segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

NÃO PRECISA PAGAR PARA FALAR COM DEUS - PARTE I.


Certa vez me dei ao trabalho de assistir alguns dos encontros religiosos que acontecem anualmente em Campina Grande. Não, eu não estava buscando uma religião, ou uma seita, para aderir. Não estava motivado por questões espirituais, pois tenho um modo particular de manifestar minhas crenças sem que tenha que entrar em templos, participar de eventos ou de algum tipo de ritual tribal. Na verdade, estava interessado em saber de que maneira os organizadores desses eventos investem, ou gastam, as verbas que a Prefeitura Municipal de Campina Grande lhes entrega a título de subvenção. Eu sigo querendo saber como o nosso dinheiro está sendo utilizado nesses eventos religiosos.

Qual foi minha surpresa quando, num desses eventos, ouvi a seguinte pregação proferida por um líder religioso. Dizia ele para seus atentos fiéis (SIC): “Vocês não tem que ter vergonha de ofertar ao Senhor Jesus e vocês podem fazer isso da maneira que quiserem. Se forem ofertar em dinheiro é só vir aqui ao lado. Mas, se forem ofertar no cartão, nossos colaboradores irão até aí onde vocês estam com as maquinetas”. Fiquei pasmo, incrédulo, em meio a tantos crentes. As pessoas estavam sendo convidadas (ou seria intimadas?) a doarem seus dízimos através do cartão de crédito. Será que eles aceitariam que se parcelasse o dízimo em dez vezes sem juros?

Lembrei as indulgências que os cristãos pagavam. Em seus primórdios, a Igreja impunha pesadas penas morais e carnais para que cristãos pudessem remir seus pecados. A absolvição só era dada aos penitentes que reconhecessem seus pecados e se submetessem a pesadas penas. O pecador era condenado a jejuar, trajando molambos e usando o silício para autoflagelação. Depois a Igreja comutou as penitências pelo pagamento das indulgências. Tudo ficou mais fácil. Bastava reconhecer os pecados e por ele pagar uma quantia que, claro, era levada aos cofres da própria Igreja. Hoje, as religiões cobram de seus fiéis o dízimo para que elas limpem suas consciências e não percam a esperança de ir para o reino do Todo Poderoso após a morte.
 
Mas, se é assim, porque esses eventos precisam de dinheiro público para serem realizados? Não bastaria as Igrejas pedirem a contribuição dos seus seguidores para a montagem de seus eventos? Baseada em que a Prefeitura de Campina Grande faz essas doações? O prefeito Romero Rodrigues afirma que, “apesar das dificuldades, o governo não deixaria de apoiar eventos que projetam Campina no cenário turístico nacional”. Certo, eventos injetam recursos na economia da cidade. Mas, a única forma da Prefeitura contribuir com esses eventos é entregando recursos aos seus promotores? Não custa lembrar que a maioria dos eventos são autossustentáveis. O Encontro da Consciência Cristão, um evento que congrega quase todas as Igrejas evangélicas da cidade, e que acontece no Parque do Povo, recebeu, a título de subvenção, a quantia de R$ 160 mil.

O evento é patrocinado por empresas e os evangélicos lotam suas dependências pagando ingressos e doando dízimos. Um de seus coordenadores, o pastor Euder Faber, tem uma justificativa, aparentemente plausível, para a subvenção. No ano passado, ele afirmou que “a ação do prefeito merece reconhecimento, pois contribui para o crescimento espiritual do povo de Campina Grande”. Mas, porque o poder público deve promover o crescimento espiritual de seus cidadãos? Ao que me conste, cabe à prefeitura promover nosso desenvolvimento econômico e social. Até porque, o Estado brasileiro é constitucionalmente laico, ele não pode aceitar ou receber influências religiosas.

A prefeitura contribui para o evento evangélico quando cede o Parque, que é do povo de Campina Grande, para que um determinado ramo religioso promova seu evento. É estranho que o local onde se realiza nossa festa maior, o São João, seja privatizado por alguns dias para a realização de um evento religioso. Fico sempre me perguntando se a coordenação do evento oferece alguma contrapartida a prefeitura. Ainda falando em justificativas, ou racionalizações, vi o prefeito Romero Rodrigues dizendo, em 2014, que é fundamental apoiá-los, pois esses eventos trazem serenidade a cidade. Romero afirmou que os eventos religiosos promovem uma reflexão, que isso estabelece a paz na cidade e diminui a violência.

Um comentário:

Anônimo disse...

"os evangélicos lotam suas dependências pagando ingressos e doando dízimos." Isso não é uma informação verdadeira, o sr deveria confirmar a veracidade das suas suposições antes de afirmá-las.

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Este é o "museu de grandes novidades" do qual nos falava Cazuza. Ante-sala do gabinete do Reitor da Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande.

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