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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um imbróglio chamado UEPB




 



Poucas vezes na política paraibana tivemos um suspense tão grande como agora. Eu falo da expectativa que se deu em torno do próximo reitor da Universidade Estadual da Paraíba – a UEPB. Deixem-me relatar os fatos. Em maio passado houve uma eleição, ou melhor, um processo de consulta à comunidade acadêmica. Neste pleito, tínhamos cinco candidatos a reitor. Os três mais bem votados passaram a compor uma lista tríplice que foi enviada ao governador Ricardo Coutinho.




De acordo com a lei, não basta ganhar o processo de escolha para ser o reitor da UEPB. É preciso que o governador nomeie o reitor dentre aqueles que compõem a lista tríplice. E mais, o governador não é obrigado a nomear aquele que ficou em primeiro lugar, ele pode indicar qualquer um dos três. Assim, houve a consulta, a lista foi enviada para o governador e desde então se aguardou a nomeação. É esse o X da questão. É que ou bem temos um processo eleitoral, onde o eleito torna-se reitor, ou bem o governador escolhe unilateralmente, dentre o corpo docente da UEPB, aquele que será o reitor. Uma coisa é eleição, outra bem diferente é um ato de nomeação.





O que não pode mais acontecer é essa dubiedade no processo de escolha. A comunidade acadêmica até opina para formar a lista tríplice, mas aquele que ela colocou em primeiro lugar na lista pode não ser o nomeado. Isso é legal? Sim! É legítimo? Não! O prazo final para a nomeação é exatamente hoje. O mandato da reitora Marlene Alves encerra-se hoje. A grande questão é: o que esperou o governador Ricardo Coutinho para nomear o novo reitor UEPB? Porque tantas dúvidas?





Será que a longa queda de braço entre o governador Ricardo Coutinho e a Reitora Marlene Alves, sobre a questão da Lei da Autonomia, tem alguma coisa a ver com esse suspense todo? Digo suspense, porque não acredito que exista alguma indefinição. Sabemos que o governador aguardou que todo o processo eleitoral se encerrasse para poder tomar sua decisão. Ricardo Coutinho temia que o processo político na UEPB interferisse na eleição para prefeito de Campina Grande, ou vice-versa.





De fato, ele tinha suas razões já que a reitora Marlene Alves era pré-candidata a prefeita de Campina Grande. Com a reitora candidata, seria quase impossível separar as coisas. As ingerências políticas aconteceriam para além e acima dos interesses acadêmicos. Mas, as eleições municipais acabaram. Os dias foram passando e as expectativas da comunidade acadêmica da UEPB foram aumentando. Especulações de toda sorte, dentro e fora da UEPB, eram feitas.



Os professores Rangel Jr., Cristovam Andrade e Eliana Maia, cujos nomes compõem a tal lista tríplice, continuaram em campanha. Uma lenta e longa campanha. Passavam-se os dias e a movimentação, nos bastidores e na imprensa, era intensa. Rangel Jr., preferiu silenciar. Aproveitou o tempo para concluir e defender sua tese de doutorado. Rangel entendeu que uma declaração desastrosa poderia por tudo a perder. Mas, ele não abandonou as articulações. Nos bastidores se movimentou intensamente.





Eliana Maia deu seguimento as suas atividades na UEPB, sem se descuidar da possibilidade de se tornar reitora. Com uma inserção política inferior a dos outros dois candidatos, Eliana aparecia menos.  Mas, não será surpresa vê-la ocupando uma pró-reitoria no próximo reitorado.
Cristovam Andrade seguiu outra estratégia. Ocupou os espaços disponíveis na imprensa e utilizou-se da estrutura da Associação dos Docentes da UEPB, da qual é presidente, para manter-se em evidência e oxigenar seus embates com a reitora Marlene Alves.




Enquanto isso, o governador Ricardo Coutinho seguia ensimesmado em relação à UEPB. Compenetrado e fiel a seu estilo centralizador, dizia apenas que na hora certa tomaria a decisão. Esse clima de suspense foi, sim, criado e incentivado pelo próprio governador. Ricardo dizia que caberia a ele, e somente ele, tomar a decisão. Recentemente, veio a Campina Grande e, numa entrevista, disse que estava estudando o currículo dos três candidatos para poder tomar a decisão.





Coutinho disse ainda que “eu saberei decidir o que é melhor para a UEPB”. Em outra entrevista, voltou a questionar a autonomia financeira da UEPB. Ele perguntava se era justo que tanto dinheiro público fosse destinado a uma única instituição. Por fim, o governador realizou uma espécie de sabatina com os candidatos. Primeiro, chamou cada um individualmente e depois fez uma reunião coletiva. O que o governador queria não se sabe bem, até porque ele nunca esclareceu o que pretendia.







Como ele disse que iria estudar o currículo de cada um e procurar conhece-los mais e melhor, deduzo que estava tomando a lição com os candidatos, que a estudaram durante a consulta à comunidade acadêmica. Assim, os alunos, digo candidatos, foram até o professor, digo governador, para, numa espécie de chamada oral, dizerem como pretendem gerir a UEPB e seu grandioso orçamento.




O fato, é que a realidade se impôs ao governador. É certo que ele tem a lei ao seu lado. Mas é certo, também, que ele não pode passar ao largo da decisão que a comunidade acadêmica da UEPB tomou.





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