terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O ÔNUS DA DERROTA É A SOBREVIVÊNCIA POLITICA

A política partidária brasileira se mantém com pouquíssimas regras pouco ou nada republicanas. A primeira delas é a que diz que normas foram feitas para serem redefinidas de acordo com interesses de atores e partidos políticos. A segunda, uma decorrência da primeira, define o que chamamos de vale-tudo eleitoral. Para maximizar interesses tudo é permitido. A definição de candidaturas e coligações nas eleições nos fez constatar essas regras, por isso que as chamei de “suruba” eleitoral. E existe o critério da sobrevivência política que poucos ousam desrespeitar. Os políticos gostam de justificar traições de toda sorte e os atos mais absurdos pelo famoso instinto de sobrevivência que cada um traz consigo.

Em geral as mudanças de partido são racionalizadas pela necessidade de se viabilizar o futuro eleitoral. Esta é uma instituição informal tão respeitada no Brasil que nem mesmo o Tribunal Superior Eleitoral ousa desrespeitar. Foi por isso mesmo que a lei, que nos fez aceitar o troca-troca partidário, instituiu um período (chamado de janela) para que os políticos, derrotas numa eleição, possam refazer seus cálculos e ver a real necessidade de mudar de partido. Este seria o principal ônus da derrota eleitoral. Terminar uma eleição como perdedor impõem ao politico medidas visando reverter o quadro. Muda-se de sigla quando o coeficiente eleitoral do partido está muito próximo do capital eleitoral do político.

Ao que tudo indica é isso que está acontecendo em Campina Grande. Aguarda-se para esses dias o anúncio da mudança partidário do prefeito Romero Rodrigues. Ainda, no final de janeiro ele tinha dito que, sim, que mudaria de partido. Mas, porque Romero deixaria o PSDB, partido pelo qual milita há tanto tempo e que o conduziu aos cargos que ocupou até hoje? Elementar. Nosso prefeito está pensando em sua reeleição, ou seja, em sua sobrevivência política. É que com as derrotas do PSDB, em nível nacional, e de Cássio Cunha Lima, nas eleições para o governo, Romero viu sua administração se fragilizar. É sempre bom lembrar que, nas eleições, Campina Grande ficou sendo conhecida como a ilha tucana.
 
Romero é prefeito da única cidade da Paraíba onde Dilma Rousseff não teve mais votos do que Aécio Neves nos dois turnos da eleição. Nosso modelo político é personalista, governista, e isso fragiliza os derrotados e fortaleze os vitoriosos. Se Cássio tivesse ganhado a eleição, Romero seria um dos principais fiadores da vitória, por governar o reduto do senador. Do contrário, não falta quem queira lhe atribuir responsabilidades e culpas pela derrota justamente no tal reduto, na ilha tucana.

Se a vitória de Ricardo Coutinho aumenta as chances da oposição (Veneziano Vital que o diga) nas eleições de 2016, cria dificuldades para a situação. Contar, numa eleição, com o apoio do grupo derrotado não é, definitivamente, uma das melhores coisas na política. Sem contar que a gestão do prefeito Romero sofre solução de continuidade. Pela crise econômica, que emperra o crescimento, e por uma gestão pouco criativa, que não consegue mostrar a que veio, a reeleição de Romero é hoje uma grande dúvida. Imaginem a dificuldade que Romero deve ter em conseguir verbas, junto ao governo petista, sendo o prefeito da tal ilha tucana? Se não tem verbas, não tem obras e ações. Sem elas a população não acredita na gestão e o projeto de reeleição sobe ao telhado.

Foi por isso que o Deputado Tovar disse que Romero saíra do PSDB pela sobrevivência do município. Já o Secretario de Articulação Política, Fernando Carvalho, afirmou que o prefeito vai para o PSD para o bem de Campina Grande. Romero Rodrigues decidiu deixar o PSDB para buscar uma agremiação que possa vitaminar sua gestão nos próximos meses. Mesmo com as declarações de amor a nossa cidade, eles estam tratando é do instinto de sobrevivência política do prefeito. É por isso mesmo que se falou que ele poderia ir para o PT. Se a questão é sobreviver, nada melhor do que ser agarrar a tábua governista. Mas, não faltaria quem lhe atirasse a pecha de traidor, de ter abandonado o barco do senador Cássio na pior hora.

Assim, Romero deve ir para o PSD do ministro das Cidades Gilberto Kassab, para onde foi Rômulo Gouveia e para onde devem ir os sobreviventes do naufrágio da nau tucana. Ser prefeito filiado ao partido do ministro das Cidades pode ser a salvação da lavoura. Mas, o que será que Cássio Cunha Lima está achando disso tudo? Ele não concorda, apesar de que tem tratado a questão, pelo menos em público, de uma forma diplomática. O Senador tem dito que vai respeitar a opinião do seu primo prefeito. Mas, cá entre nós, Cássio não está gostando nada disso. É que se abrir a porteira do seu partido, para que um membro importante sai, ele pode terminar perdendo o controle e ver a boiada debandar. Na política é assim: quando a farofa é pouca, meu pirão primeiro!

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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