segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O NOSSO 7 X 1 DE CADA DIA

Um canal da TV a cabo anuncia que “a grande festa do futebol brasileiro em 2015 já começou”. Como assim? Festa? Parece que ninguém mais lembra que a Seleção Brasileira de Futebol foi achincalhada de alto a baixo por aquela goleada de 7 X 1. Após aquele jogo fatídico, onde fomos soterrados por uma avalanche de gols em plena Copa do Mundo, fiquei com a sensação de que aquilo era só o começo. Lembro bem do jornalista Juca Kfouri dizendo que o pior ainda estava por vir. Eu fiquei imaginando o que seria pior do que a traulitada que a Alemanha nos aplicou. No segundo semestre de 2014 vimos o pior do pior num campeonato nacional de baixíssimo nível. Mas, algo ainda me dizia que 2015 seria de amargar na seara futebolística.

A Folha de São Paulo deu uma matéria que li como se estivesse assistindo a paixão de Cristo, sem entusiasmo, por conhecer bem o final da história. A matéria dizia que a Arena Pantanal foi interditada, pelo governo do Mato Grosso, para obras de reparo. Isso seria normal se este estádio tivesse sido inaugurado há pelo menos 20 anos. Mas, não é o caso, pois a tal arena foi inaugurada há seis meses para receber apenas quatro jogos da Copa do Mundo e alguns poucos jogos oficiais entre times nacionais. O governo diz que o estádio tem problemas sérios na rede elétrica e na parte hidráulica, com infiltrações e alagamentos. A Folha de São Paulo mostrou que o local não tem condição de receber eventos, principalmente jogos de futebol. Eis o pior! Construíram uma arena, no valor de R$ 626 milhões, que foi mal e porcamente utilizada e que já vai ter que passar por uma reforma que deve custar algo em torno de R$ 50 milhões, superfaturados, obviamente. Pois é, a goleada de 7 X 1 continua.
 
 A Federação de Futebol/RJ instituiu, em seu Regulamento de Competições, o Artigo 133 que mais parece um dos itens do AI-5 da ditadura militar. Ele prevê multa de R$ 50 mil a clubes, jogadores e técnicos que criticarem a Federação, seus atos e suas competições. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro entrou com ação civil pública, com pedido de liminar, para anular essa cláusula draconiana, que em nada ajuda na melhoria do futebol brasileiro que além de desorganizado e corrompido é, também, autoritário. Enquanto isso a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional fez um levantamento e descobriu que os 12 maiores times do futebol brasileiro, o meu inclusive, devem a União a estrondosa quantia de R$ 1 bilhão e 590 milhões. Cerca de R$ 1 bilhão dessa dívida se relaciona a impostos federais atrasados, nunca pagos. É que, no Brasil, os times de futebol são tratados como entidades míticas, não como empresas, que pairam para acima e além dos interesses institucionais. Temos a tosca ideia de que como eles cuidam de nossa paixão nacional devem ser dispensados de cumprir as leis trabalhistas, por exemplo.

Os clubes brasileiros são especialistas em burlar leis e fraudar suas gestões financeiras e nós achamos graça disso. A Procuradoria afirma que não incluiu, nesse levantamento, dívidas que os times têm com bancos, fornecedores e com os governos estaduais e municipais. Ou seja, o levantamento foi superficial. Tem razão Juca Kfouri, o pior ainda virá. O governo criou, através de Medida Provisória, um refinanciamento para os times que pagarem as parcelas de suas dívidas em dia. O Atlético Mineiro, que deve R$ 282 milhões a União, assinou um acordo e levou um desconto de R$ 70 milhões.

A MP é um negócio de ocasião para os clubes, pois prevê o refinanciamento das dívidas em 240 parcelas, oferecendo descontos de 70% em multas e 50% em juros. E tem mais, os clubes não teriam que cumprir medidas de responsabilidade financeira. Mais uma vez o governo passaria a mão sobre a irresponsabilidade fiscal desses clubes, mas a presidente Dilma, concordando com o “Bom Senso FC,” vetou o artigo que previa esse obscuro modo de fazer o nosso futebol seguir inadimplente. O governo, inclusive, tem falado em criar mecanismos para punir os clubes que não honrarem seus compromissos. Um deles é a criação da Agência Nacional do Futebol que teria como função principal atuar junto a Confederação Brasileira de Futebol – CBF.

O governo pressiona a CBF para punir os clubes caloteiros com medidas disciplinares no âmbito esportivo, como a perda de pontos e a exclusão de campeonatos. Essa tal Agência do Futebol serviria para aplicar as sansões que a CBF se recusasse a tomar. Na verdade, o que Dilma quer é podar o poder da CBF. Depois de todos os problemas que a entidade criou, na Copa do Mundo, o governo resolveu que é chegada a hora de estender seus tentáculos para a gestão do futebol. Mas, essa agência deverá ser gerida por cartolas, que ocupam cargos no mundo da política, ou por seus asseclas. Quando o assunto é futebol sempre espero o pior. Essa agência poderá mesmo é se tornar um galinheiro gerenciado pelas raposas do futebol. Enquanto isso, seguimos sendo goleados, por 7 X 1, a cada novo dia.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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