sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

RICARDO QUER CONTINUAR COM CÁSSIO.


No início dessa semana, o governador Ricardo Coutinho concedeu uma entrevista bastante reveladora em relação aos cenários que vão se desenhando visando às eleições neste ano de 2014. Em 2013, poucas vezes o governador falou em público sobre eleições. Sempre que era questionado, dizia que não era o momento e que só trataria de eleição em 2014. Mas, ele parece estar com tanta vontade de falar em eleição que não esperou o ano terminar.


A entrevista da segunda-feira marcou uma inflexão do governador. Ou seja, ele mudou o tom e a forma do discurso. Ricardo alterou a direção das palavras que pronunciou. Até aquela entonação impositiva, impaciente, mudou. O governador parecia mais leve. Talvez as festas de fim de ano tenham amolecido seu coração. Talvez ele tenha recebido algum presente, de um de seus aliados, que o tenha deixado feliz, com motivos para esse comportamento brando. Talvez Ricardo Coutinho tenha recebido indícios fortes de que o Senador Cássio Cunha Lima não será candidato a governador. O fato de ter dito que fará o possível para que ele e Cássio permaneçam juntos pode ser a demonstração de boa vontade, de reciprocidade.


Se a essa altura do campeonato, Ricardo tivesse a certeza que Cássio seria candidato, o discurso seria outro. Porque o governador adularia um adversário? Isso, definitivamente, não faz parte do jeito Ricardo Coutinho de agir. Ricardo precisou mudar o discurso para não mais afugentar aliados. Chegou o momento de reaglutinar as forças. Uma declaração mais dura, mais raivosa, nesta conjuntura poderia ser a justificativa que faltava para que a aliança PSB/PSDB se desfizesse. O governador é consciente que sem o PSDB, e sem Cássio Cunha Lima, suas chances de reeleição caem drasticamente. Claro, considerando a possibilidade de ser inelegível, Cássio Cunha Lima não teria maiores motivos para se indispor com Ricardo agora.


Essa aliança tem, tal qual um iogurte, prazo de validade. Mas, os aditivos nela colocados podem prolonga-la até as eleições de 2017, quando Cássio não mais seria inelegível, podendo ser candidato a governador, e Ricardo seria candidato a senador. A política partidária eleitoral é algo extremamente pragmática e racional. As alianças se mantem enquanto os atores políticos ganham com ela, independente se eles são de fato aliados ou se convivem em meio às disputas de toda sorte.
Ricardo disse acreditar que o senador Cássio não sairá candidato a governador. É claro que ele não diria por que acredita nisso, mas é lógico que ele dispõe de informações que nó, os pobres mortais, desconhecemos. O governador disse que existe um projeto em curso na Paraíba e que ele está avançando. Daí ele falou em indicadores sociais e econômicos e dos lugares comuns, de quem é candidato, como a história de que muito já foi feito e de que ainda há muito a se fazer.

 

Depois ele ressaltou que Cássio e outras lideranças, de outros partidos, sabem bem que esse processo é feito por muitas mãos e que é preciso pensar a Paraíba não apenas em função da eleição, mas em função de um projeto. Na verdade, ele estava querendo dizer que Cássio Cunha Lima e o PSDB são parte desse projeto desde o começo. Ele estava inferindo que quem faz parte do governo desde o início tem que ser fiel a ele durante a eleição. Vez por outro, Ricardo insiste na questão de que o PSDB não poderia se colocar como oposição de um projeto que ajudou e ajuda a construir. Faz sentido, mas é bom não esquecer que coerência é algo que quase sempre falta na política partidária. A frase usada por Ricardo foi emblemática: “Se depender de mim eu farei tudo que seja possível para que a gente permaneça juntos”. Não fosse Ricardo do jeito que nós conhecemos, eu diria que ele beirou a humildade.


A tática de apelar para a fidelidade ao projeto de governo foi atirada, também, em direção ao vice-governador Rômulo Gouveia que, como todos sabem, tem insistido em deixar o governo para ser candidato a senador da República. Ricardo disse que tudo leva a crer que ele poderá contar com o apoio do PSD, o partido de Rômulo, pois além deles serem amigos, Rômulo é co-responsável pelo desenvolvimento do Estado.


Ou seja, Ricardo insiste em responsabilizar seus aliados para os feitos e desfeitos de seu governo, como forma de fechar as portas que levam a saída do arco de aliança construído em torno de seu governo e do projeto para reeleição. No momento, a principal tarefa de Ricardo é isolar os discursos favoráveis a candidatura de Cássio. Claro, a partir de agora o governador dará lugar ao candidato. A partir de agora administração cede lugar a campanha eleitoral. Esse é o nosso modelo.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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