segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A REELEIÇÃO E A ONDA DA MUDANÇA.


Existem três variáveis que influem fortemente numa eleição para o governo de qualquer um dos Estados brasileiros. A primeira é a eleição ter que ir para um 2º turno caso um dos candidatos não atinja aquele limite de 50% mais um dos votos válidos. A segunda é o expediente da reeleição e a terceira são as chamadas ondas de mudança que, vez por outra, acometem o eleitorado brasileiro. Ao se relacionarem, estas três variáveis podem interferir fortemente nos rumos das eleições estaduais. A partir dos dados que as pesquisas nos vão fornecendo podemos ver que em apenas 11, dos 27 estados, as disputas para os governos devem terminar no 1º turno. Ou seja, o expediente de uma eleição em dois turnos é algo muito bem aprovado no Brasil.

A ideia de que a eleição de um candidato em dois turnos dá legitimidade ao processo decisório foi aprovada em muitos países. A lógica da maioria simples, já no 1º turno, não fortalece o eleito. Em nome da legitimidade, a que se ter pelos menos a maioria simples já num 2º turno, depois de se ter sido testado num 1º turno. O sistema de reeleição é utilizado em países com sólidas democracias, mas não da maneira que nós usamos. É que, entre nós, a reeleição se alimenta de meios e mecanismos nem um pouco republicanos. Inclusive, quando um governador perde o pleito em que disputou a reeleição é comum se dizer: “mas, como ele pode perder a eleição tendo a máquina do governo nas mãos?”. De fato ser reeleito no Brasil é, ou era, algo corriqueiro.

Vejam que nas eleições presidenciais, FHC e Lula foram reconduzidos para um segundo mandato. Se Dilma Rousseff perder esta eleição, será a primeira presidente a não ser reeleita. Nos Estados não é muito diferente. Quanto à onda de mudanças não há constância. Às vezes a vontade de mudar vem na forma de um tsunami avassalador, como na primeira eleição de Lula em 2002. Às vezes a vontade de mudar não passa de uma marolinha, como na reeleição de FCH em 1998. Vejam que de 1990 para cá a maioria das eleições estaduais se resolveram no 2º turno. Neste ano, por exemplo, tivemos 2º turno em 16 Estados. Em 1994 aconteceu o 2º turno em 18 Estados. Em 1998 foram 13 Estados, em 2002 foram 14 e em 2006 foram 10.

Na última eleição, em 2010, tivemos 2º turno em 18 Estados. Na pequena e heroica Paraíba, tivemos uma única eleição decidida em 1º turno nessa série. Em 1998 José Maranhão foi eleito governado, já no 1º turno, com quase 81% dos votos válidos.  O 2º colocado nesta eleição foi Gilvan Freire com 16% dos votos válidos. A tirar pelas pesquisas eleitorais que temos, feitas nos Estados por institutos como Datafolha, Ibope e CNT Sensus, deveremos ter 2º turno em algo em torno de 18 Estados da federação. Este será um ano com o menor número de eleições encerradas no 1º turno. Ou seja, são os Estados onde o 1º colocado ultrapassará as intenções de voto de todos os seus adversários somados, obtendo 50% mais um dos votos válidos já no 1º turno.

Os estados onde as pesquisas quase não deixam dúvida sobre essa possibilidade são: Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Piauí, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Tocantins. O IBOPE até apontou essa situação para a Paraíba. Mas, como caldo de galinha, cautela e chocolate nunca fizeram mal a ninguém, pelo menos não a mim, é melhor esperar o resultado final, pois, aqui na Paraíba, a única certeza é que o sol vai nascer primeiro lá em João Pessoa. Uma curiosidade é que apenas nos Estados do Amazonas e do Mato Grosso o governador foi sempre eleito em 1º turno nessa série histórica. O eleitor desses Estados deve ser bastante pragmático ou então deve ter uma enorme preguiça de ir às urnas.

Apenas o Estado do Pará nunca teve uma eleição decidida em 1º turno desde 1990. Seria o eleitor paraense o mais consciente do Brasil? Aquele que sempre levaria a decisão para último momento do 2º turno para tornar sua decisão a mais legítima possível? Os partidos que mais venceram eleições de governadores no 1º turno foram PMDB, com 17 vitórias, DEM (incluindo o antigo PFL) com 16 e PSDB com 15. Não por acaso, PMDB e PSDB são os com mais chances de eleger governadores neste 1º turno de 2014. Mas, a vida não está mesmo fácil para ninguém. Temos 18 governadores candidatos à reeleição, mas apenas 06 deles estão em primeiro lugar nas pesquisas. Apenas 02 devem garantir a vitória no 1º turno, considerados levantamentos mais recentes.

Geraldo Alckmin, do PSDB em São Paulo, e Raimundo Colombo do PSD em Santa Catarina devem ser eleitos em 05 de outubro. Todos os outros 16 governadores enfrentam disputas acirradas e lutam contra uma oposição das mais fortes. Vejam o nosso caso aqui mesmo na Paraíba. Se as urnas confirmarem essa dificuldade, de governadores que tentam se reeleger, veremos que a onda da mudança não se aplica apenas ao plano federal. Nos Estados os eleitores parecem também desejar uma troca das forças no poder.  Outra coisa é que o mecanismo da reeleição é forte, mas nem tanto, pois quando o eleitor não gosta do chefe do Executivo estadual parece não pensar duas vezes em lhe negar um segundo mandato, independentemente da força da máquina eleitoral governista. Será que vai ser isto que vai acontecer em nossa Paraíba?

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QUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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