente quanto naturalizada. No Rio de Janeiro, por exemplo, essa divisão tem uma expressão horizontal — materializada no túnel Rebouças, que divide a cidade em zonas sul e norte — e outra vertical, em que a favela no morro é uma outra cidade dentro da cidade, com diferentes investimentos e serviços públicos e até leis.


Somos um país profunda e historicamente dividido e ainda vivemos numa "Belíndia", com uma parte pequena da população vivendo como na Bélgica e outra muito maior vivendo como na Índia; mas esta divisão não é uma novidade introduzida pelo PT. Ao contrário, os governos petistas trilharam, apesar de todas as suas deficiências, um lento caminho de "reunificação" que estendeu a cidadania a milhões de pessoas.


O país está dividido também por outras linhas que a direita (por seu conservadorismo) e parte da esquerda (por uma leitura anacrônica do marxismo que secundariza todas as formas de opressão que não sejam a de classe) têm enormes dificuldades de enxergar. Trata-se de uma divisão que não é econômica, mas tem a ver com outras posições de sujeito, como a orientação sexual, a identidade de gênero e a cor da pele, entre outras. E nosso país também está dividido pela ação de aqueles que, ao mesmo tempo que defendem um Estado mínimo no que diz respeito à economia, que permite que as desigualdades de classe se radicalizem, querem também um Estado todo poderoso no que diz respeito aos comportamentos e às crenças, tutelando a cama dos adultos, o útero das mulheres e impondo os dogmas morais de uma religião. Com relação a essa segunda divisão, os governos do PT não ajudaram muito, porque se aliaram com setores fundamentalistas, como a direita também faz.


O Brasil está dividido entre homens e mulheres — estas recebem menores salários; têm menos chances de chegar a posições de poder; sofrem a violência de gênero e têm seus direitos sexuais e reprodutivos negados. Está dividido entre heterossexuais e "dissidentes sexuais" (LGBTs) — estes últimos têm inúmeros direitos civis negados; são alvo de discursos de ódio por parte de políticos e pastores fundamentalistas; sofrem violência e bullying desde crianças e são espancados e mortos a cada dia em crimes motivados por ódio. Está dividido entre cristãos e adeptos de religiões minoritárias (incluindo as de matriz africana) e ateus — os dois últimos grupos sofrem as consequências da crescente eliminação da laicidade do Estado, que pretende impor uma religião oficial e um código moral dogmáticos que resulta da leitura fundamentalista do texto bíblico. Está dividido entre brancos e não-brancos desde a época da escravidão. E por aí vai...


Para reduzir essas desigualdades, precisamos ultrapassar os limites impostos pelos governos aliados à elite econômica e financeira; às corporações comerciais e aos partidos políticos fisiologistas e fundamentalistas religiosos, que asseguram a famigerada "governabilidade", hoje como nos governos anteriores. Por isso, a crítica que nós que nos colocamos à esquerda do PT fizemos a esses governos foi exatamente a oposta ao discurso do seu partido e de boa parte da mídia: a conciliação entre os dois brasis não vai nascer do retrocesso na justiça social, nem da privatização de estatais em favor dos lucros do livre mercado (em especial, do livre mercado financeiro), que assegura privilégios a uma casta; a conciliação entre os dois brasis vai nascer justamente da combinação de desenvolvimento econômico sustentável com a extensão da cidadania que fez nascer — e tanto irrita — o antipetismo.


Precisamos unir o Brasil, sim. Mas essa união só será possível quando acabarmos com as fronteiras que produzem exclusão e privilégio. Se de algo o PT é culpado não é de ter dividido o país, mas de ter feito muito menos do que muitos de nós esperávamos para uni-lo. E o governo Temer está destruindo o muito ou pouco que foi feito!


Por último, apenas um esclarecimento. Não houve bate-boca nenhum no dia da votação do impeachment. Houve um deputado que homenageou um torturador que enfiava ratos na vagina das mulheres, e esse mesmo deputado, quando eu fui proferir meu voto, começou a me insultar, a me chamar de veado, queima rosca e outras expressões chulas e ofensivas. Não é a primeira vez que ele insulta, agride e ameaça colegas e jornalistas. E dessa vez, pela primeira vez, eu reagi, no calor do momento, depois de ter sofrido seis anos de assédio moral, insultos, calúnias e ameaças. O senhor não pode me julgar por uma violência que não sofreu.


Atenciosamente,
Jean Wyllys


terça-feira, 28 de março de 2017

MAS, AFINAL, DE QUEM ELES FALAM?



Você sabe de quem eles estam falando? Não?

Eles estam falando daquele Senador de Minas Gerais, conhecido em Brasília pela simples alcunha de “mineirinho”, que seria sócio proprietário de 500 k de certo pó branco que estava numa certa aeronave caída no interior do Estado do Espírito Santo em 2013.

Este senador é muito amigo daquele juiz de 1ª Instância de certa cidade do sul do país que literalmente manda prender e soltar e que tem se comportado como se fosse o único poder em exercício no país.


Este senador cultiva, também, uma amizade recheada de cumplicidades com um Ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral e que foi o autor da brilhante ideia de se colocar uma tarja preta sobre o nome do mega citado senador “mineirinho” nos processos em que ele aparece.


Este senador foi candidato derrotado a presidente da República em 2014. Dizem que ele é um dos principais responsáveis pela atual crise politica que vivemos, pois ao ter se recusado a reconhecer a derrota nas eleições, não ligando para a candidata vitoriosa para lhe parabenizar, pôs em xeque o funcionamento das instituições democráticas do país.


domingo, 26 de março de 2017

Mais uma demonstração de que o golpe do ano passado não era tão somente para depor a presidente constitucionalmente eleita.  
O golpe serviu para que uma conjunção de fatores e interesses pudesse ser efetivada.
Agora mesmo vemos que o governo do Usurpador-Mor enviou ao Congresso Nacional um projeto que autoriza a cobrança de mensalidade nas Universidades públicas brasileiras.

 

Primeiro o governo, que é chancelado pela escória da politica nacional, congelou pelos próximos 20 anos investimentos reais em educação e saúde, por exemplo. Depois avançou sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas e a Previdência Social aprovando um projeto de terceirização geral e irrestrita e uma reforma na previdência que na prática condena o trabalhador brasileiro a nunca se aposentar. Agora, Temer, fruto do “grande acordo nacional” do qual nos falava Romero Jucá, quer cobrar mensalidades nas Universidades Públicas e nos Institutos Federais de Educação.


A secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, defendeu de forma veemente (em reunião com dirigentes da Federação do Sindicato de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico - Proifes-Federação) a cobrança das mensalidades. "Eu sou da Universidade, defendo a educação pública, mas acho que temos de olhar para a situação real. Não podemos criar situações incompatíveis com o mundo que estamos vivendo, de queda de receita, de mudança no paradigma da economia do país. Nós só aumentamos em folha de pagamento", afirmou Maria Helena. Notem que ela se diz defensora da educação pública, imagine o que faria se fosse contrária! Mari Helena ainda disse que “nem sei que países têm universidades públicas plenamente gratuitas. Independente da situação socioeconômica, o Brasil não pode ficar fora do mundo real". Para a secretaria, “fazer parte do mundo real” significa gerar lucros para um pequeno grupo em detrimento dos interesses sociais.

Nunca e demais lembrar que a Câmara dos Deputados aprovou (desde 2015) o texto-base da PEC que permite que as universidades públicas cobrem mensalidade para cursos de extensão, especializações, mestrados e doutorados. Este foi o primeiro passo para que chegássemos a atual situação.

Reitorias se manifestam contra cobranças de mensalidades nas universidades públicas

Vejamos a diferença de paradigmas. Aloizio Mercadante, que foi ministro da Educação de Dilma Rousseff, afirma que a cobrança de mensalidades nas Instituições de Ensino Superior (IES) públicas é um retrocesso sem precedentes. A primeira consequência seria o aumento exponencial da evasão e exclusão na educação superior. "Esse processo faz parte do golpe que realiza uma ofensiva contra todos os avanços sociais que tivemos na última década, que foram os maiores da história recente do Brasil", afirmou Mercadante.


O ex-ministro disse ainda que na realidade brasileira, em que o ensino superior é predominantemente privado, o grande problema para a inclusão e para a permanência dos mais pobres nas universidades é a renda. "Para enfrentarmos a questão da renda implementamos programas fundamentais como ProUni, Fies, política de cotas e avançamos de maneira sem precedentes no resgate de um passado de exclusão social na educação". O diagnóstico de Mercadante é certeiro: "a educação brasileira é retardatária, resultado de um capitalismo tardio, marcado por quase quatro séculos de escravidão e por um passado colonial, que deixaram cicatrizes profundas em nossa história".


Mercadante lembrou que a Universidade de Bolonha foi fundada em 1088, a de Paris 1170, a de Cambridge em 1290, a de Salamanca em 1218, a de Coimbra em 1290 e Harvard (nos EUA) em 1636. "No Brasil, a primeira universidade data de 1920, quando todos os países da América Latina já possuíam uma ou mais universidades. Estão propondo um atraso inaceitável para a educação brasileira. A universidade é educação, pesquisa, inovação e extensão", finalizou o ex-ministro.


Nunca é demais lembrar que nos governos de Fernando Henrique Cardoso a cobrança de mensalidade nas IES públicas era uma espécie de mantra, não por acaso Maria Helena ocupava a presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a secretaria executiva do MEC. Mas, este assunto ficou fora da pauta nacional nos anos em que o PT esteve no governo federal, que foi o momento em que as Universidades e Institutos Federais, em razão do Reuni, experimentaram o maior crescimento da história.


É por isso mesmo que a mobilização em torno da educação pública e de qualidade vai crescendo no país.




domingo, 19 de março de 2017

Discurso do LULA na comemoração de transposição do rio São Francisco, em...





Discurso de LULA na comemoração e inauguração popular da transposição do rio São Francisco em Monteiro/PB hoje, 19/03/2017.


Aqui, você pode assistir Lula em ebulição, inspirado, discursando para envolver as pessoas. Com as manifestações de quarta-feira (15/03/2017) passada, o dia de hoje representa uma contra-ofensiva popular ao comportamento golpista do governo federal.

Frases que bem demonstram a inteligência de Lula: "(...) o pobre não é problema, o pobre é solução. O pobre é problema quando ele vira um pária da sociedade, quando ele não tem dinheiro para comprar um quilo de feijão (...) mas dê um pouquinho de dinheiro na mão do pobre e você vai ver, dê um milhão na mão de um rico e vai virar uma conta bancária, mas dê dez reais para um pobre que vai virar consumo meia hora depois na bodega da esquina e me parece que uma parte da elite brasileira não quer que o povo pobre tem acesso as coisas boas (...) mas nós aprendemos a dizer a eles que nós queremos estudar na escola técnica e na universidade, nós queremos andar de avião, nós queremos comer coxa de frango e peito de frango e carne de primeira, nós queremos que o nosso filho seja doutor (...) e por isso eu fiz questão de citar o Fernando Haddad porque nunca nesse país os pobres entraram tanto em universidade (...) vocês sabem o que eles estam tentando fazer com a esquerda nesse país, vocês sabem o que eles fizeram com a Dilma, vocês sabem o que eles estam tentando fazer comigo, pois bem, eu só queria avisar para eles, só queria dar o recado para eles, se eles quiserem brigar comigo, eles vão brigar comigo nas ruas desse país para que o povo possa na verdade ser o senhor da razão nessa disputa. Agora eu quero dizer que eles que peçam a Deus para eu não ser candidato porque se eu for é para ganhar as eleições nesse país."


quinta-feira, 16 de março de 2017

Discurso de Lula na Avenida Paulista em 15/03/2017




Será verdade mesmo que daqui a uns 50 anos muito se falará do golpe
de 2016 perpetrado pela elite político-partidária que apeou do poder uma
presidente eleita democraticamente? Este golpe que contou com a valorosa
contribuição do Congresso Nacional, do Judiciário, da grande Mídia (Rede Globo et caterva) e de alguns setores mais conservadores da sociedade?

Se assim é, então é também verdade que muitos vão dizer que foi no
dia 15 de março de 2017 que se começou a derrotar o processo golpista e
escancaradamente corrupto que levou Michel Temer, o usurpador-mor da República do Tucanobanaquistão, ao poder.

Nesse dia brasileiros a perder de vista foram as ruas, em todo o
Brasil, repudiar a reforma da Previdência Social e da legislação trabalhista,
acusar a ilegitimidade de um governo golpista e demonstrar a necessidade
premente de mudarmos. O ex-presidente Lula simbolizou bem isso no discurso feito em plena Avenida Paulista. No futuro poderemos dizer que, sim, “... o filho teu não foge a luta”.

quinta-feira, 9 de março de 2017


DE OLHO EM 2018
                         
Transposição do Rio São Francisco: uma obra e muitos 'pais'.
Obra emblemática para o Nordeste é alvo de disputa entre PT, PMDB e PSDB.
Publicado em 09/03/2017, às 08h35
http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/politica/pernambuco/noticia/2017/03/09/transposicao-do-rio-sao-francisco-uma-obra-e-muitos-pais-273596.php 
Temer visitará trecho da Transposição do Rio São Francisco neste sábado, na Paraíba

Considerada uma das obras mais emblemáticas para o Nordeste, a Transposição do Rio São Francisco é motivo de mais uma disputa entre governo e oposição. Enquanto presidente Michel Temer (PMBD) estará na Paraíba neste sábado para conferir de perto mais um trecho da obra, o ex-presidente Lula (PT) programa uma caravana pela região no fim do mês para reforçar a “paternidade” do projeto. Correndo por fora, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cotado para eleição presidencial de 2018, a exemplo do petista e do peemedebista, também tenta ligar sua imagem à Transposição.

Na avaliação do cientista político e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Túlio Velho Barreto, essa movimentação política em torno da Transposição não surpreende. “A Transposição uma obra grandiosa e tem repercussão sobre grande parte do Nordeste, sobretudo no semiárido, que é carente de recursos hídricos. Ela atinge um eleitorado numeroso e muito carente de assistência e de apoio”, avalia.

O cientista político e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Gilbergues Santos, diz que a Transposição é fundamental para o Nordeste, mas condena o que chama de “disputa por corações e mentes” entre os políticos. “Todo mundo quer ser o pai da criança. A importância histórica e política da obra está sendo reduzida a uma conjuntura eleitoral. Quantas caravanas vamos ter na região da Transposição? Como as obras vão aparecer nos guias eleitorais do futuro próximo?”, questiona.


Para Elton Gomes, cientista político e professor das faculdades Damas e Estácio, a Transposição é só mais um exemplo das articulações políticas passíveis de ocorrer quando uma disputa eleitoral se aproxima. “Esse é um fenômeno recorrente na administração pública. Sucessivas vezes tivemos na história política brasileira a tentativa de clamar para si os louros de uma obra estrutural e importante”, aponta.

PT X PSDB
O senador Humberto Costa (PT) defende que Lula faça uma caravana pelo Nordeste para ressaltar que foi ele que iniciou as obras da Transposição. “Ele vem ao Nordeste para alguma coisa relativa à Transposição, mas ainda não definiu a data. Tudo indica que seja até o final do mês”, diz.

De acordo com o senador, Temer e Alckmin têm tentado se aproveitar da Transposição. O governador de São Paulo rebateu Humberto e diz que a vistoria que o tucano fez ao projeto recentemente é justificável uma vez que o governo paulista emprestou quatro conjuntos de moto-bombas ao Ministério da Integração Nacional para serem usados no Sertão. 

“Essas bombas foram responsáveis por antecipar em cerca de 45 dias a chegada da água a municípios afetados pela seca. Quem deve se apropriar da Transposição do São Francisco é a população nordestina, que ganha com a entrega dessa obra pelo governo federal”, informou a nota enviada pela assessoria de Alckmin ao JC.
DE OLHO EM 2018
Lula em vantagem na disputa política sobre Transposição, diz analista.
Ex-presidente cobra 'paternidade' sobre o projeto em duelo com PMDB e PSDB
Publicado em 09/03/2017, às 08h41.
 
Para cientista político, Lula leva vantagem em disputa política sobre Transposição do São Francisco


É grande a disputa política entre PT, PMDB e PSDB sobre a Transposição do Rio São Francisco. Mas para o cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a vantagem nesse briga, até o momento, é do ex-presidente Lula (PT).  

“A obra já foi contestada no passado pelo PSDB. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), poderia estar denunciando que a obra não está completa. Poderia apontar que houve descuido e descaso. Mas todos estão tentando capitalizar em cima da obra, o que legitima o projeto em si. Isso tende a favorecer Lula”, diz. Ainda de acordo com Túlio Velho Barreto, o presidente Michel Temer (PMDB) e Alckmin têm atuado para tentar reduzir o “favoritismo” do PT sobre a Transposição.

“O PSDB é um concorrente competitivo e tenta capitalizar com a Transposição porque sabe que é importante para o Nordeste, pois coloca água onde há necessidade. Penso que o governo Temer não tem legitimidade e não goza de prestígio no Nordeste e, sendo assim, busca um apoio popular com a Transposição. O PT tenta neutralizar essas ações e reivindica para isso os grandes investimentos feitos no projeto”, afirma.

O cientista político Elton Gomes, das faculdades Damas e Estácio, vê uma diferença de postura entre Temer e Lula. “O presidente tenta melhorar a imagem do governo perante um eleitorado importante e carente, mas não me parece que esteja chamando para si a paternidade da obra”, avalia.

Esta semana, a Câmara de Vereadores de Campina Grande aprovou a concessão do título de Cidadania Campinense e da Medalha de Honra ao Mérito Municipal a Temer. O presidente estará na cidade nesta sexta-feira, um dia antes de ir ao município de Monteiro visitar uma das estações da Transposição.

“Desconfio que os vereadores (de Campina Grande) estejam preocupados em associar sua imagem à do presidente, que vai inaugurar um trecho da obra no Estado”, pondera Gilbergues Santos, cientista político e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

O estudioso ressalta, ainda, as mudanças de postura no Estado paraibano em relação ao projeto. “O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) era radicalmente contra a Transposição, quando Lula era presidente. Agora que o PSDB está no governo, ele mudou o discurso”, diz. A reportagem do JC tentou contato com a assessoria do senador, mas não obteve êxito.

PAULO CÂMARA COBRA AJUDA.

O governador Paulo Câmara (PSB) se reuniu na última quarta-feira com o ministro de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira, para pedir atenção às prioridades de Pernambuco nas questões relativas ao Orçamento Geral da União (OGU) e às emendas de recursos hídricos da bancada federal do Estado. A reunião também teve a participação do vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Raul Henry (PMDB).

"Conversei com o ministro sobre a necessidade de ter uma atenção especial da União para a Adutora do Agreste e o Sistema Adutor do Oeste. São obras fundamentais para o nosso Estado, principalmente porque estamos entrando no sexto ano consecutivo de seca", disse Paulo. De acordo com o governador, essas duas obras são essenciais para dar consequência real no Estado à transposição das águas do Rio São Francisco. O governo estadual destaca que o Sistema Adutor do Oeste foi iniciado, mas por falta de repasses de recursos do Governo Federal está com obras paralisadas desde 2015. 

"Já temos mais R$ 100 milhões conveniados para o Sistema Adutor. É um valor pequeno diante da importância para milhares de famílias do Sertão de Pernambuco", destacou. Paulo Câmara e Raul Henry também solicitaram informações sobre a Ferrovia Transnordestina, que está com obras paralisadas por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). 

O TCU proibiu o repasse de recursos públicos para o projeto, enquanto a empresa concessionária - a CSN - não prestar informações sobre o que foi concluído da obra e os seus custos até o momento.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

"OTÁRIO, COXINHA CAIU NO CONTO DA CAROCHINHA! COXINHA, OTÁRIO CAIU NO CONTO DO VIGÁRIO





Digam o que quiserem, mas o que seria de nós, tupinambás carnavalizados, sem essa verve humorística? Onde mais é possível encontrar um povo que pega suas maiores desgraças e as transforma numa coisa engraçada, mesmo que não desconsidere a critica politica e social?


Este está sendo o carnaval do "FORA TEMER!". É um carnaval para lavar a alma e para gritar com todas as forças que "a gente não tem cara de panaca / A gente não tem jeito de babaca / A gente não está com a bunda exposta na janela prá passar a mão nela..." como diria Gonzaguinha que, com toda a certeza, não seria um coxinha.




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

CARTA ABERTA PELA OBRIGATORIEDADE DA HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO

PELO ENSINO DE HISTÓRIA

CARTA ABERTA DA ASSOCIAÇÃO
NACIONAL DE HISTÓRIA (ANPUH)
PELA OBRIGATORIEDADE
 DA HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO.


A História, como disciplina escolar, integra o currículo do ensino brasileiro desde o século XIX. Sua presença, considerada fundamental para a formação da cidadania, foi gravemente ameaçada no período da Ditadura Militar, quando se deu a diluição da História na instituição dos Estudos Sociais.


A Medida Provisória nº 746/16, aprovada pelo Congresso Nacional, que instaura a Reforma do Ensino Médio, comete grave equívoco ao omitir do texto legal qualquer referência à disciplina, e, principalmente, ao excluí-la da relação de componentes curriculares obrigatórios, instalando fortes incertezas sobre a presença da História nesse nível de ensino.


Não menos preocupante é o rebaixamento das exigências para o exercício da profissão docente, ao permitir a admissão de "profissionais com notório saber". Além disso, na prática, a Reforma do Ensino Médio está sendo subordinada a um documento (BNCC) que ainda não está concluído, cujo conteúdo final é desconhecido, e que está indicado como referência para a formação de professores.


Diante do exposto, a Associação Nacional de História – ANPUH-Brasil, contesta a aprovação da Reforma do Ensino Médio sem consultar a sociedade, em particular, os professores. E reivindica, com muita ênfase, a clara definição da História como componente curricular obrigatório no Ensino Médio.

Atenciosamente, Diretoria da ANPUH Brasil



P.S.: Esta carta foi enviada ao Presidente da República, ao Chefe da Casa Civil, ao Ministro da Educação, à Secretária Executiva do Ministério da Educação e ao Secretário de Educação básica do Ministério da Educação.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um nazista entre nós


            Nesses tempos bicudos, como se dizia, vivo sobressaltado! Parece ser normal se desejar a morte de uma mulher por ela ter sido casada com um ex-presidente que fez reformas para que os excluídos de sempre acessassem ao que no Índice de Desenvolvimento Humano é algo basilar. Falo de educação, saúde e moradia. São tempos nebulosos, pois o que a filósofa Hannah Arendt classificou como “banalidade do mal” ressurgiu dos escombros de um mundo formatado por guerras. Falo do nazismo.
           
Sempre que preciso dialogar com pessoas com as quais divirjo politica e ideologicamente e/ou que não concordo com seus valores éticos e morais, ou mesmo que não suporto seus gostos musicais, lembro a frase do filósofo iluminista Voltaire: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de você dizer”.

            Não sou receptivo a ideias aparentemente novas que, na verdade, pertencem ao receituário ideológico do tempo em que ditaduras eram hegemônicas. Não, não posso aceitar como normais ideias autoritárias, racistas, homofóbicas, misóginas, além dos preconceitos de uma classe social sobre outra. Desculpe-me Voltaire, mas não defenderei o “direito” de um aprendiz de médico de campo de concentração nazista “defender” que uma mulher seja levada a óbito.  Não, isso não é liberdade de expressão!

Nesta semana, na quarta-feira, o deputado federal Jair Bolsonaro proferirá palestra aqui em Campina Grande. Por coerência não presenciarei a verborragia nazificante do parlamentar do Partido Social Cristão que não crê na democracia, trabalha sistematicamente para acabar com ela, e que instrumentaliza seus procedimentos para maximizar os mais comezinhos interesses. Bolsonaro se compraz em publicar as opiniões mais torpes sobre questões como a tortura praticada na ditadura militar do Brasil.

Cartaz no gabinete do Deputado Jair Bolsonaro onde se lê "Quem procura osso é cachorro". Trata-se de um escarnio às buscas, feitas pela Comissão Nacional da Verdade, por corpos de guerrilheiros que lutaram contra a ditadura militar na região do Araguaia.

Relaciono abaixo ideias pronunciadas pelo mais ardoroso defensor do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos chefes do aparato de repressão política e tortura do regime militar, conhecido por ter, dentre outras coisas, enfiado um rato na vagina da ex-presidente Dilma Rousseff quando a torturava nas dependências do DOI-CODI de São Paulo no início da década de 1970. As declarações abaixo foram compiladas a partir da conta “Bolsonaro Cristão”, criada na rede social TUMBLR por Fernando Paladini e Guilherme Eufrásio, ambos estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina.

Se você, como eu, não aceita estes disparates não vá ao show de horrores que certame Bolsonaro propiciará. Se você sofre da síndrome de São Tomé, que só após ver e ouvir é que passa a crer, a solução é assistir a tal palestra, mas não deixe de levar consigo carradas de senso critico. Se você não vê a hora de votar em Bolsonaro para presidente, por que concorda com as estultices dele, então vista sua camisa verde-e-amarelo (ou aquela blusa preto-fascista, tanto faz) e vá para a palestra desse Josef Mengele redivivo. Mas, se você quer ir à palestra tentar fazer com que incautos de toda sorte vejam mais e melhor a realidade das coisas ou mesmo para mostrar quanto os “bolsonazis” que por aí pululam estam equivocados sugiro refletir sobre a frase: “Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te até ao nível dele, e depois te vence em experiência.” (Autor desconhecido).


Na sessão da Câmara dos Deputados, em 17/04/2016, que aprovou a abertura do impeachment contra Dilma Rousseff, Bolsonaro disse: "Nesse dia de glória para o povo tem um homem que entrará para a história. Parabéns presidente Eduardo Cunha. Perderam em 1964 e agora em 2016. Pela família e inocência das crianças que o PT nunca respeitou, contra o comunismo, o Foro de São Paulo e em memória do coronel Brilhante Ustra, o meu voto é sim”.

Numa participação no programa Pânico, da rádio Jovem Pan (em 08/07/2016) Bolsonaro afirmou: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”. Já na Revista Veja de 02/12/1998, recriminou um de seus mentores: “Pinochet devia ter matado mais gente”. Como todo ditador, Bolsonaro é um censor e numa entrevista a repórter Manuela Borges da Rede TV provocou: “Você é uma idiota. Você é uma analfabeta. Está censurada!”. Claro, ele crê na tese do “bandido bom é bandido morto”, pois afirmou, sobre o massacre do Carandiru, que “a PM devia ter matado 1.000 e não 111 presos”.


Não se sabe bem porque, mas o fato é que homossexualismo, racismo e mulheres são temas recorrentes na transcursão bolsonariana. Na Revista Playboy, em julho de 2011, disse que: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”. Em outra oportunidade disse “Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados”, sobre um dos seus se relacionar com uma mulher negra ou com homossexuais. E quando FHC segurou a bandeira com as cores do arco-íris, Bolsonaro disparou: “Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”. Ele parece concordar com o estupro, pois disse para a deputada federal Maria do Rosário: “Não te estupro porque você não merece”.

Em 28/03/2011, numa entrevista ao programa CQC da TV Bandeirantes, Bolsonaro estava inspirado em sua logomania. Primeiro afirmou que: “se eu pegasse meu filho fumando maconha, o torturava”. Sobre cotas raciais, disse: “Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um médico cotista.”. Sobre a presidente Dilma afirmou: "O kit gay não foi sepultado ainda. Dilma Rousseff pare de mentir. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma". E arrematou: “O governo não faz planejamento familiar porque acha que quanto mais pobre existir melhor. Porque serão mais eleitores amarrados nos seus programas assistencialistas”.


Post scriptum: O título desse artigo foi emprestado do livro “Nazistas entre nós – a trajetória de oficiais de Hitler depois da guerra” (Ed. Contexto) escrito pelo historiador e jornalista Marcos Guterman que “tenta compreender a indiferença de uma parte do mundo em relação aos crimes nazistas, algo que beirou a cumplicidade”. Guterman quer explicar porque criminosos de guerra encontraram “um lugar entre nós, desfrutaram da vida em liberdade como se nada tivessem feito, como se fossem parte da sociedade civilizada que eles se esforçaram em destruir”. De minha parte tento entender como um defensor da “banalidade do mal” pode transitar entre nós com tanta naturalidade.


Fevereiro – 2017.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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