segunda-feira, 7 de julho de 2008

Questões iniciais sobre a conjuntura políto-eleitoral.

Considerando que numa eleição a azáfama dos fatos não permite uma análise clínica, abordarei o atual cenário político-eleitoral paraibano de forma tópica.



  • A disparidade entre os processos dos dois maiores colégios eleitorais paraibanos é tamanha. Graças a uma bem sucedida administração, o prefeito de João Pessoa Ricardo Coutinho tem larga vantagem sobre seus adversários e dificilmente perderá o segundo mandato; em Campina Grande a eleição será obstinadamente acirrada, mais ainda do que a de 2004.

  • Ricardo Coutinho proclamou como vice alguém de seu próprio partido, passando ao largo dos quereres de sua gordurosa base aliada, i.e., desgostou o coletivo criado para este fim, comprometeu alianças futuras e pouco somará ao seu capital eleitoral. Pensou mais na eleição de 2010 (quando deverá candidatar-se a governador) do que nesta e cedeu às aparentes facilidades de ter próximo alguém que promete não questioná-lo. Terá que desdobrar-se para acalmar os ânimos de sua barulhenta base aliada. Vejam-se as declarações nada amistosas que a liderança do PT e o senador José Maranhão deram. Este afirmou que ficaram fissuras. E, como se sabe, fendas só são superficiais se não cuidadas a tempo.

  • Sugiro ao leitor/eleitor que atente ao papel dos vices-candidatos. Quem são, o que propõem e o que já fizeram. Explico. Sendo inevitável que estas eleições sejam um laboratório para as de 2010 e considerando a possibilidade dos prefeitos eleitos em outubro deixarem seus cargos para concorrem a outros é preciso ponderar sobre aquele que pode vir a ser o titular. Em Campina temos o exemplo de uma vice-prefeita que, ao assumir, praticou uma das mais desastrosas administrações da história política local, i.e., um dos critérios para se escolher o prefeito é o seu vice. Se um candidato a prefeito lhe agrada, e o seu vice não, é de bom alvitre pensar bem para que depois você não se auto-responsabilize pelos desmandos daquele que era tão somente o vice-prefeito eleito.

  • Os TRE´s querem que a moralidade sobreponha a presunção da inocência e prometem negar registro aos candidatos “fichas-sujas”. Mas, para o TSE só não pode concorrer quem tem condenação transitada e julgada, i.e., o “ficha-suja” que tiver sua solicitação negada no TRE recorrerá ao TSE e poderá obter o direito de concorrer. O que fazer? Consultar o rol, na justiça eleitoral, dos que tem alguma mácula. Se à luz disso o pedido de registro pode ser negado, pode também ser uma referência para que não se eleja alguém. Se a justiça tarda em impedir que um indivíduo com “ficha-suja” se candidate, o eleitor pode, ao menos, barrá-lo nas urnas.

  • A definição dos concorrentes à prefeitura de Campina Grande deixou traumas. Natural, na medida em que escolher é selecionar e que preteridos sempre se incomodam. O prefeito Veneziano terá um passivo a lidar quanto à escolha do vice e, claro, responderá pelo que fez e/ou deixou de fazer como candidato a reeleição. O deputado Rômulo Gouveia lidará com os maus humores de aliados que almejavam o seu lugar de candidato. Vimos como o deputado Agnaldo Ribeiro quis ser candidato e como, na retirada de sua postulação, deixou claro seu descontentamento. Conseguirão os dois candidatos empolgarem os descontentes? O tempo dirá. As ofertas feitas também. Derivará do que os escolhidos ofereceram como moeda de troca aos preteridos para que estes aceitassem o papel de coadjuvantes. Vejamos o gesto do presidente do PTB, Artur Almeida, que desistiu de sua candidatura em prol da união das oposições já no 1° turno. Disse que proporá idéias para a área econômica e de saúde pública, i.e., parece ter acordado que indicará os titulares das secretarias de Administração e Saúde caso Rômulo Gouveia seja eleito.

  • Importa atentar para o comportamento do Governador Cássio Cunha Lima e do Senador José Maranhão. Em que níveis apoiarão seus candidatos? Colocar-se-ão a altura de seus cargos e buscarão transferir votos visando ampliar suas bases de apoio? Ou vão aproveitar o momento para ensejar mais um capítulo desta renhida luta política que protagonizam e que em geral causa prejuízos a eles próprios. Outro que terá função importante, não no proscênio, mas nos bastidores da eleição, será o ex-senador Ney Suassuna. Permanecendo no PMDB, apoiará aliados do governador e seu alvo será Campina Grande. Como a fênix, quer ressurgir das cinzas à custa de uma derrota impingida ao prefeito Veneziano como vingança pelos fatos ocorridos na eleição de 2004. Esta poderá ser uma variável essencial para o resultado final do jogo eleitoral.

  • Temos, ainda, dois outros candidatos a prefeito em Campina Grande: Érico Feitosa (PHS) e Sizenando Leal (PSOL). Do primeiro sabe-se pouco. Empresário, não tem experiências concretas com a administração pública e as relações políticas. Pode surpreender e mostrar-se capaz de assumir o executivo municipal, mas já larga com a desvantagem de não ter passado político que subsidie a escolha dos eleitores. O candidato do PSOL é conhecido pelas atividades sindicais. Sua postulação traz uma contradição insanável: afirma que apresentará medidas concretas e princípios socialistas à cidade, mas seu partido nutre um contumaz desprezo pelas instituições políticas, que seriam meras representantes da elite dominante. O que fará Sizenando caso eleito? Desmontará as tais instituições porta-vozes da classe dominante ou se conformará em tentar governá-las?

  • Espera-se que os candidatos a vereador tenham um comportamento democrático e respeitoso aos eleitores e as instituições; que apresentem concreta e pontualmente o que pretendem fazer na Câmara dos Vereadores; que não cedam às tentações do discurso populista e/ou demagogo; e que não fiquem a entoar em uníssono a cansativa melopéia contra a corrupção e pela ética na política. Ser honesto não é um diferencial é a simples obrigação de todos.
Eis a ambiência político-eleitoral. Aguardemos os próximos lances da disputa eleitoral, lembrando sempre que teremos tão somente uma eleição. Não haverá a “festa da democracia” como querem os otimistas ou uma “luta de vida e morte” como anseiam os pessimistas. A vida e as instituições continuarão a existir após a proclamação dos resultados.

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