sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PASTOR EVERALDO, O FELICIANO LIGHT.


Eu sigo analisando as chamadas candidaturas nanicas que disputam as eleições presidenciais desse ano. Hoje, eu vou analisar a postulação do Pastor Everaldo, do PSC, que tem o ex-deputado federal paraibano Leonardo Gadelha como vice em sua chapa. Everaldo Dias Pereira se apresenta como o legitimo defensor da família. Ele é contra a descriminalização da maconha, contra o aborto e não vê com bons olhos os projetos que defendem direitos civis para casais homossexuais. É por isso que o Pastor Everaldo já está sendo chamado de o “Feliciano light”. Marco Feliciano, para quem não lembra, é aquele deputado federal, do PSC, que teve 15 minutos de glória por ser contra direitos civis e humanos já conquistados.

Pastor Everaldo rejeita o rótulo de nanico, se é que alguma das pequenas candidaturas aceita ser tratada dessa forma. As candidaturas de baixa estatura se sentem ofendidas e injustiçadas por não conseguirem pontuar bem nas pesquisas. Levi Fidelix, Eymael, Zé Maria, Rui Costa, para citar alguns, têm sempre uma justificativa por não conseguirem aparecer nas pesquisas com, pelo menos, um ponto percentual. Em geral, a culpa residiria num suposto complô montada pela imprensa. Apesar das diferenças ideológicas, as micro candidaturas são ambiciosas, excessivamente otimistas, exibicionistas, inexperientes e não possuem programas políticos definidos. Elas são unânimes na contundente oposição ao governo Dilma.

O Pastor Everaldo luta para sair do rol dos nanicos. Nas pesquisas, ele tem tido algo em torno de 3 ou 4 pontos percentuais. Isso pode ser decisivo para levar a eleição ao 2º turno. Aliás, se isso acontecer, prometo nunca mais chamar Pastor Everaldo de nanico. Não é justo comparar Pastor Everaldo ao Marco Feliciano. Mesmo que eles concordem em muita coisa e sejam do mesmo partido, Feliciano é falastrão, mal educado, preconceituoso e racista. Pastor Everaldo é discreto, cordato e de fala mansa. Pastor Everaldo não fica repetindo as baboseiras de Feliciano, mesmo que até posa concordar com elas. Pelo contrário, seu discurso é bem articulado. Ele nunca diz que é contra o casamento entre homossexuais. Sua estratégia é inteligente.

Pois, ele recorre aos aspectos mais conservadores da Constituição Federal, como por exemplo, o artigo que determina que a união civil deve se dar entre o homem e a mulher. Ele não diz nunca que é contra a descriminalização do aborto. Ele sempre afirma que é contra o “assassinato de bebês". Vejam a construção de um discurso. É claro que um candidato a presidente tem que ser contra o assassinato de bebes, mas, ele pode, em certas condições, ser a favor do aborto. Pastor Everaldo diz que seu foco é o resgate da família e da segurança pública. É claro que ele será bem votado entre os eleitores evangélicos, mas ele prefere afirmar que não é candidato de uma religião e que só defende valores.

O que ele não diz é que esses valores são religiosos, familiares e conservadores. Pastor Everaldo tem afirmado que está na hora do rebanho votar no próprio pastor. Mas, ao que me parece o rebanho está procurando um presidente, não um líder religioso. Pastor Everaldo não decola nas pesquisas por não entender que o eleitor separa bem o líder religioso do líder político. Inclusive, os brasileiros não parecem gostar da ideia de uma mesma pessoa desempenhando as duas funções ao mesmo tempo. A candidatura do Pastor Everaldo ainda tem algumas questões polêmicas para dar conta. Mesmo com essa postura religiosa, voltada para os valores da família, em termo políticos vemos uma constante incoerência mesclada ao fisiologismo de sempre.

Pastor Everaldo e o PSC apoiaram Lula do começo ao fim. Em 2010, até ensaiaram uma aliança com José Serra e o PSDB. Coincidência ou não, foi depois que o PT doou ao PSC a quantia de R$ 4,7 milhões que Pastor Everaldo manteve seu apoio a Dilma. Ele tem dito que esse dinheiro pagou contas da campanha do PSC em 2010. Certo, mas a questão não é o que foi feito com o dinheiro, mas os motivos que levaram o PT, logo o PT, a doar tamanha quantia a outro partido. O PCS vinha firme e forte compondo a bancada situacionista, até que Dilma deixou de dar um ministério para os pastores políticos tomarem conta. Este ministério foi para os comunistas do PC do B. Pastor Everaldo acusou o golpe e lançou sua candidatura.

Ele já disse que só se lançou candidato por ter ficado profundamente decepcionado com Dilma. Por decepção leia-se o fato do PSC não ter um ministério para chamar de seu. A candidatura do Pastor Everaldo pode ser vista como uma vingança sobre o PT. Pastor Everaldo gosta de umas frases de efeito. Ele tem dito que na vida do cidadão deve haver menos Brasília e mais Brasil. Inclusive, tem defendido um radical processo de privatização. Para ele, a Petrobrás, por exemplo, deveria ser totalmente privatizada. O desempenho que ele tiver nesta eleição determinará o que ele será no futuro. Se ele chegar a ter uns dez pontos percentuais poderá vir a ser um gigante, do contrário será sempre um pigmeu da política partidária a reboque de grandes interesses.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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