quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O FEITO E A ORDEM DE MAJOR FABIO.

A Equipe de Jornalismo da Campina FM concluiu no sábado passado a série de entrevistas com os candidatos ao governo do Estado da Paraíba. Foram seis sábados seguidos onde cada um dos seis candidatos pode falar sem maiores limitações. A série começou com a entrevista de Antônio Radical e seguiu com as entrevistas de Vital Filho, Tárcio Teixeira, Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima. No sábado fizemos a última entrevista com Fabio Rodrigues de Oliveira, do PROS. As entrevistas de Antônio Radical e Tárcio Teixeira são bastante parecidas. Os dois têm as mesmas ideias. A diferença está na forma de expor essas ideias. Radical, como se espera é radical. Tárcio é cordato, tranquilo, fala para se fazer entender.

Vital, Cassio e Ricardo tentam se mostrar diferentes, mas eles têm mais coisas em comum do que podemos supor. As promessas e propostas são quase sempre as mesmas. Onde eles diferem é na forma de falar e no tipo de acusação que fazem uns aos outros. A entrevista com o Major Fábio foi a mais complexa de se analisar. Eu diria mesmo que foi a mais confusa. É que o candidato não parece ter um projeto político claro para apresentar e não consegue se expressar clara e objetivamente. Ou seja, tanto na forma como no conteúdo, o Major Fabio tem grandes dificuldades em se apresentar. Chamou-me atenção que o candidato fale aos berros. Além de gritar bastante, ele fala muito rápido. Assim, entende-lo é tarefa para poucos.

Sendo militar, o Major Fábio falou para nossa audiência de eleitores como se estivesse proferindo a ordem unida num quartel da Polícia Militar. Aliás, a impressão que tive é que ele vê seus eleitores da mesma forma que via seus soldados. Pela sua formação militarizada, com nítidos elementos autoritários, o Major Fábio não conseguiria mesmo ser diferente. Para ele, o convencimento político só pode se dar pela força, pela imposição da fala. É a ideia de que ganha quem fala mais alto e mais grosso. Major Fabio fez questão, durante toda a entrevista, de mostrar as fragilidades, financeiras principalmente, de sua candidatura. Em certo momento, ele disse não ter uma assessoria profissional de comunicação alegando falta de recursos.


A solução encontrada, pelo candidato, foi colocar seu filho, que é estudante de um Curso de Jornalismo em João Pessoa, para fazer às vezes de assessor de comunicação. Na verdade, não pareceu falta de recursos e sim uma boa dose de amadorismo político. O Major Fabio se apresentou como o Davi desse processo eleitoral pronto para enfrentar os Golias da atual campanha.  Estranha, apenas, que ele tanto insista num discurso autovitimizante, dizendo não poder contar com recursos para realizar sua campanha. É que nós sabemos que não é bem assim. Major Fábio declarou a justiça eleitoral que pretende gastar até R$ 10 milhões em sua campanha eleitoral. Convenhamos, esta é uma quantia considerável seja para que candidatura for.

Se ele pretende gastar tanto dinheiro nesta eleição porque alega não poder contratar uma assessoria profissional para a comunicação e marketing de sua campanha? Porque insistir na tese do Davi, se o candidato dispõe dos recursos de um Golias? Aliás, se o caro ouvinte quiser saber quanto cada um dos candidatos ao governo do Estado, ou a qualquer outro cargo, pretende gastar nesta campanha basta ir ao site do TSE e buscar os dados no Sistema de Divulgação das Candidaturas, também conhecido como DivulgaCand. Mas, o grande problema da candidatura do Major Fábio é a ausência de um programa político claro, com propostas bem definidas. O que ele apresenta é um discurso difuso baseado em alguns dados que carecem de comprovação.

Major Fábio de apega algumas verdades óbvias e desfia seu rosário de criticas contra tudo e contra todos, principalmente o governo, claro. Assim, tudo estaria errado, viveríamos numa sociedade caótica onde nada funciona bem. O Major Fábio nos apontaria duas soluções para este estado caótico de coisas. Uma, seria a Paraíba ser governada por um homem de coragem e, outra, seria este homem de coragem chamar o feito a ordem. O homem de coragem seria, claro, ele próprio. Mas, o Major Fábio não define que feito e que ordem seriam estes. A impressão deixada é que o feito e a ordem do candidato do PROS seriam aqueles aplicados nos quartéis ou em sistemas ditatoriais.

Inclusive, o Major Fabio se colocou a favor da desmilitarização das Policias Militares. Ele foi veemente nisso, mas não definiu o que entende por desmilitarização. Fiquei com a impressão que ele desconhece que existe um movimento a favor disso. O discurso do Major Fábio é parecido com o discurso de algumas das candidaturas nanicas a presidência da República. O conservadorismo religioso, de direita, que vemos em Levi Fidelix, Eymael e Pastor Everaldo se repete na fala do Major Fábio. Alguns desses candidatos dizem que querem endireitar o Brasil. Major Fábio parece interessado em endireitar a Paraíba. A questão não é que ele queira, é como ele pretende fazer isso. Seria pelas urnas, através do voto, ou seria usando a força?


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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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