sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O verde-amarelo como descrição resumida da extrema direita brasileira – PARTE II

 A cor como relato identitário da extrema direita

Para Novelino (1998) representar a informação significa substituir uma “entidade linguística longa e complexa” - o texto de um documento, por exemplo, por uma descrição abreviada que prove sua essência. A representação da informação realiza a transferência da informação útil para se obter a essência do documento, considerando, claro, sua recuperação. Guimarães (2003) nos diz que a cor é uma informação, desde que seja usada para organizar, hierarquizar e atribuir significado à informação.

Mas, para lidarmos com a cor como informação, temos que considerar a visualização da imagem e seu processo de significação. Aqui, interessa pouco descrever dados (ou metadados) de uma imagem por suas cores, mas sim fazer uma análise de seu conteúdo, mais especificamente do que ela pode representar por sua descrição abreviada. É por isso mesmo que Fraser & Banks (2007) afirmam que a cor informa “complexas interações de associação e simbolismo”, além de mensagem e palavras.

Vejamos como povos do Sul Global e do Hemisfério Norte dão significados diferentes ao preto e ao branco. Atentemos para o que essas cores representam para colonizadores e colonizados. Como uma sociedade estruturalmente racista dá significação ao preto e ao branco? Para os estadunidenses (do norte) ou para a maioria dos europeus, o branco é símbolo da paz e da luta pelos direitos humanos; mas para estadunidenses (do sul), latino-americanos e africanos, o branco é símbolo de opressão, violência, terror e escravidão. Em países ocidentais, ditos democráticos, o preto é a cor do luto, mas em muitos países orientais é o branco que representa o luto e que tem conotações negativas.

Para Pereira, Franca & Freitas (2023) a cor informa o que vemos a partir da conformação social em que vivemos - ela importa como fenômeno cultural e social a partir do uso que se faz do poder de comunicação política, caracterizado pelos confrontos entre grupos diferentes. Notemos os significados que o vermelho e o azul recebem historicamente, mesmo que o Partido Republicano, ao qual Donald Trump pertence, adote o vermelho. Certo, o vermelho é a cor do comunismo e de partidos e movimentos socialistas, mas também aparece nas bandeiras do Japão, Espanha, Bélgica, França, EUA, Itália, etc. É Olivo (2004) que diz que a comunicação na política tem sua própria linguagem, materializada no discurso e em símbolos.

A mensagem enviada ao eleitor se ancora em signos (cores) que conformam a imagem de uma candidatura, por exemplo. Pereira, Franca & Freitas (2023) fizeram uma análise qualitativa que gerou uma interpretação dos significados das cores que identificam princípios e norteiam comportamentos de grupos políticos. Eles tratam da intencionalidade no uso das cores que dá visibilidade às peças gráficas, informa dados de uma campanha e projetam uma imagem positiva de candidatos. 

Um movimento político de extrema direita pode considerar-se vitorioso ao tornar as cores nacionais de seu país em símbolo próprio, mesmo que perca eleições. Ao contrário do partido nazista alemão, que adotou cor inexistente na bandeira alemã para suas milícias, o bolsonarismo tornou seu o amarelo. Ele não criou um novo símbolo, pois se apoderou (ou sequestrou) a bandeira nacional. Guedes & Silva (2019) dizem que houve uma apropriação das cores e da bandeira nacionais para se atender a interesses políticos.

O processo foi tão bem idealizado que se criou uma espécie de permissão (ideológica) para quem poderia e quem não poderia usar a camisa amarela. Tornou-se algo proibitivo para os que se consideravam de esquerda usar as cores nacionais, sendo que os eleitores de Jair Bolsonaro se sentiam autorizados, para não dizer obrigados, a usarem o verde-amarelo. Também, havia (e segue havendo) o patrulhamento ideológico nas hostes da extrema direita para que não se usasse o vermelho. Pereira, Franca & Freitas (2023) confirmam isso ao demonstrarem que, ao sequestrar as cores nacionais, se afetou e deturpou o comportamento dos brasileiros em relação às cores. Podemos, por exemplo, lembrar que na Copa do Mundo de 2022 muitos se recusaram a usar verde-amarelo e até mesmo a torcer pela Seleção Brasileira pelas óbvias implicações que isso causava.

Os símbolos nacionais foram manipulados a partir do poder de suas cores em informar um conteúdo de instrumentos de legitimação políticos e ideológicos, que funcionavam como descrição abreviada, cumprindo o papel de representação da informação que substitui uma entidade linguística por um símbolo em cores vivas. Ao invés de longos discursos, ou mesmo de propaganda política exaustiva, lançavam efusivamente símbolos verde-amarelo que cumpriam a função de descrição abreviada.

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Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”

Da Série “40 E TANTOS MUITOS DISCOS QUE FIZERAM MINHA CABEÇA”
"THE DARK SIDE OF THE MOON" - PINK FLOYD (1973)

A LISTA DOS 40 E TANTOS MUITOS DISCOS

Para fazer esta seleção pensei numa “fórmula mágica” para evitar as dificuldades que só quem se mete a fazer as tais “listas dos melhores” enfrenta. Para não ter que arcar com o ônus da escolha/seleção, pensei em colocar todos os discos dos Beatles e pincelar com mais alguns de Pink Floyd & Rolling Stones, Chico, Caetano & Gil. Mas, seria muito casuísmo de minha parte! Assim, apresento a lista dos 40 discos que fizeram minha cabeça que servem para ouvir a qualquer hora e em qualquer lugar. Como diria Belchior, “não quero te falar das coisas que aprendi nos discos”, apesar de que estes aqui me ensinaram muito. A lista vem com um bônus +20, que são os que deveriam estar na lista dos “40 discos”, mas assim teria que retirar e colocar, colocar e retirar, enfim... 1) “The Dark Side of the Moon” - Pink Floyd (1973). 2) “Abbey Road” - The Beatles (1969). 3) “Boca Livre” - Boca Livre (1979). 4) “Highway 61 Revisited” - Bob Dylan (1965). 5) “The Freewheelin” - Bob Dylan (1963). 6) “Ópera do Malandro” - Chico Buarque (1979). 7) “Double Fantasy” - John Lenno/Yoko Ono (1980). 8) “Milk and Honey” - John Lenno/Yoko Ono (1984). 9) “The Concert in Central Park” - Simon & Garfunkel (1982). 10) “Pet Sounds” - The Beach Boys (1966). 11) “Atom Heart Mother” - Pink Floyd (1970) 12) “Electric Ladyland” - The Jimi Hendrix Experience (1968). 13) “Rattle and Hum” - U2 (1988). 14) “Brothers in Arms” - Dire Straits (1985). 15) “Cabeça de Dinossauro” - Titãs (1986). 16) “Getz/Gilberto” - João Gilberto, Stan Getz e Tom Jobim (1964). 17) “Then and Now” - The Who (1964-2004). 18) “90125” - Yes - (1990). 19) “Hoje” - Paralamas do Sucesso (2005). 20) “Some Girls” - Rolling Stones (1978). 21) “Exile on Main Street” - Rolling Stones (1972). 22) “Balada do asfalto & Outros Blues – Zeca Baleiro (2005). 23) “Revolver” - The Beatles (1966). 24) “Alucinação” - Belchior (1976). 25) “Era uma vez um home e seu tempo” - Belchior (1979). 26) “Meus caros amigos” - Chico Buarque (1976). 27) “Cinema Paradiso” - Ennio Morricone (1989). 28) “Antônio Brasileiro” - Tom Jobim (1994). 29) “Kind of Blues” - Miles Davis (1959). 30) “Back to Black” - Amy Winehouse (2006). 31) “Band on the Run” - Paul McCartney & Wings (1973). 32) “All Things Must Pass” - George Harrisson (1970). 33) “O descobrimento do Brasil” - Legião Urbana (1933). 34) “Luz” - Djavan (1982). 35) “Led Zeppelin IV” - Led Zeppelin (1971). 36) “Tropicália ou Panis et Circencis” - Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968). 37) “A Night at the Opera” - Queen (1975). 38) “The Doors” - The Doors (1967). 39) “461 Ocean Boulevard” - Eric Clapton (1974). 40) “Cavalo de Pau” - Alceu Valença (1982). 1) “The Beatles (White Album) - The Beatles (1968) . 2) “Jobim Sinfônico” - Paulo Jobim/Mario Adnet (2002). 3) “Um banda um” - Gilberto Gil (1982). 4) “Cores, Nomes” - Caetano Veloso (1982). 5) “In The Mood!” - Glenn Miller (1943). 6) “Achtung Baby” - U2 (1990). 7) “Osvaldo Montenegro” - Osvaldo Montenegro (1980). 8) “Clube da Esquina” - Milton Nascimento & Lô Borges (1972). 9) “Fa-Tal - Gal a Todo Vapor!” - Gal Costa (1971). 10) “Pérola Negra” - Luiz Melodia (1973). 11) “Birth of the Cool” - Miles Davis (1957). 12) “Revoluções por Minuto” - RPM (1985). 13) “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” - The Beatles (1967). 14) “The Velvet Underground & Nico” – The Velvet Underground (1967). 15) “Barcelona” - Freddie Mercury e Montserrat Caballé (1988). 16) “Money Jungle” - Duke Ellington, Charlie Mingus & Max Roach (2002). 17) “Little Creatures” - Talking Heads (1985). 18) “Aquarela do Brasil” - Gal Costa (1980). 19) “Mais” - Marisa Monte (1991). 20) “Outras Coisas” - Leila Pinheiro (1991).