segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

QUANDO OS ATORES POLÍTICOS DISCUTEM A RELAÇÃO.


Eu sigo atento a movimentação dos atores e partidos políticos, pois preciso entender e analisar a definição das alianças e de suas candidaturas. Por causa disso, inevitavelmente, termino acompanhando o que não deveria ou não gostaria. Fatalmente esbarro em questões fúteis que ficariam em outro plano no que dependesse de minha vontade exclusiva. São coisas que damos uma atenção além do limite, graças a essa cultura novelística que tanto gostamos de ter. Ao analista, cabe separar o joio do trigo. Existem coisas que não se deve dar atenção. Se preocupar com a vida intima dos políticos só contribui para que não se separe o “rame-rame” politiqueiro do ato de politicar. Se me permitem, do POLITICANDO.

 Graças a nossa formação política e social, não aprendemos a separar as coisas públicas das particulares. Na política regional, principalmente, as questões públicas e administrativas terminam sendo uma extensão do mundo familiar dos políticos. Acompanhamos a politicagem, pois os politiqueiros teimam em se tornar governantes. Se não nos preocupamos com os lances da política eleitoral, como poderemos cobrar dos eleitos que atentem para os muitos problemas sociais que temos? Mas, não é incomum que grupos políticos-familiares, enraizados no poder regional, lavem suas roupas sujas em público. Nossa elite política tem o hábito de ocupar a mídia para mandar recados desaforados para seus desafetos.
  
Agora mesmo, acompanhamos uma longa discussão da relação político-familiar. O ex-governador José Maranhão e seu sobrinho, deputado federal Benjamim Maranhão, seguem trocando acusações, críticas e desaforos pela imprensa paraibana. A DR da família Maranhão tem sido tão acirrada que não sabemos onde começam os problemas políticos e onde terminam as questões familiares. Não passa um dia sem que vejamos uma declaração, por menor que seja, sobre a questão. É difícil saber se a “DR dos Maranhão” tem haver apenas com questões político-partidárias ou se os problemas familiares são causa e/ou consequência da discórdia. O fato é que as questões familiares se misturam com as políticas.

 Apenas para atualizar o caro ouvinte, tudo começou quando Benjamim Maranhão resolver mudar de partido. Ele abandonou o PMDB, onde entrou pelas mãos do seu tio José Maranhão, e foi para o Partido Solidariedade, também conhecido pela sigla SDD. Como todo cacique político e patriarca familiar, José Maranhão não gostou do fato de seu sobrinho ter tomado uma decisão sem levar em consideração a opinião que ele havia expressado. O ex-governador queria Benjamim onde sempre esteve e ponto final. O deputado queria buscar novos ares partidários. Ele queria sair da sombra de seu tio para buscar espaço, pois sabia que permanecendo no PMDB terminaria tendo sua postulação, a mais um mandato na Câmara Federal, inviabilizada.

 

Maranhão queria Benjamim no PMDB cumprindo o papel de fiel escudeiro. Benjamim se foi para o SDD ignorando os apelos e as ameaças de seu tio. Consumado o fato, o ex-governador passou fazer duras criticas ao seu sobrinho, sempre através da imprensa. José Maranhão já chamou seu sobrinho de traidor, equivocado e irresponsável. Há a alguns dias, ele disse que Benjamim “não terá apoio na legenda que está, porque ela não existe na Paraíba”. José Maranhão se mostra bastante magoado com seu sobrinho. Ele afirma que Benjamim saiu do PMDB por vontade própria. O ex-governador deserdou politicamente seu sobrinho quando lhe retirou o apoio político. Será que ele deserdou, também, das heranças familiares?

 Benjamim Maranhão disse que não aceita a alcunha de traidor e que saiu do PMDB por causa do jeito arrogante de seu tio em tratar os aliados políticos. Ele chegou a lançar uma nota à imprensa com sua versão para os fatos. O deputado disse que foi obrigado a sair da legenda por não acreditar que é possível que duas candidaturas, da mesma família, disputem o mesmo cargo e pelo mesmo partido. Ele afirmou que sempre foi fiel ao PMDB e que nunca negou a liderança do seu tio. João Almeida, presidente do SDD de João Pessoa, afirmou que a briga entre Benjamim e José Maranhão é coisa de família. Ele a comparou a uma briga entre marido e mulher, onde ninguém deveria meter a colher. Mas, se tudo se resume a uma questão familiar, porque o presidente do SDD tem que dela tratar?
  
Dessa confusão político-familiar se deduz duas questões. A primeira é que a política segue sendo tratada como um negócio exclusivo das famílias tradicionais da Paraíba. Negócio este que não deve sofrer interferências por ser pouco-republicano. A outra questão é que a política partidária deixa de ser tratada como uma coisa pública para se tornar um espetáculo, onde o ator seria o político, a peça encenada seria o drama político-familiar e o espectador seria o cidadão-eleitor que, vez por outra, é convidado a assistir o espetáculo, ou melhor, é convocado a votar.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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