
Estou atento ao caso crônico da insegurança nas escolas
públicas da Paraíba. Com uma ira incontida, vejo o amplo, absoluto, descaso do
governo estadual para com um problema que, tal qual a peste medieval, só se
alastra. Parece que nunca se agiu preventivamente para que nossas escolas não
fossem atingidas pela insegurança de cada dia. Quando elas passaram a ser
invadidas, saqueadas, vandalizadas, por uma marginalidade sem freios, o que se
fez institucionalmente? Se o governo só tivesse tomado medidas, em prol da
segurança nas escolas, após os primeiros atos de violência eu entenderia, pois
governantes não vem de Marte. Eles são, também, fruto dessa sociedade
desleixada para com a coisa pública. Mas, o que vem acontecendo é de uma
gravidade abismal. Escolas paraibanas seguem sendo violadas diariamente e o
governo nada faz, pelo contrário, age tal qual o avestruz que esconde a cabeça
num buraco para não ver que seu predador se aproxima.

Vou repetir, na esperança (inútil?) que alguém na
Secretaria de Educação do Estado da Paraíba esteja lendo essa coluna em forma
de desabafo. O Estadual de Bodocongó sofreu, apenas entre janeiro e
fevereiro deste ano, SEIS violações. Foram roubados computadores e
impressoras que funcionam, também, como fotocopiadoras. Uma delas não tinha
ainda sequer sido instalada para o uso da escola. O equipamento de som e a
televisão da “Rádio Escola AVS” foram danificados e/ou roubados. Grades e
portões, que deveriam barrar o ímpeto dos marginais, foram arrancados e jogados
ao chão como se fossem folhas de papel. Vi o desespero estampado nos rostos, de
professores e funcionários da escola, ao verem que equipamentos adquiridos ao
custo de projetos de pesquisa e extensão, e de muito trabalho, claro, haviam
sido mais uma vez roubados. Os bandidos arrombaram a dispensa da escola para
danificar a merenda. Pegaram vários quilos de carne e jogaram na quadra da
escola. Eles não tinham fome, foi pura maldade de quem se sente para acima e
além das instituições e da própria lei.

Já a Secretaria de Educação do Estado da Paraíba
nada fez. Esperava-se que o órgão atuasse junto ao governo e a Secretaria de
Segurança Pública para que se estruturasse um esquema de segurança apropriado para
uma escola já tão fragilizada. Na verdade, a única coisa que a Secretaria fez
foi pressionar a Escola para que as aulas não parassem. A preocupação da
Secretaria é de como se daria a reposição de aulas caso os professores
decidissem paralisar suas atividades por absoluta falta de segurança. A 3ª
Gerência de Ensino de Campina Grande sequer enviou um funcionário ao Estadual
de Bodocongó para, pelo menos, fazer um relatório daqueles que ninguém lê e
logo é arquivado em uma gaveta qualquer. E agora, a quem recorrer? A divina
providência? Ou seria melhor implorar aos marginais que fossem roubar em outra
freguesia?

Em março de 2014 os alunos do Estadual de Bodocongó
fizeram uma manifestação, no centro da cidade, para mostrar o quanto se sentiam
inseguros. Naquele momento, os ladrões já tinham entrado várias vezes na escola,
pois sabiam que nada lhes impediria. Os estudantes foram à rua pedir ao governo
que fechasse a porta da Escola. O governo não só não a fechou, como ainda
impediu que os mecanismo institucionais, para provimento de segurança, fossem
efetivados. Na educação pública paraibana as portas estam sempre abertas para a
violência e a insegurança e sempre fechadas ao desenvolvimento sócio-cultural.
Porca miséria essa em que vivemos onde a educação segue não sendo prioridade.
AQUI FOI GILBERGUES SANTOS, NO EXERCÍCIO DIÁRIO DA ANÁLISE.