sexta-feira, 8 de junho de 2012

QUERIA TER 43 ANOS EM 1969.


Arquimedes eu estou fazendo 43 anos. Ou seja, não sou mais um jovem imprudente e nem estou ganhando lenços e meias. Eu me sinto bem. Cabelos brancos não me inquietam e o colesterol está controlado.



Tenho esposa e filhos que me amam, um pouquinho de experiência e já pude fazer algumas coisas boas. Uma coisa que gosto é ter nascido no ano de 1969. Por isso, farei uma seleção de fatos acontecidos em 1969 que queria ter assistido de perto. Mas, por favor, não se preocupem se eles são bons ou ruins, pois o mundo real é diferente do mundo ideal.



Em 1969 os faroestes “MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA” e “BUTCH CASSIDY & SUNDANCE KID”, com Paul Newman e Robert Redford, chegavam aos cinemas. Violência pura, mas com classe.



Meus heróis, THE BEATLES, fizeram “ABBEY ROAD” - arte em forma de disco. Eu nasci embalado por Something, Come Together, Here Come The Sun, Golden Slumbers, etc. Os Beatles se apresentaram pela última vez no telhado da Apple Records, em Londres. A polícia veio e acabou o show, eles riram e John Lennon disse: “o sonho acabou – the drimer is over”. Lennon disse que era só mais uma banda de rock que acabava. Certo, era “apenas” uma banda de rock, mas que banda! Azar meu, cheguei quando eles iam embora.



Em 1969 tinha PINK FLOYD, a experimentação levada às últimas consequências. Tinha LED ZEPPELIN com guitarras pesadas e distorções. Tinha CAETANO VELOSO, ainda abaixo do bem e do mal, com seu “Álbum Branco”. Tinha MUTANTES e GAL COSTA com seu 1º disco.



Brian Jones, dos ROLLING STONES, apareceu morto numa piscina. Fiéis ao lema “pedras rolantes não criam musgo”, os Stones lhe dedicaram o show do Hyde Park, em Londres, três dias após a tragédia.



CHICO BUARQUE lançou um disco e foi divulgá-lo na Itália. Lá mesmo ficou, pois a obtusidade militar não o pouparia. Caetano e GILBERTO GIL foram presos, humilhados e exilados, mas Gil deixou “aquele abraço”.



O IV FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO e o V FESTIVAL DA MPB aconteceram, polêmicos como queria a época e ricos em talentos, apesar de “Dom & Ravel” – os Chitãozinho e Xororó da época, só que pior e a serviço da ditadura.




Em 1969 o “PASQUIM”, irreverente e debochado, vendeu 200 mil cópias com LEILA DINIZ na capa. VINÍCIUS DE MORAES tomava seu cachorro engarrafado e compunha, com TOM JOBIM, belas canções.



E teve o festival de WOODSTOCK regado a sexo, drogas & ROCK AND ROLL. Imagine ver, ao vivo, JOE COCKER cantando “A Little Help From My Friends”, com aquele vozeirão de bluzeiro do meio-oeste americano?



Em 1969 surgiram o CONCORDE e BOEING 747, a ARPANET (embrião da internet). E se isolou um gene. Mas, nada como ver NEIL ARMSTRONG pisar em solo lunar. De quebra, foi à 1ª transmissão de TV via satélite para o mundo. Contou-me minha mãe que assistiu aquilo tudo surpresa e emocionada, enquanto eu resumia 1969 ao precioso líquido que jorrava do peito dela.



Teve a estreia do Jornal Nacional, com Cid Moreira, já de cabelos brancos. Jackie Stewart foi campeão na fórmula 1 e Pelé fez seu milésimo gol. CAMPINENSE CLUBE e FLAMENGO não ganharam nada – resguardavam-se para me alegrarem no futuro.



Nos EUA, Charles Manson comandava o assassinato da atriz Sharon Tate e o fato foi usado para se desviar a atenção do povo americano para as atrocidades que o exército norte-americano cometia no VIETNÃ.



Nixon entrou na casa branca, 250.000 pessoas marcharam em Washington pedindo paz, Kadhafi tomou o poder com um golpe e Yasser Arafat tornou-se líder da OLP.



Guerrilheiros sequestraram o embaixador Charles Elbrick dos EUA. Mas a ditadura deu o troco e fuzilou MARIGHELLA no final de 1969. Lamarca desertou do quartel onde servia, foi a luta armada, fez uma cirurgia plástica e namorou a musa da revolução, Iara Iavelberg. Tudo em 69, não dava para perder tempo.



Costa e Silva decretou a 7ª Constituição brasileira e teve uma trombose. Uma junta de três militares assumiu e logo foi chamada de “os 3 patetas”. Em 1969 já fazíamos graça de nossas desgraças.



Para moldar a geração que viria (a minha) o decreto-lei nº 869 pôs “Educação Moral e Cívica” no sistema educacional. E Paulo Maluf assumiu a prefeitura de São Paulo, iniciando uma eficiente carreira de predador do estado.



Escrevendo, eu me lembrei do filme “A INCRÍVEL HISTÓRIA DE BENJAMIM BUTTON”, aquele que nasce velho e morre bebê. Pensei que poderia ter nascido em 1926 com 80 anos. Assim eu teria 43 anos em 1969 e veria os fatos que aqui descrevi. Mas, como Benjamim Button, hoje eu teria dois meses de vida. É melhor deixar como esta.


Daisy é a paixão de Benjamim Button. No filme, enquanto ele rejuvenesce, ela envelhece, mas o amor deles resiste ao tempo. Eu também tenho uma Daisy que com seu amor, ternura e alegria oxigena minha vida, impedindo que eu mesmo envelheça.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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