terça-feira, 9 de outubro de 2012

Com que roupa você vai para o 2º Turno? Parte I.






A eleição acabou e, como sabemos, vamos ter 2º turno em Campina Grande. Romero Rodrigues vai disputar com Tatiana Medeiros o direito de administrar a segunda cidade mais importante da Paraíba do ponto de vista econômico. Digo isso, porque do ponto de vista político é mesmo Campina quem mais influencia a modelagem do cenário político paraibano nas eleições para governador do estado.  É o resultado de Campina que pode projetar o resultado estadual.



Os atores políticos relevantes dependem do resultado das eleições campinenses para definirem seus futuros políticos. Veneziano Vital, Cássio C. Lima, Ricardo Coutinho, Aguinaldo Ribeiro, Vital Filho, dependem do processo local mais do que do oxigênio.
Romero ficou em primeiro lugar com 97.659 votos, ou 44.94% dos votos válidos. Tatiana obteve 65.195 votos, ou 30% dos votos válidos. Ou seja, Romero teve exatos 32.464 votos a mais do que Tatiana.




Daniella Ribeiro teve 36.501 votos, ou 16.8% dos votos válidos. Vejam que a diferença entre Romero e Tatiana é quase a quantidade de votos que Daniella obteve. Isso, claro, valoriza a participação da deputada Daniella neste 2º turno. Tanto Romero como Tatiana já anunciaram que vão buscar fazer novas alianças. Mas, para se obter o apoio de Daniella a que se considerar algumas questões. A primeira, é que Daniella terá que refazer todo o seu discurso.




Durante a campanha ela se colocou como candidata independente. Propunha um projeto eleitoral passando ao largo dos dois grupos hegemônicos da cidade. Nos debates, ela se confrontou tanto com Romero como com Tatiana. Para que o apoio de Daniella seja confiável aos olhos do eleitor, ela vai ter que fazer um discurso convincente. Não vai dar para falar em coerência política, talvez seja melhor explorar a justificativa de um acordo baseado em propostas que foram encampadas.




Talvez seja melhor assumir que houve um acordo para, em troca de apoio, se distribuir cargos no executivo municipal. O eleitor prefere ouvir a verdade, não importando qual, a ter que ouvir falsas versões para acordos feitos nos bastidores. Um dos motivos de Daniella não ter ido para o 2º turno foi o fato de ter-se apresentado como candidata independente. O eleitorado não comprou essa ideia porque ainda quer experimentar mais da bipolarização entre os grupos representados por Romero e Tatiana.




O eleitor campinense até aceitaria uma candidatura independente, desde que ela não dependesse de nenhuma grande liderança e/ou grupo político para de fato convencer o eleitor de sua real condição. Como sabemos, Daniella está longe de ser independente.




A candidatura de Daniella sofreu solução de continuidade pelos percalços jurídicos que enfrentou. Ter ficado sem o vice e os minutos do PT foi devastador para suas pretensões. Não ter podido contar com a imagem de Lula no guia eleitoral abateu a estratégia de Daniella. Ele e sua equipe não tiveram maturidade suficiente para enfrentar a situação.







O caro ouvinte quer saber se o apoio de Daniella pode vir a resolver a eleição no 2º turno? Teoricamente sim. Se ela se decidir apoiar um dos candidatos e se dedicar a esse apoio, se entrar na campanha, sim, pode vir a influenciar. Mas, teríamos que ver a capacidade de transferência de votos de Daniella. Nisso ela nunca foi testada. Aliás, ela nunca tinha sido verdadeiramente testada numa campanha para cargo majoritário.



Não é que ela tenha tido um desempenho ruim. É que lhe faltou ânimo, disposição. Em várias situações, era perceptível a impaciência e até certo desinteresse de Daniella para com a campanha. É como e ela quisesse ser prefeita, mas não quisesse enfrentar os custos da negociação de um processo eleitoral.




Na pesquisa eleitoral CAMPINA FM/GRUPO 6SIGMA da metade de setembro, aferia-se a tendência probabilística de migração de votos no 2º turno. Media-se a capacidade de transferência de votos dos candidatos derrotados para os classificados para o 2º turno. Viu-se que se Daniella decidisse apoiar Romero num 2º turno poderia transferir 55.3% de seu capital eleitoral para o deputado. Mas, se Daniella resolvesse apoiar Tatiana essa taxa de transferência de votos cairia para 45.3%.




São taxas de transferência nada desprezíveis que tornam o apoio de Daniella objeto de cobiça. Como a deputado já esteve, junto com seu grupo, em ambos os lados em outros carnavais acredito que não vá ter dificuldades em se decidir por este ou aquela. A questão não é se ela vai ou não apoiar. A questão é como ela vai apoiar. É bom não esquecer que isso é importante, mas que uma eleição não se decide por uma única e exclusiva variável. A que se somar vários aspectos de um processo.




O fato, é que neste momento Romero e Tatiana traçam ou retraçam suas estratégias de campanha para o 2º turno. Mas, pode ter certeza, que elas passam fundamentalmente pelos apoios que eles podem vir a conseguir.




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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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