quinta-feira, 29 de novembro de 2012

FULECO E A FULEIRAGEM DA FIFA





A FIFA anunciou o nome do mascote da Copa de 2014.  Trata-se de um boneco que representa um tatu bola, estilizado claro, e o anuncio se deu durante o "Fantástico" da TV Globo por causa da audiência que o programa tem. O tatu-bola foi batizado de FULECO, que é a junção de futebol com ecologia. O nome foi escolhido em votação, organizada pela FIFA em seu site oficial. Eu não consegui entender de onde veio tamanha idiotice. FULECO? Parece uma coisa que não presta!




Foram dadas três opções para que os torcedores votantes pudessem escolher. E, vou logo avisando, cada uma pior do que a outra. Aliás, esse negócio de escolher, através de votação pela internet, o nome para alguma coisa não é tão democrático quanto aparenta. É que um seleto e pequeno grupo elabora uma lista com alguns nomes para só então disponibilizá-los para a votação. Democrático mesmo é se fosse feita uma ampla e livre consulta à população como nas pesquisas eleitorais espontâneas.




A votação foi aberta no dia 16/09, quando o mascote foi mostrada ao público pela primeira vez. A campanha publicitária foi montada para se dar a impressão de uma ampla escolha popular. Apresentava-se o mascote e as pessoas escolhiam o nome. Esse foi o problema. Os gênios da publicidade e do marketing contratados pela FIFA resolveram criar nomes para o tal tatu-bola considerando apenas a irritante mania de se querer ser politicamente correto. Eles criam alguns valores ditos universais e querem que os aceitemos de goela abaixo.




Os nomes criados pelos gênios da publicidade foram AMIJUBI, que é a mistura das palavras amizade e júbilo, e que parece ter sido tirado de um filme da Disney. O outro foi ZUZECO, que é a junção das palavras azul e ecologia.  É preciso explicar, pois é difícil entender que azul + ecologia possa virar ZUZECO. Esses nomes não dizem nada a nós brasileiros. A sonoridade deles não se encaixa na língua portuguesa. Mas, que besteira minha, a língua oficial da Copa é o inglês.







FULECO ficou mesmo torto. Parece uma coisa fuleira, ruim, barata e de qualidade duvidosa. Será que FULECO é uma forma de demonstrar a nítida impressão que todos temos de que essa Copa do Mundo no Brasil vai ser um grande FULECO? Se é para juntar futebol e ecologia, porque não FUTECO. Inclusive, seria mais fácil para a pronúncia em inglês já que nas transmissões internacionais se diz football. Aliás, que mania é essa desse pessoal da FIFA de querer associar futebol com ecologia?




A única coisa que eles acertaram mesmo foi na música tema do mascote. E sabem por quê? Porque foi um brasileiro que a compôs. O sambista Arlindo Cruz fez um tema que mistura samba, xote e embolada. Coisas que reconhecemos muito bem. O tema valoriza o que temos de melhor. Inclusive, ele começa com um coro infantil recitando a famosa expressão do maestro Heitor Villa Lobos que exalta nossa brasilidade: “viva eu, viva tú e viva o rabo do tatu”!




As criaturas que conceberam esses nomes horrorosos se inspiraram em variações da língua tupi-guarani e, claro, se influenciaram pelo tema da ecologia. Se tivessem passados uns dias no Rio de Janeiro talvez tivessem tido melhores ideias. Esse pessoal não conhece nada do nosso jeito brasileiros de ser. Eles não sabem que nós somos o país da piada pronta e que adoramos rir de nós mesmos. Coitados, de tão ignorantes, eles nem imaginam que nós vamos criar outros nomes para o tal FULECO.




Eu já estou imaginando no que isso vai dar, mas não posso dizer aqui no ar. FULECO não remete a futebol e ecologia. Remete a uma coisa que é fuleira. Já Imaginaram quando Galvão Bueno gritar o nome de FULECO para destacar seu nacionalismo burro? Se essa gente sem criatividade queria um nome que se relacionasse as nossas origens ou que valorizasse nossa cultura poderia ter chamado o mascote de João ou de Zé. Nada seria mais representativo do que utilizar um desses nomes tão populares entre nós.




Se eles queriam algo que chamasse atenção poderiam ter batizado o mascote de Pelé, Garrincha, Zico, Tostão, Cafuringa, Diamante Negro, enfim, nomes exóticos não faltariam e ainda se faria uma homenagem a um desses grandes jogadores. Mas não, eles queriam ser originais. Queriam ser engraçados. Queria ser politicamente corretos. Queriam relembrar o tupi-guarani. Queriam um monte de coisas. Tudo certo, se não fosse o fato que esse pessoal não vive no Brasil, se brincar nem fala português.




Essa mania de dar nomes aos objetos, como na Copa da África do Sul em que a bola era Jabulani, que significa trazer alegria para todos, não passa de um fetiche dos homens da FIFA para ganharem bastante dinheiro com a paixão alheia. A Copa do Mundo da FIFA no Brasil já tem uma série de problemas com as obras que não andam, com as denúncias de desvio de dinheiro e com o fato de que não vai ter legado algum, agora aparece esse tal FULECO para que agente possa dizer que tudo isso não passa de uma grande fuleiragem.

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