quinta-feira, 9 de março de 2017

DE OLHO EM 2018
Lula em vantagem na disputa política sobre Transposição, diz analista.
Ex-presidente cobra 'paternidade' sobre o projeto em duelo com PMDB e PSDB
Publicado em 09/03/2017, às 08h41.
 
Para cientista político, Lula leva vantagem em disputa política sobre Transposição do São Francisco


É grande a disputa política entre PT, PMDB e PSDB sobre a Transposição do Rio São Francisco. Mas para o cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a vantagem nesse briga, até o momento, é do ex-presidente Lula (PT).  

“A obra já foi contestada no passado pelo PSDB. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), poderia estar denunciando que a obra não está completa. Poderia apontar que houve descuido e descaso. Mas todos estão tentando capitalizar em cima da obra, o que legitima o projeto em si. Isso tende a favorecer Lula”, diz. Ainda de acordo com Túlio Velho Barreto, o presidente Michel Temer (PMDB) e Alckmin têm atuado para tentar reduzir o “favoritismo” do PT sobre a Transposição.

“O PSDB é um concorrente competitivo e tenta capitalizar com a Transposição porque sabe que é importante para o Nordeste, pois coloca água onde há necessidade. Penso que o governo Temer não tem legitimidade e não goza de prestígio no Nordeste e, sendo assim, busca um apoio popular com a Transposição. O PT tenta neutralizar essas ações e reivindica para isso os grandes investimentos feitos no projeto”, afirma.

O cientista político Elton Gomes, das faculdades Damas e Estácio, vê uma diferença de postura entre Temer e Lula. “O presidente tenta melhorar a imagem do governo perante um eleitorado importante e carente, mas não me parece que esteja chamando para si a paternidade da obra”, avalia.

Esta semana, a Câmara de Vereadores de Campina Grande aprovou a concessão do título de Cidadania Campinense e da Medalha de Honra ao Mérito Municipal a Temer. O presidente estará na cidade nesta sexta-feira, um dia antes de ir ao município de Monteiro visitar uma das estações da Transposição.

“Desconfio que os vereadores (de Campina Grande) estejam preocupados em associar sua imagem à do presidente, que vai inaugurar um trecho da obra no Estado”, pondera Gilbergues Santos, cientista político e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

O estudioso ressalta, ainda, as mudanças de postura no Estado paraibano em relação ao projeto. “O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) era radicalmente contra a Transposição, quando Lula era presidente. Agora que o PSDB está no governo, ele mudou o discurso”, diz. A reportagem do JC tentou contato com a assessoria do senador, mas não obteve êxito.

PAULO CÂMARA COBRA AJUDA.

O governador Paulo Câmara (PSB) se reuniu na última quarta-feira com o ministro de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Dyogo Oliveira, para pedir atenção às prioridades de Pernambuco nas questões relativas ao Orçamento Geral da União (OGU) e às emendas de recursos hídricos da bancada federal do Estado. A reunião também teve a participação do vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Raul Henry (PMDB).

"Conversei com o ministro sobre a necessidade de ter uma atenção especial da União para a Adutora do Agreste e o Sistema Adutor do Oeste. São obras fundamentais para o nosso Estado, principalmente porque estamos entrando no sexto ano consecutivo de seca", disse Paulo. De acordo com o governador, essas duas obras são essenciais para dar consequência real no Estado à transposição das águas do Rio São Francisco. O governo estadual destaca que o Sistema Adutor do Oeste foi iniciado, mas por falta de repasses de recursos do Governo Federal está com obras paralisadas desde 2015. 

"Já temos mais R$ 100 milhões conveniados para o Sistema Adutor. É um valor pequeno diante da importância para milhares de famílias do Sertão de Pernambuco", destacou. Paulo Câmara e Raul Henry também solicitaram informações sobre a Ferrovia Transnordestina, que está com obras paralisadas por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). 

O TCU proibiu o repasse de recursos públicos para o projeto, enquanto a empresa concessionária - a CSN - não prestar informações sobre o que foi concluído da obra e os seus custos até o momento.

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