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terça-feira, 9 de setembro de 2014

IDEOLOGIA, VOCÊ TEM UMA PARA VOTAR? PARTE I.

No final de semana o Datafolha trouxe mais uma pesquisa com intensões de voto para presidente da República. A pesquisa trouxe dados qualitativos que podem ajudar para que entendamos mais e melhor como está funcionando a cabeça do eleitor brasileiro. O Datafolha trouxe um empate técnico entre Dilma e Marina, mas isso nós já sabíamos. A presidente aparece com 35% e a ex-senadora com 34%.  Aécio Neves vem em 3º com seus minguados 14%. A “nanicada”, animada como sempre, soma 04%. Mas, o Datafolha percebeu que houve uma espécie de acomodação nas intenções de voto para Marina Silva. Aquele crescimento vertiginoso parece não mais acontecer. É que os efeitos da catarse pós-morte de Eduardo Campos começam a esmorecer.

Sem contar que com o crescimento nas pesquisas, Marina virou alvo de seus adversários e algumas contradições e equívocos começam a aparecer, a exemplo da dubiedade da ex-senadora em relação à criminalização da homofobia e da questão da camada pré-sal. Vejamos, por exemplo, a simulação da eleição no 2º turno. Na última semana de agosto, Marina tinha 50% das intenções de voto contra 40% de Dilma. Agora, a diferença caiu para 07 pontos percentuais. Marina tem 48% contra 41% de Dilma.  Ou seja, não temos uma eleição definida, mesmo que os “marineiros” mais empedernidos queiram assim acreditar. Mas, aqui, interessa ver que o Datafolha teve a preocupação de saber o perfil ideológico dos eleitores de Dilma e de Marina.

A principal descoberta foi que Dilma é mais bem votada entre os eleitores de esquerda e centro-esquerda e que Marina ganha entre os eleitores de direita e centro-direita. Aqui, temos dados qualitativos para que não esqueçamos que as ideologias ainda existem. Apesar de que é sempre bom lembrar que, quando o assunto é ideologia política, o eleitor brasileiro não sabe muito bem o que é e nem o que quer. Nunca fomos dados a cultivar as ideologias do jeito que nos chegaram, tampouco fomos capazes de criar uma. O federalismo iluminista e liberal da independência dos EUA foi sendo transformado, quando aqui chegou, nesse republicanismo escravocrata nada republicano. Os ideais socialistas foram expropriados por vários setores de nossa sociedade.

 
Eu já tinha tratado, aqui no POLITICANDO, das colorações ideológicas nas eleições desse ano. Em nosso cardápio eleitoral temos Levi Fidelix, José Maria Eymael e o Pastor Everaldo representando as ideias de uma direita conservadora e autoritária. Representando concepções de uma esquerda com viés mais liberal, mesclado com o ambientalismo, temos o Eduardo Jorge. E temos, também, a esquerda revolucionária, dita bolivariana, representada por Zé Maria, Luciana Genro, Mauro Iasi e Rui Costa.  Certo, até aqui tudo bem. Mas, e Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves? Onde poderemos aloca-los? Para facilitar, colocarei Aécio Neves numa centro-direita, com tendências liberalizantes, em que pese os pendores fisiológicos do PSDB.

O fato é que o Datafolha detectou que quanto mais a direita estiver o eleitor, melhor é o desempenho de Aécio Neves. Detectou, também, que uma crescente direita e centro-direita é que está colocando Marina nessa situação tão vantajosa. Ao mesmo tempo, se viu que quanto mais a esquerda estiver o eleitor, mais cresce o potencial de votos de Dilma. No grupo de eleitores tidos como de esquerda, Marina fica nove pontos percentuais atrás de Dilma. Na simulação para o 2º turno, no universo de eleitores de esquerda, Dilma aparece com 50% das intenções de voto e Marina com 43%.  Quando se inverte a situação e passa a ser lidar com os eleitores de direita, Marina tem boa margem sobre Dilma.


Entre os eleitores de centro-direita, Marina aparece com 49% contra 37% de Dilma. Já entre os eleitores de direita a diferença vai a 14 pontos percentuais pró Marina Silva. Com esses números, podemos dizer que Dilma é de esquerda e Marina é de direita? Não, claro que não. Aqui, a ideia é buscar elementos para entender a preferencia dos eleitores considerando a variável ideologia política. E como bem sabemos, a maioria dos políticos brasileiros são pragmática e propositadamente desideologizados. Para poder cruzar os dados entre preferencia eleitoral e questões ideológicas, o Datafolha aplicou dois questionários. Num perguntou as questões de sempre como em quem se vai votar, quem se rejeita e como se avalia o governo.

Noutro se fez as perguntas que levam o eleitor a se posicionar e a se colocar num determinado campo de ideias políticas. São questões sobre religião, drogas, criminalidade, pena de morte, homossexualidade, pobreza, aborto, etc. A lógica é um tanto quando formal, mas funciona. A maioria dos que são, por exemplo, a favor da descriminalização das drogas e contra a pena de morte disserem que votam em Dilma. Assim se conclui que ela tem mais votos no eleitorado de esquerda. A maioria dos eleitores de direita vota em Marina, porque são contra a descriminalização das drogas e a favor da pena de morte. Amanhã, vou continuar essa análise sempre perguntando se você, caro ouvinte, tem uma ideologia para votar?

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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