quarta-feira, 21 de novembro de 2012

UM PARTIDO NO LABIRINTO





O filósofo e cientista político italiano, Norberto Bobbio, já dizia que ao contrário do que muitos pensam o labirinto não ensina onde fica a saída. Na verdade, ele ensina o que se deve fazer para não se seguir os caminhos que levam a lugar nenhum. Eu lembrei essa sábia frase acompanhando, nestes dias, a encarniçada disputa que os caciques do PMDB paraibano travam em torno da disputa para que se saiba quem vai presidir o partido nos anos de 2013 e 2014.




Eu lembrei, ainda, do ditado que diz que “cachorro que tem muitos donos, termina morrendo de fome”. Traduzindo isso para a linguagem partidária lembro que a maioria dos partidos brasileiros tem muito mais caciques do que índios. No caso do PMDB paraibano eu diria que só tem caciques, uns mais poderosos, outros menos. Analisando de perto não vejo índios. Pode ser até que exista algum, mas deve estar tão bem escondido que nem adianta procurar.




O sociólogo alemão Max Weber, que viveu entre os séculos XIX e XX, afirmava que os partidos políticos são formados por líderes, que de fato comandam, e por membros ativos que fazem o partido funcionar, mas sem efetivo poder de decisão. Para Weber um grande partido tem que ter as chamadas “massas não ativamente associadas de eleitores e votantes”. São aqueles que são chamados em tempos eleitorais para confirmarem o que os líderes, ou caciques, já decidiram em fechadas reuniões.




Este é o caso do PMDB paraibano. Ele tem líderes fortes e poderosos, como José Maranhão, Wilson Santiago, Manoel Jr., Vital Filho, Veneziano Vital, etc. Tem uma boa estrutura que garante ao partido um bom funcionamento tanto em tempos eleitorais como nos momentos de entressafra político eleitoral. O PMDB tem a maior massa ativa e não ativa de filiados em todo o estado. Veja-se, por exemplo, que ele conseguiu eleger 58 dos 223 prefeitos da Paraíba nas eleições de 2012. A maioria desses prefeitos vai, sim, apenas ratificar a decisão tomada pelos caciques.





Mas, qual é o problema do PMDB? Porque seus lideres maiores se batem numa luta de vida e morte para ver quem presidirá o partido? Exatamente pelo que eu disse no início – o PMDB paraibano só tem caciques e de alta plumagem. O PMDB segue crescendo quantitativamente. Mas, do ponto de vista da qualidade parece ter parado no tempo. Já se vão longe os tempos em que o PMDB paraibano conseguia produzir um tipo de liderança como Antônio Mariz.


 



As grandes lideranças do PMDB sofrem solução de continuidade. Vejam que José Maranhão não conseguiu nem ir para o 2º turno nas eleições para prefeito de João Pessoa. Sem contar que ele já tinha amargado a derrota de 2010 para Ricardo Coutinho. Em Campina Grande, Veneziano Vital viu sua candidata perder a eleição para o PSDB de Cássio Cunha Lima após ter tido um bom primeiro mandato e um segundo mandato que os próprios peemedebistas não veem a hora de acabar.
Wilson Santiago permanece sem mandato, gravitando aqui e ali em torno das estruturas de poder nacional e regional, esperando a oportunidade de voltar ao senado federal ou a outro cargo qualquer que possa oxigenar sua carreira política. Vital Fº segue confortavelmente no Senado Federal. Mas, com as dificuldades que seu partido enfrenta corre o risco de se isolar. Ele pode vir a ser aquele que influência, mas que só consegue eleger a si mesmo e apenas em alguns cargos pontuais.




O fato é que os caciques do PMDB que perderam a eleição viram na presidência do partido a forma de se manterem no cenário político. Para Maranhão ou Veneziano presidir o partido é a forma de se manterem ativos visando o jogo eleitoral de 2014. Presidir o partido significa ter como manter contato institucional com todos os prefeitos do PMDB pelo Paraíba afora. Significa representar o partido em todas as atividades nacionais e, assim, poder ter contato permanente com a executiva nacional do partido.




Acabadas as eleições, não mais que de repente, os caciques peemedebistas se engalfinharam no embate das declarações. O deputado Manoel Jr., saboreando mais uma derrota de Maranhão, clamava na imprensa pela necessidade de renovação. Maranhão, também na imprensa, dizia que Veneziano não poderia ser o presidente do PMDB já que seria o candidato a governador e que ele mesmo, Maranhão, é que deveria ser o novo presidente.




Não se surpreendam se ano que vem Maranhão vier a dizer que ele próprio deve ser o candidato a governador já que é o presidente do partido, mesmo que as lideranças do PMDB estejam afirmando que Veneziano será o candidato a governador do PMDB em 2014. O fato é que o PMDB paraibano não parece ter aprendido onde fica a saída do labirinto. Muito menos, não entendeu quais são os caminhos que levam a lugar algum. O fato é que com tantos donos o cachorro do PMDB está passando uma fome franciscana.




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Este é o "museu de grandes novidades" do qual nos falava Cazuza. Ante-sala do gabinete do Reitor da Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande.

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