DIRETAS JÁ!

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

O PARQUE DO POVO HIGIENIZADO


Eu vou parodiar Chico Buarque que numa das músicas da Opera do Malandro disse que foi “a Lapa e perdeu a viagem, pois aquela tal malandragem não existe mais”. Eu fui ao Parque do Povo, no final de semana, e perdi a viagem, pois aquele tal SÃO JOÃO não existe mais. A triste constatação é que não temos mais uma festa popular.




O que eu vi foi um lugar aonde as pessoas vão para se divertir sem que necessariamente relacionem isso com o SÃO JOÃO e a cultura popular. Aliás, não é fácil perceber que o SÃO JOÃO começou. Passou-se a primeira semana de nossa festa maior e, pela cidade, tenho dificuldades em ver sinais de uma festa junina. Andei pelo centro de Campina Grande. Quase não se vê os símbolos do SÃO JOÃO. A festa começou, mas é como se a cidade não tivesse se preparado para ela.




Onde estam as bandeirolas, os balões e as fogueiras cenográficas? Afora a decoração feita por particulares, a prefeitura não promoveu, ainda, uma decoração sistemática da cidade. As duas principais entradas de Campina Grande não avisam ao viajante que ele está entrando na cidade do maior SÃO JOÃO do mundo. Eu sei que muitos não vão gostar da comparação. Mas a principal entrada de Caruaru foi dotada de um portal permanente para que se saiba que ali se respira SÃO JOÃO.




Em Campina Grande um viajante desavisado pode vir a entrar e sair da cidade sem perceber ou mesmo saber que já estamos em período junino. O próprio Parque do Povo foi perdendo sua identidade. Vão longe os tempos em que, no FORRÓDROMO, se montava um grande arraial com barracas e comidas típicas. A mãe de todas as ironias é que não se encontra uma boa pamonha ou uma boa canjica no Parque do Povo, pois ele foi higienizado. De lá se retirou os símbolos maiores da festa da colheita do milho.




Outra ironia é que São João, Santo Antônio e São Pedro foram confinados na parte interna da pirâmide. É como se os organizadores da festa tivessem vergonha deles. Hoje, a estrutura montada mais parece com uma grande feira de negócios. Aquilo que chamávamos de barracas juninas parecem stands de venda. Aliás, a decoração que se vê no Parque do Povo, no Açude Velho e no contorno da entrada principal de Campina são balões com as logomarcas dos patrocinadores da festa. Certo. Que se coloquem os patrocinadores. Mas, e os santos e a decoração junina, porque são praticamente inexistem? Afinal, o que se quer esconder?




A maioria das “barracas juninas” são, na verdade, filiais de restaurantes conhecidos da cidade. Algumas são mais luxuosas do que suas matrizes. O Sítio São João foi banido do Parque do Povo! Se antes o turista podia ver e aprender as coisas típicas de nossa cultural junina, sem sair do quartel general do forró. Agora ele se desloca até um local, onde o Sítio São João sobrevive desestruturado. É que querelas políticas exilaram o SITIO SÃO JOÃO do seu local natural.




A impressão que tenho é que os organizadores do SÃO JOÃO não gostam da festa e que só a promovem por uma mera obrigação. Parece haver um propósito na descaracterização - é como se quisessem fazer outra coisa, não uma festa de SÃO JOÃO.  A prefeitura de Campina Grande não parece se preparar para o SÃO JOÃO. Afinal, porque quando a festa começa a cidade ainda não está decorada?




O fato é que aquele clima de SÃO JOÃO de outros tempos não mais existe. O SÃO JOÃO é tratado de forma protocolar. A festa não consegue mais nos remeter às nossas tradições.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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Este é o primeiro disco do Pink Floyd. Já começou assim mesmo: psicodelizado, distorcido, viajadão, cheio de efeitos! É daqueles discos para ouvir vez por outra acompanhado de algo que te dê alguma distorção mental. Aliás, o Floyd começou muito bom, esteve uma época fantástico, e terminou bom! Neste disco temos Syd Barret com Roger Waters, Rick Wright e Nicky Mason, sem David Gilmour, ainda.

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