DIRETAS JÁ!

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

VIVANDEIRAS BATEM ÀS PORTAS DOS QUARTÉIS - Parte I.


Se você foi um dos que, como eu, pensou que o FLA X FLU PT/PSDB acabaria com o fim das eleições, lamento informar, mas a disputa continua e de um jeito onde está valendo tudo. O fato, é que o Brasil não é mesmo para principiantes. Nunca o jus sperniandi foi tão colérico, tão autoritário e antirrepublicano. Fazem 29 anos que deixamos de viver em uma ditadura militar, mas continuamos a nos comportar como se a democracia não valesse nada. As regras do jogo não são respeitadas. Vivemos em um vale tudo político onde o derrotado recorre ao TSE para pedir auditoria do resultado da eleição. Aécio Neves se pronunciou aceitando o resultado e desejando boa sorte a Dilma Rousseff.

Mas, o deputado federal Carlos Sampaio, coordenador jurídico do PSDB, disse que o próprio Aécio deu aval para o pedido de auditoria. O PSDB não pediu a recontagem dos votos, mas quer fiscalizar o processo desde a captação até a totalização dos votos. O PSDB exaltou o papel do presidente do TSE, ministro Dias Toffoli, e disse que não está pondo em cheque a condução do processo. Pois é, não está, mas quer uma auditoria! É estranho que os tucanos só queiram auditar o resultado do 2º turno. Porque não verificar, também, o resultado do 1º turno, quando o próprio Aécio ficou em 2º lugar, depois de ultrapassar Marina Silva? De fato, o PSDB está praticando o velho hábito de buscar na justiça aquilo que não consegue nas urnas.

Mas, se ilude o tucanato “quatrocentão” paulista se imagina que encontrará eco para sua investida, pois se o TSE aceitar essa tal auditoria dirá para a sociedade que nossas eleições presidenciais terminarão sempre num 3º turno judicializado. Ir à justiça, sem o ônus da prova, é um comportamento execrável para um partido que já ocupou o governo. Agindo assim o PSDB contribui para disseminar a cultura golpista em nossa sociedade. É por isso que tantos não aceitam a legitimidade do resultado. É por isso que manifestantes foram a Av. Paulista, no sábado, pedir o impeachment da presidente da República se baseando nas reportagens, pouco confiáveis, de uma revista que a muito se perdeu no espiral de seus próprios interesses ideológicos ou não.

Pior, foi ver esses pobres diabos, desconhecedores das mazelas de nosso passado autoritário, pedir as Forças Armadas que intervenham para apear a presidente do cargo que ocupa por força de uma decisão democrática. Eles pediram o fim do PT. Eu não sei como é que se faz para por fim a um partido. Eu não sei, mas os ditadores sabem. Vestidos de verde e amarelo pediram o fim do comunismo no Brasil. Será que essa gente acha que o PT é um partido comunista? As estrelas da manifestação foram o ex-roqueiro Lobão, não por acaso colunista da Veja, e o deputado Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Lobão, tomado por um nacionalismo debiloide, fez um discurso patético pedindo a recontagem dos votos.

Os manifestantes carregavam faixas. Numa, se lê que: “DILMA SABIA. É A MAIOR FRAUDE DA HISTÓRIA”. Noutras se pedia uma “IMPRENSA LIVRE”; “TODO APOIO AS FORÇAS ARMADAS”; e “IMPUGNAÇÃO OU INTERVENÇÃO MILITAR”. Vi a imagem de um casal, envolto numa bandeira do Brasil, em que a moça carrega um cartaz onde se lê “QUE PAÍS É ESSE?” e o rapaz mostra a Constituição Federal. É assim mesmo que eles vão apoiar uma suposta intervenção militar? Eu sou consciente que não nos curamos de nossa doença ditatorial, mas mesmo assim é desesperador ver pessoas, nas redes sociais, defendendo que só curaremos os males da democracia com a vacina do autoritarismo.

Às vezes penso que essa gente de verde e amarelo, defendendo a volta dos militares ao poder, não assistiu aquelas aulas de história do Brasil onde se mostra que houve uma época em que os adversários do governo eram presos, torturados e mortos. Se for isso, menos mal. Mas, e o que dizer dos que viveram a época da ditadura militar, como Lobão, e mesmo assim ainda a defendem? Lobão, e tantos outros, bem sabem que voltar a um Estado autoritário, militarizado, é um retrocesso perigoso. Se você é daqueles que defendem a ditadura militar por não ter vivido a época, é simples resolver a questão. Basta estudar o assunto nos livros didáticos ou então vá ao You Tube e assista o documentário “O DIA QUE DUROU 21 ANOS”.

Se após isso você não se sentir envergonhado em ter defendido algo que foi nefasto para nossa sociedade, aí não tem jeito, vista sua camisa verde e amarela e vá para a rua de braços dados com Lobão, Bolsonaro, Marco Feliciano e Silas Malafaia. Eu fui educado numa época em que não se tinha a direito a nada. Fui acostumado a achar que defender direitos era coisa de terrorista. Hoje, falar em ditadura soa como um palavrão para os que defendemos os direitos civis. É como levar um soco no estômago. Essa retórica golpista, baseada no discurso da corrupção, serve a quem? Se você quer embarcar nessa aventura autoritária, pelo menos se informe. Não se deixe manobrar pelas vivandeiras de plantão. Aliás, não perca a COLUNA de amanhã que é quando eu vou dizer o que e quem são as vivandeiras que estam batendo as postas dos quarteis.

Você tem algo a dizer sobre essa COLUNA ou quer sugerir uma pauta? gilbergues@gmail.com

AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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Este é o primeiro disco do Pink Floyd. Já começou assim mesmo: psicodelizado, distorcido, viajadão, cheio de efeitos! É daqueles discos para ouvir vez por outra acompanhado de algo que te dê alguma distorção mental. Aliás, o Floyd começou muito bom, esteve uma época fantástico, e terminou bom! Neste disco temos Syd Barret com Roger Waters, Rick Wright e Nicky Mason, sem David Gilmour, ainda.

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