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segunda-feira, 18 de junho de 2012

UMA PESQUISA COM DADOS NÃO LAPIDADOS


O JORNAL DA PARAÍBA e o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) divulgaram uma pesquisa sobre a eleição para prefeito de Campina Grande. Como toda pesquisa esta retrata um momento específico e traz alguns problemas. Eles não a invalidam por completo, mas fazem sua credibilidade decair.



Antes de continuar, eu vou explicar o que é margem de erro e intervalo de confiança. Pois isso é fundamental para que o eleitor possa ou não confiar numa pesquisa. A margem de erro é a quantidade de problemas que se aceita na pesquisa. Quanto maior a margem de erro, mais se admite que os dados não são confiáveis. Intervalo de confiança é a forma de se indicar a confiabilidade de uma pesquisa. Funciona assim: escolhe-se um pedaço da pesquisa para que com ele se ateste que ela é confiável.



Para que o ouvinte entenda sobre intervalo de confiança e margem de erro, eu vou usar o exemplo das previsões que a meteorologia faz sobre o clima. É comum se dizer que a temperatura vai variar entre, digamos 22º e 34º. Com um intervalo tão grande é impossível errar a previsão. A não ser que aconteça uma catástrofe climática. Nas pesquisas, quanto maior a margem de erro, menor a possibilidade de se errar. No entanto, isso pode embutir erros sérios na pesquisa.



A pesquisa do IPESPE traz uma margem de erro de 3,5% para um intervalo de confiança de 95%. Particularmente, confio mais em pesquisas que trazem margem de erro de 2% para um intervalo de confiança de 99%. Nessa pesquisa Daniella Ribeiro aparece com 24% e Romero Rodrigues com 22%. Se aplicarmos a margem de erro de 3,5% poderemos até ter uma inversão do resultado, com Romero em primeiro e Daniella em segundo.



Como Tatiana Medeiros aparece em terceiro lugar com 14% e Guilherme Almeida em quarto com 6%, o IPESPE concluiu, apressadamente diga-se de passagem, que “a disputa está mesmo polarizada”. Digo apressada, porque a campanha eleitoral não começou efetivamente. Faltam questões a se resolverem em torno das candidaturas, como os vices e os apoios, que podem alterar as coisas drasticamente. Não se pode falar em polarização quando as convenções e o guia eleitoral ainda não aconteceram. Mas, a pesquisa espontânea deixou Romero a apenas um ponto percentual de Daniella. Isso deve ter influenciado a apressada conclusão do IPESPE.



Outro dado que favorece a Romero é que ele foi apontado como o candidato que os eleitores mais conhecem bem. Apesar de que Daniella ficou com um ponto a menos do que Romero neste quesito. A pesquisa não trouxe boas notícias para Tatiana Medeiros. No quesito rejeição ela apareceu com 27%. Um percentual doze pontos a cima em relação à última pesquisa.



A surpresa ficou por conta da rejeição de Arthur Almeida, 35%, e de Sizenando Leal, 31%. Mesmo sendo os menos conhecidos da população, eles apresentam a pior rejeição. Se poucos os conhecem, como tantos podem rejeitá-los? Aliás, tem algo estranho com a rejeição dessa pesquisa. Todos os candidatos tiveram altos índices. Daniella, a menos rejeitada, teve 16%. Será que o eleitor campinense resolveu rejeitar a todos?



Falando em dados pouco confiáveis. Tem algo que contraria a campanha publicitária, estampadas em outdoors pela cidade. Nela o prefeito Veneziano tem seu governo avaliado positivamente por 70,7% da população. Mas, se somarmos os percentuais de Daniella e Romero na pesquisa IPESPE chegamos a 46%. Ou seja, quase metade da população prefere uma candidatura de oposição ao governo municipal.



Das duas uma. Ou os dados não receberam o devido tratamento nestas pesquisas, ou os eleitores que as responderam não tem a menor ideia do que disseram.

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