DIRETAS JÁ!

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

É a economia, estúpido.






Em 1992, perguntavam ao marqueteiro James Carville porque Bill Cliton tinha sido reeleito presidente dos EUA mesmo com o escândalo Monica Lewisnki. A resposta tornou-se lei nas campanhas eleitorais: “É a economia, estúpido”. O que Carville queria dizer é que com o PIB americano em alta (um “PIBão”, como gosta de dizer o ministro Guido Mantega), e com a situação de pleno emprego, o eleitorado americano não iria trocar o certo pelo duvidoso.




Dizem que Lula perguntou a Dilma porque a popularidade dela é maior do que a dele quando era presidente. Dizem que Dilma teria respondido: “é a economia, estúpido!”.  Bom, eu não acho que Dilma tenha chamado Lula de estúpido. Mas, ela deveria mostrar a ele os dados que levam o brasileiro a lhe dar tal popularidade. Apesar de que isso não diz muito, pois a fórmula aplicada por Dilma é a mesma de Lula: estabilidade, com crescimento baseado no estímulo ao consumo, via programas sociais.




Em que pese o Produto Interno Bruto desacelerado, é o “PIBinho” que o ministro Guido fala, de a indústria ter recuado e os investimentos diminuído, existem aqueles indicadores que tocam diretamente ao brasileiro das classes C e D. Eu falo do emprego e da renda. São estes dois indicadores que influenciam o humor de grande parte do eleitorado. No governo Dilma emprego e renda seguem tendo um bom desempenho, daí ela ser bem avaliada e Lula ficar morrendo de inveja.




Pelos dados do IBGE, a renda média, nos dois primeiros anos de Dilma, teve aumento real de 2.9% ao ano. Isso é mais do que o dobro visto nos tempos de Lula. É por isso que ele jogou a toalha e desistiu de se candidatar a presidente em 2014. Nos oito anos de Lula a renda média aumentou 10.9%. Nesses dois anos de governo Dilma a renda cresceu 5.8%. Apenas em 2012, o ano do “PIBinho”, o rendimento médio subiu 3.2% acima da inflação, ou seja, um desempenho econômico acima da média.




Dilma foi eleita para tirar as férias de Lula. Só que ele não contava que ela poderia ter um melhor desempenho. Lula também não contava com seus problemas de saúde e nem que seus comparsas seriam condenados no caso do mensalão. A renda não é a única variável a influir nas decisões do eleitor. Mas, o fato é que o eleitorado tende a aprovar o governante quando está com mais dinheiro no bolso para gastar. Governos como o de Lula e Dilma sabem como ninguém explorar isso.




É por isso que vivemos numa espécie de populismo econômico. O governo cria uma série de programas assistencialistas e de estímulo ao crédito. Estes programas dão a sensação ao cidadão-eleitor que ele está bem por que pode consumir. A ideia do IPI reduzido para carros e eletrodomésticos é essa. O governo diminui um pouco a intensidade da mordida, que dá em nossos salários, para que possamos comprar mais. Assim se estimula o consumo que gera inflação, mas esse é outro assunto.




Quem definiu bem nossa situação foi a Nenê, de “A grande família”. Quando Lineu reclamou que Nenê estava consumindo muito, ela disse que a diferença dela para uma madame da Zona Sul é que a madame compra à vista e ela divide tudo em 10 prestações. É por esse estado de coisas que metade dos gastos do governo Dilma são direcionados aos programas sociais. Pois, claro, eles fazem o humor do eleitorado das classes C e D aumentar.




Os recursos que foram pagos às famílias dessas classes sociais em 2012 corresponderam a 50.4% das despesas do governo federal. A previdência, o amparo ao trabalhador e o programa Bolsa Família foram responsáveis por 9.2% do PIB do ano passado. Com o recente reajuste do salário mínimo e a reformulação do “Bolsa Família”, os programas sociais de transferência de renda vão alcançar peso inédito no gasto público e na economia do país neste ano de 2013.





Pelos dados presentes na execução orçamentária do governo federal o montante chegará a R$ 405 bilhões. Essa dinheirama toda será distribuída entre o regime geral da previdência, o amparo ao trabalhador e a assistência social. Estes números, sem paralelo entre países emergentes, ajudam a explicar a escorchante carga de impostos que nós pagamos anualmente. Sim, porque o governo só faz sua torta justiça social eleitoreira porque nós pagamos a conta.




O fato é que Dilma Rousseff fez o dever de casa direitinho. Ela fez, sim, tudo o que seu mestre, Lula, mandou e seguiu a cartilha econômico-populista-eleitoral a risca. Detalhe, a criatura saiu-se melhor do que o criador a tirar pelos números que vimos. E esse foi o problema. Quando Dilma disse a Lula que a popularidade dela cresce por causa da economia, ele deve ter dito que era para fazer o que ele mandou, mas que não precisava fazer tão bem feito.







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