terça-feira, 17 de novembro de 2015

Vivandeiras querem golpe para salvar a democracia - Parte II.



Sim, a crise se agravou pela instabilidade do governo Dilma. A presidente foi reeleita dizendo que não faria tudo o que passou a fazer a partir de 02 de janeiro passado. Ela negava que estávamos em crise durante a campanha eleitoral de 2014. Atitude temerária, passível de uma reprimenda da sociedade, mas não na forma de vaias e atitudes desrespeitosas para com a pessoa da Presidente. Quando a sociedade lhe retirou apoio, jogando para as calendas sua popularidade e a aprovação ao governo, estava justamente repreendendo a presidente pelos erros cometidos.


Caberia, ainda cabe, ao governo buscar corrigir seus erros e reconquistar, através de políticas públicas relevantes, o respeito e a legitimidade perdidos. Estranho mesmo é ver o governo tão dócil a este presidencialismo de extorsão, praticado em larga escala, tendo o PMDB como achacador-mor da República. A desgastada fórmula de governar por meio de uma coalização de partidos fracassou na medida em que as siglas aliadas chantageiam o governo por cargos e verbas em troca de apoios na seara parlamentar.


Estranho, também, foi ver a oposição abrindo mão de suas prerrogativas legais, buscando a porta lateral do golpismo calcada na mentalidade udenista onde crises institucionais se resolvem com saídas de força. Não se buscou o golpismo tradicional, ativado pelas Forças Armadas, mas sim um golpismo que segue ritos e procedimentos democráticos. Seria possível conviver com este paradoxo? Em democracias consolidadas procedimento democrático é a água que jamais se mistura com o óleo da mentalidade autoritária.

Em nosso caso, com a criatividade que temos para misturar água e óleo, encontramos uma forma de exercitar nossa mentalidade pretoriana sem ter que rasgar a Constituição Federal. E é bom lembrar que temos em nossa Constituição o Art. 142 que dá lastro a uma intervenção militar ao definir que as Forças Armadas “destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. A mesma Constituição que define como se procederá em caso de impeachment presidencial é a que dá poderes aos militares para intervirem.


Tal qual em outros idos, sempre existe a possibilidade das vivandeiras baterem às portas dos quartéis. Ao que tudo indica a oposição sondou as Forças Armadas sobre a possibilidade de apoio para destituir Dilma Rousseff. Assim como fez Fernando Collor para ver se se mantinha no poder e como fez Itamar Franco para garantir que assumiria mesmo a presidência no desfecho da crise gerada pelo impeachment de 1992. O senador José Serra (PSDB) se referiu várias vezes, entre os meses de julho e setembro, sobre a possibilidade da crise descambar para uma intervenção militar ao comparar o atual momento com aquele abril de 1964. Serra, vivandeira de quatro costados, batia a porta da caserna. Era como se ele quisesse lembrar aos militares que estava na hora deles tomarem as rédeas novamente.


A prova disso foi que o Gal. Eduardo Dias da Costa Villas Bôas teve que esclarecer o posicionamento da instituição que comanda neste momento tão conturbado. Este fato por si só quer dizer algo. Se a ordem politica e social, e as instituições, estivessem funcionando normalmente o Comandante do Exército ficaria em seu lugar. Numa entrevista a Folha de São Paulo, em 14 de outubro, o General Villas Bôas negou a possibilidade de uma intervenção militar, mas admitiu que uma “crise social (poderia) afetar a estabilidade do país e isso diria respeito às Forças Armadas”. Ele chegou mesmo a dizer que: “E aí, nesse contexto, nós nos preocupamos porque passa a nos dizer respeito diretamente”.



CONTINUA AMANHÃ...


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