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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

PORQUE POLITICO NÃO VIVE SEM FUTEBOL?

No livro “O futebol explica o Brasil” o jornalista e historiador Marcos Gutterman afirma que “o futebol não é um mundo a parte, não é uma espécie de Brasil paralelo, pelo contrário, ele é uma construção histórica e social de nosso país”. O futebol é parte indissociável dos desdobramentos da vida política e econômica brasileira. Gutterman afirma, no que eu concordo, que se bem lido, bem entendido, o futebol consegue explicar o Brasil. É que a relação entre futebol e política é de dependência mútua e de reciprocidade. A obsessão em ter o “melhor futebol do mundo” foi sempre uma demanda do nosso povo e da elite politica e econômica brasileira para que pudesse se manter no poder.

O futebol foi o carro chefe de um projeto de afirmação nacional desde a década de 30. A Copa do Mundo de 1950, no Brasil, prova isso. A Copa de 1970, quando o Brasil foi tricampeão, era, para o governo militar, um sintoma de nossas imensas possibilidades. Na Copa deste ano a ideia era essa. Muito se sonhou com o Brasil hexa campeão para que reafirmássemos nosso orgulho, perante o mundo, e para que projetos políticos fossem viabilizados. Mas, faltou combinar com os russos, digo, com os alemães. O futebol foi sempre um instrumento para viabilizar projetos políticos em nível nacional, tanto na ditadura como na democracia. Mas, disseminado pelo Brasil, o futebol se tornou um dos mecanismos de afirmação dos poderes locais e regionais.

É isso que vejo, agora mesmo, acompanhando a disputa que grupos políticos, da pequena e heroica Paraíba, travam em torno da presidência da Federação Paraibana de Futebol, conhecida por sua sigla FPF.  O envolvimento direto de Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima no processo diz muito do que vem a ser esta eleição. O governador quer colocar um irmão seu na presidência da FPF. Já o senador quer um fiel, quase canino, aliado seu à frente da entidade. Ricardo e Cássio não desceram do palanque. Eles vão disputar, como dois gladiadores, todo e qualquer espaço de poder que for possível. Se for ter eleição para síndico do seu prédio, caro ouvinte, vá atrás que as chapas estarão, de alguma forma, ligadas a eles.

A disputa para a FPF é politica e muito se parece com eleições para prefeito das pequenas cidades da Paraíba. Acontece de tudo, inclusive a descarada compra e venda de votos ou a troca de favores na base do “é dando que se recebe”. O presidente da FPF tem inserção direta sobre os times de futebol e, consequentemente, sobre suas torcidas formadas, claro, por eleitores. Estar à frente de uma federação estadual de futebol pode ser a porta, ou a janela, de entrada para a política partidária.

Nesta disputa temos algo pitoresco, apesar de legal, pois está artigo 22 do Estatuto da FPF. É uma norma que torna a eleição risível, grotesca, ridícula, em que pese expressar os interesses, nada esportivos, presentes no processo. Esta tal norma diz que: “será declarado nulo o pedido de registro de candidatura apresentado por entidade filiada que já tenha assinado outra petição solicitando registro de chapa, anteriormente protocolizado na Federação”. Confuso, não? Mas, a ideia é que seja assim mesmo, túrbido, obscuro, desordenado, para dar margem a muitas interpretações. Eu vou tentar explicar. É que cada chapa inscrita tem que apresentar uma lista com a assinatura de pelo menos 10 votantes do processo.

Cada um dos votantes só assina uma única lista. Ele só pode declarar apoio a uma candidatura. Mas, isso é a mãe de todas as obviedades, das mais irritantes que se pode ter na face da terra. Por que colocar tamanha baboseira num estatuto? O que essa gente da FPF pensa que somos? Um bando de toupeiras galopantes que não atentam para a explícita manipulação que se tenta fazer do processo? É lógico que um votante só pode votar em uma única chapa. A intensão aqui é encabrestar os votos adquiridos mediante acordos nem um pouco esportivos e nada republicanos. Para tornar tudo um pastelão, os representantes das chapas acamparam, literalmente, à frente da FPF desde as primeiras horas do dia.
 Capa da revista Der Spiegel destaca a Copa no Brasil, com manchete alarmista: 'Morte e futebol'
Se um votante assinar duas listas fica valendo à primeira. Vejam que processo viciado. Bastará contar as assinaturas de cada lista, de cada chapa, para vermos quem levou a eleição. Nem precisa contar os votos, que não são secretos, por causa das tais listas. Rosilene Gomes, que só saiu da FPF por força de uma decisão judicial, quer eleger sua chapa para que a Federação siga sendo sua cidadela. Ela disse que a FPF não é lugar para torcedores. É que os maiores times da Paraíba tem lá suas candidaturas. Pois é, D. Rosilene, concordo com a senhora, torcedores não devem estar na FPF. Lugar de torcedor é nas arquibancadas dos estádios, assim como jogadores devem ficar nos gramados. Locais estes que, dirigente e políticos, deveriam ficar bem longe.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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