segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz ano que não pode ser diferente.










Na passagem do século XX para o século XXI falava-se de uma nova era e de revoluções. Fala-se de um futuro dourado como se fosse possível alcança-lo. Ninguém lembrava que o futuro não nos pertence, pois quando ele chega é presente e quando se vai é passado.





Ao amanhecer do dia 01 de janeiro de 2000, meu filho (que tinha seis anos) foi até o quintal, olhou para o céu, e disse: “pai, continua tudo do mesmo jeito”. Ele tinha razão, não havia mudanças palpáveis e palatáveis, apenas a data do calendário era outra. Até hoje questiono se o novo século trouxe um novo tempo – em que pese termos visto muita coisa interessante. Vimos os atentados terroristas, em 2001, a eleição de um negro nos EUA e de um ex-operário sindicalista no Brasil.




Desde então, a cada 01 de janeiro vou até a rua e olho para o céu para ver se algo mudou. Mas, ele está lá sempre azul, as nuvens sempre brancas e o sol a brilhar e a nos esquentar cada vez mais, pois o aquecimento global é fato. Procuro olhar também para os lados e para baixo e vejo coisas que o ano velho empresta ao novo, tornando este tão gasto como aquele. Infelizmente, continuo vendo mendigos remexendo os depósitos de lixo em busca das sobras dos regabofes da noite de ano novo.





Vejo, também, pessoas com as cabeças baixas indo cumprir suas jornadas. Vejo o otimismo estulto dos que pensam que terão um ano novo feliz por terem comprado roupas, celulares, carros novos e todas as maravilhas que o mundo do consumo oferece. E como deixar de perceber a alienação dos que aproveitam o feriado para comemorarem como idiotas, como diria Renato Russo, com suas bebedeiras sem fim e seus “paredões” aloprados.





Ainda percebo crentes de todos os matizes confiando a Deus a responsabilidade de prover muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender, como se não fosse nossa a prerrogativa de buscá-los, e como se Deus pudesse existir apenas para isso. O próximo ano repetirá as mazelas desse ano que está acabando. Por isso que Marcelo Rubens Paiva não desejava um feliz ano novo e sim um feliz ano velho. Por isso que eu estou aqui a destilar um pessimismo que, torço, para que não seja contagiante.





 





A fome e a avassaladora desigualdade em nossa sociedade, a violência, a seca e as enchentes, os escândalos de corrupção, a depauperação do espaço urbano e a desmontagem das instituições vão, infelizmente, se repetirem. Em 2013 não teremos eleições, não teremos guia eleitoral e não teremos os debates. Em compensação não teremos, também, a sonhada reforma política. Em 2013 vamos nos concentrar nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014, sonhando em ganha-la.






O fato é que temos a passagem do ano, os primeiros dias do mês de janeiro vão se passando e vamos constatando que nada mudou e que temos os mesmos problemas e as mesmas dificuldades de todo começo de ano. Mal começa o ano e já temos as mesmas contas para pagar, o mesmo corre-corre do material escolar dos filhos e aquela ansiedade para que o carnaval chegue, passe, para aí sim podermos realmente começar o ano.





Eu não sei quem disse que o ano no Brasil só começa depois do carnaval, o que eu sei é que continuamos com aquela mania de deixarmos para fazer coisas importantes só após os festejos de momo. É como dizia Chico Buarque: “estou me guardando para quando o carnaval chegar”.  Mas, depois tem a páscoa e aí já vem o São João e todos àqueles inúmeros feriados que só fazem nossa preguiça estulta aumentar.





Eu, com esse meu realismo incorrigível (que muitos chamam de pessimismo) lembro sempre de Camões que dizia que “jamais haverá ano novo, se continuarmos a copiar os erros dos anos velhos”. Por isso mesmo peço, imploro, ao caro ouvinte que não se deixe levar pelo meu realismo pessimista. Também não vou dar conselhos que isso é coisa das mais sérias. Farei o seguinte: darei uma sugestão.





Que tal se cada um de nós escolhermos um erro cometido neste ano de 2012 para fazer a promessa interna de não repeti-lo em 2013? Imagine que dessa forma nossas vidas podem melhorar bastante. Não é o ano que pode ser novo. Nós é que podemos tentar mudar, para nos fazermos mais novos. Em todo caso desejo felicidades a todos seja 2013 um ano velho ou novo.







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Este é o "museu de grandes novidades" do qual nos falava Cazuza. Ante-sala do gabinete do Reitor da Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande.

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