DIRETAS JÁ!

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

PRENDAM ESSE ESTUPRADOR.

Na Índia uma mulher é estuprada a cada 20 minutos, todos os dias, todos os meses, todos os anos. Em junho, uma indiana foi a uma delegacia em busca de informações sobre seu marido, que havia sumido há vários dias. Chegando lá ela foi estuprada por três policiais. Um deles disse que “uma mulher que vai sozinha a uma delegacia não pode esperar tratamento diferente”. É comum, na Índia, as mulheres serem enforcadas depois de sofrerem abuso sexual. Outro dia, uma adolescente foi violentada, obrigada a beber ácido e estrangulada até a morte por vários homens. Essa barbárie acontece na Índia porque as mulheres vivem em um estado degradante, tidas como menos dignas de respeito.

Mas, essa realidade não é exclusiva da Índia. Segundo a Organização Mundial da Saúde o estupro é um crime praticado em países ricos, em desenvolvimento, pobres e paupérrimos. Ou seja, existem psicopatas animalescos espalhados pelo mundo todo. A OMS mostra que até mesmo na Suécia, país conhecido por seus avanços sociais e econômicos, as taxas de estupro rivalizam com as de algumas nações africanas onde o estupro faz parte da cultura e das tradições sociais e religiosas. No Brasil a situação não é diferente. É bem verdade que aqui não se pratica, diária e livremente, as barbáries da Índia, mas não temos do que nos orgulhar. Pelo contrário, aqui, o estupro é sistematicamente praticado e até defendido.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que há uma tendência de alta desse crime hediondo entre nós. Em 2010 foram 41.180 casos. Em 2011 tivemos 42.482 e em 2012 ultrapassamos a casa dos 50 mil casos. Só em 2013 foram 50.320 casos. Esses números são subestimados, pois se calcula que apenas 35% das brasileiras estupradas vão a polícia registrar queixa contra seus agressores. O comparativo com a taxa de estupros por 100 mil habitantes é alto, se considerarmos que temos instrumentos legais como a “Lei Maria da Penha”. Em 2012 tivemos, por exemplo, 25 casos de estupro em cada grupo de 100 mil mulheres.

E lá vem o meu realismo pessimista de sempre. Lamento dizer, mas não creio que, em 2015, essa taxa possa diminuir. Principalmente agora que temos um deputado que se confessa um estuprador, enquanto discursa na tribuna da Câmara Federal. É isso mesmo, o caro ouvinte não se enganou. Na terça-feira, dia 09, o Deputado Federal Jair Bolsonaro disse que só não "estupraria" a também deputada Maria do Rosário (PT/RS), ex-ministra de Direitos Humanos, porque ela "não merecia". Bolsonaro é um sociopata que sofre de ginecofobia, ele tem medo de mulheres, por isso as ataca. Agindo assim, se equiparou a Paulo Maluf que certa vez disse que o homem que tem desejo sexual pode até estuprar, só não pode matar.

Bolsonaro odeia a democracia com todas as suas forças, tanto é que defende e luta para que voltemos aos tempos da ditadura quando mulheres, adversárias do regime militar, eram sistematicamente torturadas e/ou violentadas nas prisões do Estado autoritário. E não ficou nisso. Numa entrevista ao Jornal Zero Hora, o truculento deputado disse não temer processos e completou a ofensa. Ele afirmou que a deputada Maria do Rosário é uma vagabunda e que não merece se estuprada "porque é muito feia". Em março de 2013, ele chamou Eleonora Menicucci, Secretaria da Presidência da República de Políticas para as Mulheres, de "sapatona". Em 2011, ele discutiu com a senadora Marinor Brito e disse que o partido dela, o PSOL, é uma "coisa de viados".

A mãe de todas as dúvidas é: quando é que esse desvairado será punido? Afinal, ele deixou claro que é, sim, capaz de praticar um crime tipificado no código penal brasileiro. Além do mais, ele feriu de morte o tal decoro parlamentar.  Bolsonaro é um psicopata, despido de caráter e de educação. Mas, não lhe falta inteligência. Ele diz essas barbaridades se escudando no artigo 53 da Constituição Federal que garante imunidade e inviolabilidade ao parlamentar. Esse artigo diz que "deputados e senadores são invioláveis no exercício do mandato, por suas opiniões, palavras e votos". Sem contar que esse Congresso Nacional, conservador e corporativista que temos, não punirá um dos seus nem sob pressão da sociedade.
 
Eu já me acostumei a verborragia autoritária “bolsonariana”. Sabe o que me incomoda e muito me preocupa? É que tantas pessoas concordem com as opiniões estultas de Bolsonaro. Vejam que ele foi eleito deputado, pelo Rio de Janeiro, em 1º lugar. Ele teve exatos 464.572 votos. Ou seja, mais de 400 mil pessoas concordam que ele deve seguir na Câmara Federal defendendo a ideia de que existem mulheres que merecem ser estupradas por serem bonitas. O que será que as eleitoras de Bolsonaro acham disso? O fato é que o estupro é socialmente aceito, pois os estupradores não são, em geral, indivíduos antissociais. Eles são pais de família, têm emprego fixo e não se isolam da sociedade. O estuprador está entre nós e é até mesmo eleito para nos representar.

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