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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O QUE SE PROCLAMOU NAQUELE 15 DE NOVEMBRO?

Hoje eu não vou fazer o POLITICANDO, eu vou fazer um “HISTORIANDO”. É que é sempre bom levantar informações históricas, sobre fatos como o da Proclamação da República, para que agente possa, então, pensar o nosso presente. No sábado tivemos o feriado da proclamação. Porque lembrar algo que não representou quase nada para as pessoas que viviam à época dos acontecimentos? Se não foi importante para a sociedade há 125 anos, o que dirá nos dias de hoje. Quando a República foi proclamada, em 1889, faltavam apenas 11 anos para o século XX. Vários países da América Latina já eram republicanos desde o começo do século XIX. O Chile, por exemplo, tornou-se República em 1823.

A imagem clássica, oficial, da Proclamação é um óleo sobre tela pintado por Benedito Calixto em 1893. Nele se vê apenas homens fardados, alguns montados em cavalos, muitos canhões e um quartel ao fundo. A Proclamação foi mesmo um golpe! Essa gente estulta que fica por aí, pelas ruas, pedindo golpe militar para depor presidente eleito se acha muito moderna e evoluída, mas o que eles estam fazendo e tão arcaico e reacionário como os próprios golpes de estado que já tivemos. A proclamação da República foi isso mesmo. Um grupo de pessoas, cansadas de não terem vez no sistema político que vigorava, foi bater às portas dos quarteis para pedir que os militares intervissem na ordem política e social da época.

A República foi pronunciada publica e solenemente por um grupo de militares e civis. Na verdade, ela foi um ato de força unilateral que passou ao largo da sociedade. A República não foi fruto de um movimento social. Ela se deu por manobras de gabinetes. Foi por isso que o jornal “Diário Popular” trouxe, em 16/11/1889, um artigo de Aristides Lobo dizendo: “O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram que estava acontecendo uma parada militar”. O que influiu mesmo foi à adesão do Exército a causa republicana. Devido aos desentendimentos de oficiais do Exército, com deputados e membros do governo, as Forças Armadas foram deixando de ser monarquistas e aderindo ao republicanismo.

No campo civil, desde 1870 os republicanos vinham se organizando sob a liderança de Quintino Bocaiuva e Saldanha Marinho. Em 1873, o Partido Republicano Paulista foi fundado pelos cafeicultores, mas apenas para pressionar o Imperador. Durante o século XIX, o positivismo se tornou a ideologia oficial do Exército. A aversão dos positivistas ao regime monarquista e a convicção de que uma ditadura militar era a forma ideal de governo, para o Brasil, foi o mote para a causa republicana. Sempre me vem à mente a certeza positivista da Ordem e do Progresso quando vejo paulistanos pedindo golpe militar. Os seguidores de Jair Bolsonaro estam com suas cabeças no século XIX, acreditando que só uma ditadura militar nos salvará.

Durante o ano de 1889 era comum militares de alta patente irem a imprensa criticar os políticos ou reclamar direitos. A chamada “questão militar” começou em 1886 quando o Cel. Cunha Matos atacou o governo num artigo publicado no Jornal A Imprensa. O Ministro da Guerra puniu Cunha Matos. Em 1887, o Cel. Sena Madureira atacou o Senado Federal. Foi, também, punido. Ato contínuo, oficiais do Rio de Janeiro se manifestaram contra uma lei que proibia militares de falarem sobre política. Em 1888, os militares lançaram um documento afirmando a intenção de lutar pela honra da caserna e para que o governo não interferisse nos assuntos dos quartéis. Com a abolição da escravidão, os militares viram a oportunidade de fazerem mudanças.

Foi aí que o tenente-coronel Benjamim Constant convenceu o Marechal Deodoro que era preciso mudar o regime. Como ainda nos dias de hoje, o ideal positivista de construir uma ditadura militar encantava corações e mentes. Deodoro foi convencido de que uma simples mudança em nível ministerial não era solução para a crise institucional reinante. Benjamim dizia que só um golpe militar resolveria a situação humilhante em que a Coroa estava mergulhando o Exército. Deodoro convenceu os setores militares de participarem do golpe republicano com o argumento de que “... a coisa será apenas contra os casacas”. Era assim que os militares chamavam os políticos.

Em 11/11/1889 Deodoro disse que: “Não há mais o que esperar da monarquia. Benjamim e eu cuidaremos da ação militar, Quintino cuida de todo o resto”.  Por “todo o resto” entenda-se o pais e a organização de um sistema político. O resultado dessa aventura golpista nos foi trágico, pois vivemos 36 anos sobre ditaduras no século XX, a fora os anos onde vestígios de democracia coexistiram sob uma couraça de autoritarismo. Desde a Proclamação ainda não tivemos mais de 35 anos contínuos de democracia sem que autoritarismos de todo tipo solapem as instituições. Nossa jovial e festiva democracia eleitoral tem muito que evoluir para se tornar verdadeiramente republicana.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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