sábado, 11 de janeiro de 2014

A ELEIÇÃO BRASILEIRA NÃO É UM JOGO DE SOMA ZERO.


 

A revista inglesa “O ECONOMISTA” trouxe, em sua primeira edição de 2014, uma matéria sobre as eleições presidências deste ano. A reportagem veio recheada de lugares comuns e das obviedades de sempre sobre uma eleição e sobre o Brasil. Daí, o caro ouvinte pode me perguntar por que, afinal de contas, eu vou perder meu tempo em analisar essa matéria. Primeiro, não deixa de ser interessante observar como somos vistos em outros países. Mas, importa ver que entra eleição, sai eleição, e a imprensa de outros países segue analisando o sistema politico brasileiro como se ele fosse absolutamente democrático. É que para os europeus, ao contrário de nós, eleição é sinônimo de democracia.


A revista “O ECONOMISTA” afirma, com todas as letras, que “o resultado das eleições presidenciais de 2014 no Brasil é imprevisível". Sim, é imprevisível, como se espera de toda e qualquer eleição, mesmo que seja no Brasil. Em que pese nossas imperfeições de toda sorte, começamos a aprender a lidar com as incertezas do resultado eleitoral, mesmo que ainda estejamos dispostos a utilizar de mecanismos e expedientes pouco republicanos para antever resultados. Na verdade, aceitamos sim as incertezas do resultado eleitoral desde que partidos e atores políticos, que possam apresentar uma real proposta de profundas mudanças, não estejam participando diretamente do jogo eleitoral.


Por acaso não foi isso que aconteceu com Marina Silva e seu “Rede Sustentabilidade”? Os grandes partidos, e o governo federal, se sentiram tão ameaçados pelas possibilidades eleitorais de Marina que deram um jeitinho para impedir que ela participasse do jogo eleitoral. A ex-senadora até vai participar das eleições desse ano, mas com os movimentos podados por causa da aliança, que praticamente foi forçada a realizar, com o PSB do governador Eduardo Campos. Marina será tão somente uma coadjuvante em 2014.


Outra afirmação de “O ECONOMISTA” e que o eleitorado brasileiro quer mudanças. A publicação detectou “um espírito de mudanças, ainda vivo, devido aos protestos de junho e julho do ano passado”. O problema, aqui, é que “O ECONOMISTA” não enxerga que o expediente da reeleição deixou o eleitorado brasileiro mais conservador, menos propenso às mudanças. Afinal, o projeto “lulo-petista” se mantém no poder já há quase 12 anos. 


“O ECONOMISTA” se deixou levar pelo canto da sereia, pois concluiu que parte do apoio ao governo de Dilma se derreterá se novos protestos virem a ocorrer nos próximos meses, principalmente no período da Copa da FIFA. De fato, as imagens dos protestos de junho e julho de 2012 correram o mundo e deram a impressão que o Brasil enfrentava um tipo de primavera política, tal qual os países árabes. Até nós mesmo chegamos a pensar que dali sairia algo consequente e relevante.  Muitos se deixaram levar pela tola ideia de que o gigante havia despertado. Mas, o que de fato os protestos nos trouxeram de positivo?



É certo que as manifestações fizeram a popularidade de Dilma e a aprovação do seu governo cair um pouco.  Mas, houve uma recuperação, como se vê nas pesquisas feitas entre os meses de setembro e novembro. “O ECONOMISTA” não parece ter acompanhado essas pesquisas ou não entendeu a sazonalidade e a fragilidade dos protestos.  A revista britânica afirmou, também, que as dificuldades da economia brasileira podem causar danos ao projeto de reeleição de Dilma Rousseff. Essa é outra grande obviedade, pois bem sabemos que crises econômicas destroem tudo, inclusive candidaturas.


A Revista diz que a economia pode oferecer uma linha de ataque aos concorrentes de Dilma, pois desde que ela tomou posse que o crescimento tem sido anêmico. Ela mostra, também, que a criação de empregos está esfriando e que os preços estam subindo. Sim, a economia pode ser o calcanhar de Aquiles de Dilma, mas “O ECONOMISTA” esqueceu que ela tem o eficiente bálsamo dos programas assistencialistas que jogam sua popularidade para cima. A revista inglesa disse que o resultado é imprevisível. Mas, enumera as fragilidades dos adversários de Dilma. Ela se engana quando diz que “os demais candidatos ao Planalto não começaram efetivamente a fazer campanha”, pois a pelo menos seis meses eles não fazem outra coisa a não ser campanha eleitoral.


A tal imprevisibilidade que “O ECONOMISTA” viu se deve as ameaças de voltarem os protestos durante a Copa da FIFA.  Mas, a revista não percebe que já fizemos a separação entre manifestações e eleições. Uma independe da outra. Talvez “O ECONOMISTA” tenha percebido que o sucesso de Dilma nas urnas depende do sucesso da Seleção Brasileira na Copa da FIFA. Se o Brasil for campeão não tem manifestação que atrapalhe. Mas, se o Brasil não for hexa campeão do mundo, aí sim a oposição toma gás e passaa ameaçar de fato.


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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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