quarta-feira, 6 de março de 2013

Chávez se foi, o obscurantismo não.









No dia 02 de fevereiro de 1999, Hugo Chávez, um ex-oficial do Exército da Venezuela que há sete anos tinha liderado uma rebelião militar, tomava posse no cargo de presidente da República no Congresso Nacional da Venezuela. Do lado de fora do Congresso havia uma multidão de venezuelanos, quase todos de boinas e camisas vermelhas. Eles davam vivas a Chávez que os conquistou com um discurso reacionário, anti-político e autoritário. No discurso da posse, Chávez disse que: “Quando Deus criou o mundo deu à Venezuela alumínio, petróleo, gás, ouro, minerais, terras férteis, tudo. Mas, se deu conta de que era muito. Não vou dar vida fácil aos venezuelanos, disse Deus, e nos mandou os políticos”.




Depois em várias oportunidades, Chávez disse que Deus o tinha mandado porque tinha ficado com pena dos venezuelanos. Ele sempre disse que não se reconhecia como um político e que não gostava da política. Mas, Chávez era o próprio animal político. Ele tinha experiência, inteligência e sagacidade. Tinha grande intuição para o negócio da política, tanto é que depois que nela entrou nunca mais a deixou. Vejam que Chávez transformou sua doença, e sua própria morte, num grande ato político. A cerimônia da posse de Chávez, para seu primeiro mandato, foi assistida de perto por Fidel Castro que passou a ser uma espécie de guru político do líder venezuelano. Foi Fidel quem ensinou Chávez a se comportar e agir como um ditador.




No dia da posse, o presidente que deixava o cargo, Rafael Caldera, relutou em entregar a faixa presidencial. Alguns anos depois, ele confirmou que não queria passar o cargo para Chávez, pois tinha medo do que poderia vir a acontecer. No ato do juramento, Chávez ergueu a mão diante do presidente do Congresso e com o vozeirão de militar disse: “Juro perante Deus e a Pátria, juro perante meu povo, que sobre essa moribunda constituição darei impulso às transformações necessárias”




Chávez foi original. Prometeu acabar com a constituição, sob a qual jurava fidelidade. E assim foi, quando tempos depois ele criou a Lei Habilitante. Um instrumento que permitia que ele passasse por cima do Congresso e do Judiciário a seu bel prazer. Em outro discurso, Chávez convidou o povo para o funeral da constituição que ele dizia ter encontrado doente. Um dos primeiros trabalhos de Chávez foi acabar com dois partidos tradicionais da Venezuela, o “Ação Democrática” e o “COPEI”.




Foi no início de seu primeiro governo que Chávez lançou as bases para o bolivarianismo. Ele dizia que a Venezuela estava ferida no coração e a beira do sepulcro e que ele era o predestinado a salvar aquilo que, anos depois, chamou de paraíso bolivariano. Ele convidava o povo a segui-lo numa cruzada revolucionária que criaria um novo sistema político e econômico. A rebelião que ele mesmo liderou em 1992 passou a ser tratada como a data em que a independência havia começado.



 


Hugo Chávez não era um homem apenas de palavras. Ele era principalmente de ações e quanto mais espalhafatosas fossem melhor serviam a seus propósitos. No discurso da posse ele editou sua primeira grande medida. Ali mesmo, na tribuna do Congresso, ditou um decreto convocando à realização de um referendo consultivo que desse lastro a ideia de realizar uma Assembleia Constituinte para sepultar a Carta Magna. Ao mesmo tempo em que jurava respeito às instituições, Chávez afirmava seus pendores ditatoriais e prometia fechar o Congresso e rasgar a Constituição. Com a Lei Habilitante e com a força do Exército ele fez as duas coisas em momentos diferentes.




Ao fim de seu discurso de posse, Chávez desceu da tribuna e se dirigiu aos primeiros bancos onde estam senadores da República da Venezuela. Eles se levantaram para cumprimentar o novo presidente. Para surpresa de todos, Chávez passou reto. Não lhes dirigiu uma palavra, um olhar, um gesto qualquer. Pelo contrário, desviou deles de propósito para não ter que cumprimenta-los. O Congresso tinha, então, seus dias contatos. Chávez foi para fora e lançou-se sobre a multidão. Foi abraçado e beijado. Dali ele foi levado, literalmente, nos braços do povo até o Palácio de Miraflores. Lá, improvisou uma cerimônia em homenagem aos mortos na luta contra o imperialismo. Eu não sei que luta foi essa, desconfio que ela nunca existiu.





O furacão Chávez não se acalmava. Ele batizou os 40 anos que o antecederam na presidência de corruptocracia. Foi por isso que ele criou o sistema de assembleísmo, para impor suas vontades às instituições. Chávez dizia que se a natureza se opõe, lutaremos contra ela e a faremos com que nos obedeça. Chávez foi um ditador da era das comunicações. Ele ditava suas ordens sim, mas fazia de um jeito que todo mundo pensava que ele estava pedindo.







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