DIRETAS JÁ!

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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

UM SHOW DEMOCRÁTICO DE HORRORES.

Na semana que passou fui acometido do mal que metade da humanidade sofre e a outra metade vai, um dia, sofrer. Tive sérios problemas em minha coluna cervical, fiquei praticamente imobilizado e tive, por ordens médicas, que guardar repouso absoluto. Como minha coluna cervical não me sustentava, a COLUNA POLITICANDO teve que sair do ar. Passei uma semana impossibilitado de fazer muitas coisas. Mesmo com as dores que sentia, assisti aos debates entre os candidatos a presidência e ao governo. E assisti a quase todas as edições do Guia Eleitoral tanto no rádio como na TV. Eu descobri que existem muitas formas de se assistir a Propaganda Eleitoral. Uma delas é aquela em que não levamos muito a sério o que dizem os candidatos.


O péssimo estado de minha coluna não impediu que meu cérebro e meu senso crítico funcionassem a ponto de entender que a melhor coisa a fazer é duvidar, e até desconfiar, de tudo que os candidatos dizem e fazem no Guia Eleitoral. O que eu assisti nestes dias de dores intensas foi um show democrático de horrores. O fato é que a cada nova eleição a tal festa da democracia só piora. Em nossa pequena e heroica Paraíba tem se feito uma propaganda eleitoral democraticamente pavorosa. Mesmo que eu não queira falar do contínuo massacre que a língua portuguesa sofre, vi candidatos cometendo erros de todos os tipos. Mas, se compararmos com o que vi de outras cidades, talvez tenhamos algum alento.


Assisti propagandas eleitorais de Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador. Enfim, colhi personagens do guia eleitoral pelo Brasil afora. Com a nossa festa da democracia dá para rir, dá para chorar e se revoltar com as coisas que se vê. Eu vi candidatos como “Cara de Hamburguer” da Bahia, “Divino Bosta de Vaca” de Minas Gerais, “Zezinho Merda” e “Mick Jagger do Brasil” de São Paulo, “O homem da jumenta teimosa” do Tocantins, “Pirulito do Amor” do Acre.  Eu revi as bizarrices de sempre como “Didi Cachorrão do Brega”, “Perereca do Alumínio”, “Bixa Muda” e “Elvis não Morreu”. Apareceu um que diz que para acabar com o fedor, só votando em “Cocô”. Isso tudo, claro, em nome da festa da democracia.



Aqui na Paraíba os candidatos são mais comedidos. Mas não escapamos de algumas excentricidades e nem daquele tipo de candidato que desconhece totalmente o papel que deve desempenhar caso seja eleito. Eu devo ter visto algo em torno de 60 candidatos a deputado estadual e federal, além dos candidatos ao Senado. Apenas dois falaram das funções de um deputado. Um deles disse que o parlamentar deve representar o povo e fiscalizar os atos do poder executivo. Isso é o óbvio ululante, mas pelo menos alguém disse. Foram apenas dois num mar de defensores do povo. Quando será que essa gente vai, finalmente, entender que o cidadão não quer ser defendido, nem vitimizado? O que o cidadão quer é ser bem representado.



Tem candidato dizendo que vai criar a Secretaria Especial contra a Violência. O caro ouvinte não caia numa tolice dessas, pois já existe no Governo estadual a Secretaria de Segurança Pública. Além do mais, isso não é atribuição de um parlamentar. Tem um candidato que não fala, apenas entoa o hino da Igreja que deve frequentar. Seguimos com grande quantidade de pastores evangélicos candidatos, trazendo as demandas de suas igrejas para a política eleitoral. Esses candidatos usam seus preciosos segundos para falar de suas crenças religiosas. Esquecem que estam postulando uma vaga numa instituição política que é constitucionalmente laica, ou seja, que não faz votos religiosos.

 

Tem um candidato, que pensa ter a melhor das intensões, que defende que o salário dos deputados sejam igualados ao dos professores da rede pública. Como professor, eu discordo. Sugiro que o salário dos professores sejam equiparados ao dos parlamentares. Tem um deputado, candidato a reeleição, que teve um ataque de sinceridade no guia eleitoral. Ele confessou que não foi um bom deputado. Depois ele diz que foi um bom amigo. I.e., como não estamos escolhendo amigos, melhor não votar neste candidato. Tem candidato querendo ser eleito com votos de sua categoria profissional. É um tal de fulano do sacolão, de sicrano da construção, de beltrano da farmácia. Tem um que vai lutar pelo aumento salarial de sua categoria. Não seria melhor que ele fosse candidato à presidência de seu sindicato?


E tem os candidatos que dizem que não tem a política como profissão. Tem um que confessa detestar a política. É incrível, como eles desdenham daquilo que querem fazer parte. Desconfie, caro ouvinte, do politico que não gosta de politica. Tem aqueles que estam no desespero. Tem um que pede encarecidamente, quase chorando, para que se vote nele. Mais um pouco, e ele implora de joelhos. E tem o que cria uma frase de efeito que no final não diz nada, como “eu vou ajudar a ajudar”. Enfim, caro ouvinte, o guia eleitoral está aí para que tenhamos elementos para escolher. Se depois de tudo, você não gostar de nada do que viu e ouviu é simples de resolver. Na urna eletrônica tem uma tecla (branca) para isso.


Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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Este é o primeiro disco do Pink Floyd. Já começou assim mesmo: psicodelizado, distorcido, viajadão, cheio de efeitos! É daqueles discos para ouvir vez por outra acompanhado de algo que te dê alguma distorção mental. Aliás, o Floyd começou muito bom, esteve uma época fantástico, e terminou bom! Neste disco temos Syd Barret com Roger Waters, Rick Wright e Nicky Mason, sem David Gilmour, ainda.

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