segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A política e o efeito do gelo seco.





O caro ouvinte por acaso sabe o que fazem os políticos num período de férias, onde as casas legislativas estam em recesso e os governos funcionam apenas nas atividades ditas essenciais? Eles falam de política, claro. Neste momento, os atores políticos relevantes da Paraíba aproveitam o período de recesso e de férias para tratarem da política eleitoral do próximo ano. E não poderia ser diferente, pois eles são profissionais da política. Vivem dela e para ela.





A exceção, talvez, seja dos políticos que acabaram de assumir cargos em prefeituras e que estam tendo que trabalhar bastante, a exemplo de Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo. Mas, as lideranças políticas não fazem outra coisa a não ser conversarem. Eles dialogam e se movimentam intensamente pelas cidades, entre os partidos e por onde mais possam impulsionar suas articulações políticas. O movimento é grande em que pese o cidadão eleitor não ter como percebê-lo.






Esse é um bom momento para se pavimentar caminhos e tratar de escolhas eleitorais para 2014, pois existe a impressão de que os políticos tiram férias. Mas, não se é político em meio período. É preciso viver a política como se ela fosse um hábito. Costuma-se dizer que, no Brasil, as coisas só acontecem após o carnaval. Mas, essa regra não vale para a política. Os políticos aproveitam este momento para falarem de suas intensões e vontades. Agora mesmo percebo o que chamo de “efeito do gelo seco”.






Em shows é comum vermos aquele efeito produzido por uma máquina que lança uma espécie de fumaça a partir do aquecimento do gelo seco. Esse efeito serve para que os artistas desenvolvam suas performances, além de disfarçar alguns defeitos e erros. Na política é assim também. Muitas das declarações dadas neste momento têm o efeito do gelo seco. Atores políticos relevantes dão entrevistas falando de coisas que não querem que aconteçam ou que desejam que venham a se realizar.




 




É comum vermos o lançamento mais que prematura de candidaturas. Vejam que Fernando Henrique Cardoso lançou, após as eleições municipais, a candidatura de Aécio Neves a presidente da República pelo PSDB. FHC prefere a candidatura de José Serra, mas, para protegê-la, lança a do senador mineiro para desgastá-lo. Essa é uma antiga tática da política que costuma dar certo. Em que pese o PSDB não ser exemplo para esse tipo de coisa, que o diga o próprio Serra. Aqui na Paraíba vemos efeitos do gelo seco. O ex-governador José Maranhão tem repetido que o ex-prefeito Veneziano Vital será o candidato do PMDB a governador da Paraíba. Aliás, o senador Vital Filho, irmão de Veneziano, tem dito a mesma coisa.





Não deixa de ser estranho que dois potenciais candidatos a governador do estado insistam em lançar o nome de um político que, a preço de hoje, não seria eleito nem para síndico do edifício onde mora. Veneziano tem sido para Maranhã e Vital Fº o que Aécio Neves é para FHC e o PSDB de São Paulo. Neste momento a candidatura de Veneziano é a fumaça de gelo seco que esconde pretensões que nem tão cedo serão reveladas.





Já o senador Cássio Cunha Lima tem insistido na continuidade da aliança com o governador Ricardo Coutinho. Para ele a aliança, vitoriosa em 2010, deve ser mantida para as eleições de 2014. Mas, ao mesmo tempo em que afirma isso, Cássio diz que se considera elegível já que “cumpriu a sanção de três anos dada pela justiça”. Ou seja, Cássio defende a aliança com o Governador, mas lembra que pode vir a ser candidato.






O Secretario de Interiorização, Fábio Maia, disse que PSDB e PSB devem continuar juntos em 2014. Claro, ele vocaliza a opinião de Ricardo Coutinho. Ele disse, também, que Cássio subirá no palanque de Ricardo em sua busca pela reeleição. O secretario ainda repassou um daqueles recados mal criados do Governador para seus aliados e disse que eles não podem ver o governo como uma farra onde todo mundo tem cargos independente de qualificações.






É que Ricardo quer manter suas alianças, desde que os aliados joguem o seu jogo. O fato é que Ricardo e Cássio seguirão aliados, pois o governador não vive sem os votos de Campina Grande e o senador deve saber que dificilmente poderá ser candidato em 2014. Os dois, inclusive, afinaram o discurso e afirmaram que o vice-governador Rômulo Gouveia, que é do PSD, deve continuar na aliança ocupando o mesmo cargo, em que pese Rômulo ter dito que gostaria de ser candidato a senador. Assim é a política em sua entressafra. Muito se afirma e pouco se argumenta. Neste momento importa prestar atenção no que eles dizem, pois eles sempre estam querendo dizer algo, mesmo que não pareça.



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