quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quem disse que política, religião, carnaval e futebol não se misturam?






Na terça-feira da semana passada o prefeito Romero Rodrigues realizou uma solenidade no Palácio do Bispo para oficializar o apoio financeiro de sua gestão aos encontros religiosos, que acontecem nos dias de carnaval, e para as escolas de samba. Dois dias depois ele se reuniu com os presidentes do Campinense Clube e do Treze Futebol Clube para renovar os contratos de patrocínio que a Prefeitura Municipal de Campina Grande havia firmado com os dois times no ano passado.





O prefeito liberou R$ 340 mil para os eventos religiosos e as escolas de samba e R$ 70 mil para os dois times. A prefeitura assumiu, ainda, uma dívida de R$ 240 mil que a gestão do ex-prefeito Veneziano Vital havia deixado em aberto para com os dois times. Num momento de tão graves dificuldades financeiras, quando os servidores públicos municipais ainda estam com salários atrasados e fornecedores não sabem bem quando receberão os atrasados da gestão passada, Romero Rodrigues justificou sua atitude. Disse ele que “apesar das dificuldades financeiras, o governo não deixaria de apoiar os eventos que projetam Campina no cenário turístico nacional”. Tem razão o prefeito, pois os eventos injetam recursos na economia da cidade e a divulgam pelo Brasil afora.





Mas, a única forma de a Prefeitura Municipal contribuir para com a realização dos eventos é entregando recursos financeiros aos seus promotores? Não custa lembrar que a maioria dos eventos são auto-sustentáveis do ponto de vista econômico. Um que não gera lucro é o desfile das escolas de samba, pois é feito em via pública e as escolas não fazem investimento algum, elas só tem gastos. Assim, a prefeitura entregou R$ 50 mil a Associação Campinense das Escolas de Samba e Troças Carnavalescas.




O Encontro da Consciência Cristão, um evento evangélico que acontece no Parque do Povo, recebeu R$ 140 mil da prefeitura. O evento é patrocinado por um sem número de empresas e os evangélicos lotam suas dependências todos os dias pagando ingressos. Para o pastor Euder Faber, coordenador do evento, a ação do prefeito merece reconhecimento, pois contribui para o crescimento espiritual do povo de Campina Grande. Mas, porque o poder público deve promover o crescimento espiritual de seus cidadãos?




É bom não esquecer que o Estado brasileiro é constitucionalmente laico, ou seja, ele não pode aceitar ou receber influências religiosas. À prefeitura municipal cabe dar as condições estruturais e garantir alguns serviços para o sucesso do evento. É bom não esquecer que a prefeitura já dá grande contribuição para o evento evangélico quando cede o Parque, que é de todo o povo de Campina Grande, para que um determinado ramo religioso promova seu evento.




É estranho que o local onde se realiza nossa festa maior, o São João, seja privatizado por alguns dias para a realização de um evento religioso. Eu fico me perguntando se a coordenação do evento tem alguma contrapartida a dar a prefeitura. Fabio Ronaldo, do Encontro da Nova Consciência, disse que a contribuição da prefeitura, no valor de R$ 90 mil, valoriza o entendimento entre diversos segmentos espirituais. É a mesma coisa, não é função da prefeitura promover o ecumenismo.




Se fosse assim a prefeitura promoveria um único evento reunindo todas as religiões em um único lugar. Alias, eu não entendo porque tantos falam na prática do ecumenismo, mas cada religião se recolhe a um determinado lugar como forma de evitar contatos. Com os outros encontros religiosos não foi diferente. O Crescer, que é o encontro dos católicos, recebeu R$ 55 mil e reforçou a ideia do fortalecimento espiritual do povo campinense. A exceção foi o Movimento de Integração do Espírita Paraibano – MIEP. Segundo seu coordenador, Ivanildo Fernandes, o MIEP não recebe ajuda oficial por questões filosóficas e doutrinárias. Mas, ele não nega a importância da prefeitura para se garantir a continuidade dos eventos religiosos.



 




Quanto ao futebol não é tão diferente. Como se justifica que dois times, com duas grandes torcidas, das maiores do norte-nordeste do Brasil por sinal, precisem receber dinheiro público? Como se explica que eles não sejam auto-suficientes? Porque a prefeitura deve financiar dois times de futebol se eles têm uma inestimável fonte de renda que é sua torcida que paga ingressos para vê-los jogar? O futebol é um negócio e como tal deve ser tratado.




Será que é prioridade do poder público financiar times de futebol que nunca prestam contas de suas movimentações financeiras, que sempre recebem estas “ajudas”, mas que estam sempre em situação falimentar? O poder público ajuda os times de futebol quando faz, por exemplo, obras de infraestrutura como a reforma que se inicia no Estádio Amigão. A Prefeitura não tem que dar o peixe para os times, deve, no máximo, dizer onde eles podem pesca-los.




O fato é que permanece em nossa cultura política a ideia de que antes de existir um cidadão religioso e/ou torcedor de um time de futebol, existe um cidadão-eleitor e que não é de bom tom desagradá-lo em suas paixões para não se perder votos.





Um comentário:

Emerson Tenebra disse...

Ótima analise, mas deixa eu só colocar mais lenha... O evento denominado Encontro da Consciência Cristã, o que fica no Parque do Povo, é o primeiro evento sequenciado que impedem o trafego de transeuntes e veículos, se quero ir numa rua por trás do parque tenho que arrodear todo quarteirão por que a Empresa Estrutural não permite que as pessoas passem pelo local, e ainda são arrogantes e agem como os novos donos, a queixa é geral da população local. Outra, dos encontros, o primeiro ainda trazia turistas que era o da Nova Consciência, os outros foram sendo criados com o intuito de segregar, e o pior, não deixa nada de positivo para a cidade, nem histórica, nem financeira, cidades com menor estrutura (como no caso Garanhuns) criam eventos que movimentam economicamente a cidade, com dados do ano passado Garanhuns que tem 130 mil habitantes, e no carnaval recebeu 20 mil turistas no Festival de Jazz e Blues e movimentou R$1,6 milhões, deixando renda a todos... Qual valor estes encontros deixaram no munícipio??? E agora teremos mais dois eventos onde se permanecerá cercado o Parque do Povo, sem licitação, e com uma só empresa lucrando e o pior, a dita empresa em parte é de um senador do estado irmão de um certo cabeludo... É a coisa tá feia. Emerson Tenebra

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