quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O QUE ESTÁ MUDANDO NA POLITICA PARAIBANA?

Na segunda feira o governador, reeleito, Ricardo Coutinho nos surpreendeu anunciando uma ampla reforma na estrutura administrativa do Estado da Paraíba. A surpresa não se deu pelo anuncio da reforma em si, pois ela era mesmo aguardada. É que é normal governos reeleitos fazerem mudanças. Como de um mandato para o outro tem os aliados que se elegem, para cargos no parlamento, por exemplo, e tem aqueles que mudam de lado, se tornando adversários, a reforma é sempre necessária. A surpresa ficou por conta do fôlego e do tamanho da reforma administrativa que será implementada. O governador irá fundir, criar e extinguir secretarias e órgãos da administração direta e indireta.

O que me surpreendeu mesmo foi que Ricardo Coutinho disse os milagres que fará, se colocou, claro, como o santo milagreiro, mas não nos disse os penitentes que serão agraciados com os milagres realizados. Isso só será anunciado no último dia de 2014. Ou seja, o governador deixou para anunciar seus novos secretários e colaboradores na véspera das solenidades de posse para o seu segundo mandato. Esse ato bem demonstra o estilo Ricardo Coutinho de governar. É sempre ele, e somente ele, quem toma as decisões e quem as anuncia. Ricardo é dono do seu tempo. Ele não gosta de compartilhar o anuncio de suas decisões. O máximo que faz e colocar ao seu lado os que possuem prestígio em seu governo.

 
Reformas administrativas costumam ser feitas para abrigar novos aliados. Sabíamos que Ricardo Coutinho realizaria uma reengenharia em sua administração para abrigar os aliados conquistados na eleição. Eu falo do PMDB, do PT e de tantos outros. Os governos brasileiros costumam criar secretarias e cargos para agraciar aliados. Mas, o governador da Paraíba não parece preocupado com isso, pois está promovendo um grande “enxugamento” da máquina. O que será que está por trás disso? Quem tem PMDB e PT, como aliados, precisa criar muitos cargos dada a voracidade que esses partidos têm quando o assunto é a distribuição dos espaços de poder. Porque, então, Ricardo está fundindo secretarias? Ou seja, fechando portas em seu governo.

O governador está enxugando a máquina para limitar a cota dos partidos aliados. A ideia é fazer com que eles tenham dificuldades em se retroalimentarem, dos cargos a disposição, para não serem um empecilho nas eleições municipais de 2016. No anuncio da reforma, o governador disse que vai otimizar a administração no tocante ao espaço físico, pois o Estado “gasta muito com aluguel de imóveis” para abrigar órgãos da administração. A ideia é construir um novo centro administrativo.  Um gestor antenado ao fato de que recursos são sempre menores do que demandas age dessa forma. A ideia é boa, se gasta muito com a obra, para depois se economizar com os recursos administrativos. A questão é como se vai planejar isso.

É que não sabemos fazer políticas de Estado, pois preferimos as conjunturais politicas de governo. O governador foi de uma sinceridade acachapante quando disse que “nossa máquina precisa ser reformada, ela é grande demais para o serviço que presta”. Eu cheguei a pensar que Ricardo estava admitindo culpas e problemas da máquina administrativa em sua gestão. Implícita, em sua fala, está à ideia de que a máquina do governo é grande demais, dispendiosa demais, sem contar que presta um mau serviço.

Essa reestruturação reduzirá cargos comissionados e gerará uma economia de algo em torno de R$ 25 milhões. Vejam que órgãos como EMATER, INTERPA e EMEPA terão um único diretor-presidente e uma estrutura administrativa centralizada.  É por isso que a Secretaria de Interiorização do Estado, sediada em Campina Grande, será extinta. Eu mesmo já me perguntei para que o governo do Estado quer tamanha estrutura numa cidade que fica apenas 120 km da capital. A FAC (Fundação de Ação Comunitária) será extinta. E já não era sem tempo de fechar o órgão especializado em emitir cheques para fins nada republicanos. A secretaria de Recursos Hídricos se juntará a de Infraestrura. Algo um tanto quanto óbvio.

Órgãos responsáveis em pensar o desenvolvimento da Paraíba serão fundidos. A Companha de Desenvolvimento de Recursos Minerais se juntará a Cia. de Desenvolvimento do Estado. É que não faz sentido órgão diferentes para a mesma coisa. Três secretarias (Finanças, Planejamento e Gestão) tinham a mesma responsabilidade, mas atuavam separadamente. Sendo fundidas, economizaremos recursos. Mas, não esqueçamos que por trás disso está o jeito Ricardo Coutinho de governar. Com essa otimização da máquina administrativa, o governador diminuirá demandas e pressões em seu entorno. Diminuindo o diâmetro da sombra de seu governo, Ricardo encontrou um jeito, inteligente, de impedir que seus aliados tentem dominar sua gestão.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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