quarta-feira, 30 de outubro de 2013

E OS ATORES SE MOVIMENTAM.








Ontem, eu analisei o papel que o “Blocão” vem desempenhando na política paraibana e chamei a junção de PT, PP e PSC de “condomínio partidário”. Algumas pessoas não gostaram de eu ter dito que uma candidatura própria contestaria a natureza do “Blocão”. Eu, ainda, afirmei que o “Blocão” não é dono de suas vontades e que seu oxigênio vem do projeto eleitoral do PT nacional.



Um ouvinte me contestou dizendo que o “Blocão” tem autonomia suficiente para lançar candidatura própria e que torce por isso. Eu devo dizer, também, que torço para que surjam alternativas, de modo que o eleitor não fique preso às bipolaridades eleitorais de sempre. Mas, a realidade política é sempre bem mais complexa do que queremos e gostamos. Nas últimas 72 horas atores políticos relevantes tem se movimentado intensamente pelo cenário onde os palanques serão montados em 2014. A deputada estadual, pelo PP, Daniella Ribeiro disse que o “Blocão” terá candidatura própria, forte e competitiva.



Ela disse acreditar que o cenário das eleições municipais se repetiria nas eleições estaduais. Daniella se referia à aliança que PT e PP realizaram e que, por exemplo, elegeu Luciano Cartaxo prefeito de João Pessoa. Mas, o presidente estadual do PP, e pai da deputada Daniella, desautorizou sua filha e disse que seu outro filho, Ministro Aguinaldo Ribeiro, não será candidato nem a Senador, como quer a presidente Dilma, e nem a governador, como querem os deputados que compõem o “Blocão”.




Enivaldo Ribeiro falou na qualidade de presidente e cacique de seu partido, além de chefe de uma família influente nas coisas da política paraibana. Mas, o que verdadeiramente o autoriza a falar é o fato de ser pai do Ministro e da deputada. De posse de todos esses predicados, o ex-deputado vaticinou que Aguinaldo Ribeiro será candidato a deputado federal para estar no cenário nacional em 2015, apto para voltar ao Ministério das Cidades se Dilma for reeleita, claro. Enivaldo Ribeiro disse que “essa não é uma decisão do partido, e sim uma opinião pessoal”.



Mas, não duvidem, será isso mesmo que vai acontecer, pois, no Brasil, a opinião de hoje do cacique político é a decisão partidária de amanhã. A família Ribeiro, e o PP, não querem abrir mão do Ministério das Cidades, por isso que o “Blocão” é e continuará sendo um instrumento para viabilizar esses interesses, independente do queriam alguns deputados, inclusive a própria Daniella Ribeiro.




O PT, claro, apoiou tal decisão, pois tudo gira em torno da reeleição de Dilma Rousseff e o clã dos Ribeiro é, hoje, o principal cabo eleitoral da presidente na Paraíba. Quem não gostou nem um pouco dessa história do “Blocão” ter candidatura própria foi o PMDB. O ex-prefeito Veneziano Vital foi logo dizendo que só existe uma candidatura, a dele, no campo das oposições ao governo de Ricardo Coutinho. Ele disse que, por causa da questão nacional, PT e PP tem que apoiar a candidatura do PMDB ao governo estadual.




Veneziano disse, ainda, que o PP deveria parar de especular e lançar uma candidatura. Mas, papai Enivaldo veio logo em defesa de sua filha, sendo duro com o ex-prefeito de Campina Grande. Nessas horas, os laços sanguíneos falam sempre mais alto. Ele disse que “Veneziano deve cuidar do PMDB, não impor candidatura para o lado de cá e convencer o povo de Campina que não quer mais votar nele”. O fato é que eles discutiram por nada, pois bem sabem que o “Blocão” não lançará candidatura.




O ex-governador José Maranhão anunciou que será candidato a deputado federal e disse que até faria um esforço para disputar uma eleição majoritária, mas que percebeu que “devo me sacrificar em nome do meu partido”. Vejam que atitude magnânima! Mas, existem outras questões. Maranhão entendeu que não tem mais forças políticas suficientes para disputar o governo do estado ou uma cadeira no senado. Entendeu, também, que disputar contra lideranças bem mais jovens do que ele exigiria uma energia que ele parece não ter mais.




E, como sempre, tem a questão familiar. É que, no Brasil, os interesses familiares se sobrepujam aos interesses republicanos. O fato é que Maranhão ainda não digeriu que seu sobrinho, Benjamim, tenha saído do PMDB para se filiar ao Solidariedade. Se Benjamim não tivesse fugido da órbita político de seu tio, ele o apoiaria, mas Maranhão se sentiu traído por seu sucessor político e agora parece querer vingança. São coisas da família que podem ser resolvidas num almoço de domingo lá em Araruna.


 



PT e PMDB estam em pé de guerra na Paraíba. O deputado Anísio Maia disse que o PMDB está em processo de decadência. Trócolli Júnior rebateu dizendo que “Maia vai ter que engolir essas declarações infelizes”. Essa briga é a de sempre. Os partidos são aliados, mas se enfrentam para ver quem terá mais espaço nos palanques. PT e PMDB não pensam em desfazer a aliança que possuem na Paraíba, até porque Lula e Michel Temer não deixariam isso acontecer por nada desse mundo.



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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.





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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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