quarta-feira, 13 de agosto de 2014

RICARDO E SEU DUELO INDIVIDUAL.

No sábado havia grande expectativa quanto à vinda, ou não, de Ricardo Coutinho ao estúdio da Campina FM. Eu confesso que temia que o governador não viesse pelas dificuldades que ele enfrenta numa campanha eleitoral que lhe é adversa nas pesquisas. Mas, ele não só veio como ainda foi pontual, coisa que não tem sido do seu feitio nestes três anos e meio de administração. Apenas, para lembrar, Ricardo Coutinho já nos deixou esperando, aqui mesmo neste estúdio, por mais de uma hora em 2012. Ricardo veio, foi pontual e nos concedeu uma entrevista das mais interessantes. Tivemos uma conversa esclarecedora quanto aos rumos da candidatura do governador. Pude entender mais e melhor como ele está percebendo o jogo eleitoral.
                                                  
O governador estava mesmo disposto a nos surpreender. Ele estava tranquilo e bem humorado, contrariando aquela sua fama de ranzinza. Ele estava mesmo era descontraído o que não o impediu de ser firme, convicto, em suas afirmações. Aliás, Ricardo tem demonstrado uma confiança impar de que terá sucesso neste processo. A sua convicção, de que vai ter 2° turno, e de que ele vencerá a eleição, quase me convenceu de que todas as pesquisas estam equivocadas e que só ele está correto. Na entrevista, o discurso de Ricardo girou em torno de três eixos. No primeiro, ele fez o levantamento dos feitos de seu governo de janeiro de 2011 até aqui. Claro, ele não esqueceu o mantra do governante de primeiro mandato.

É aquela história de que, quando ele assumiu, a Paraíba estava um caos e que foi seu governo quem pôs a casa em ordem. No segundo eixo, que é um desdobramento do primeiro, ele enumerou promessas e propostas para um segundo mandato. Aqui temos o receituário do candidato à reeleição. Ele diz que muito já fez, mas que ainda há muito por fazer. Ele precisa mostrar que foi bom e prometer que será melhor. Mas, este é um discurso perigoso. Há que se ter tato para fazê-lo. A ideia de um governo que muito já fez pode levar o eleitor a vê-lo como desnecessário.  Dizer que ainda há muito a se fazer pode dar a impressão de um governador incompetente que teve 4 anos para trabalhar, não fez nada, e agora quer mais 4 anos.

O terceiro eixo do discurso de Ricardo Coutinho parece ser o que mais lhe importa a tirar pela grande quantidade de tempo que a ele se dedicou. Aqui, o foco foi à disputa em si pelo governo do Estado. O alvo do governador foram os seus concorrentes. Aliás, o seu concorrente, pois Ricardo só fez referências ao candidato que atende pelo nome de Cássio Cunha Lima.  O governador falou várias vezes em o “meu adversário”, ou em o “meu concorrente”, ou ainda em o “meu opositor”. É como se os outros quatro candidatos nunca tivessem existido. É como se Ricardo e Cássio já estivessem na disputa do 2° turno. E não pense, caro ouvinte, que isso foi um equívoco da parte de Ricardo. Foi, na verdade, algo muito bem deliberado.

É que Ricardo não quer gastar munição com quem não tem nada para lhe dar, mas que pode lhe tirar alguns votos. Assim, ele não vai ficar fazendo referências às candidaturas de Antônio Radical e de Tárcio Teixeira. Ricardo não vai afugentar possíveis aliados num 2º turno. Ele tem que preservar sua relação com os candidatos Major Fábio e Vital Filho. Aliás, se eu fosse assessor do governador o aconselharia enviar flores vermelhas todas as semanas ao senador Vital. É que quanto mais votos tiver Vital Fº, melhor para Ricardo, na perspectiva de evitar que Cássio Cunha Lima tenha metade mais um dos votos válidos já no 1º turno. Dessa maneira, Ricardo fitou o seu alvo preferencial e nele passou a atirar seus dardos.

Para se contrapor a Cássio, Ricardo insistiu na tese de sua origem humilde. Disse ele: “Eu vim dos movimentos sociais, eu não vim de uma família ilustre, ninguém da minha família foi político, eu não fui alçado do meu berço para ser político”. Esse é o mote. Ricardo quer demarcar bem as diferenças, sempre pontuando criticas ao seu opositor. Essa estratégia é até uma obrigação para Ricardo, pois ele precisa explicar aos seus eleitores porque em certo momento se aliou a este seu concorrente. Ricardo disse que não foi de vereador a governador pela ambição ao poder. Ou seja, ele quis dizer que seu adversário ambiciona o poder. Tentando macular seus altos índices de rejeição, Ricardo recorre ao fato de seu governo ser bem avaliado.

Mas, uma coisa é a rejeição ao candidato e outra é a avaliação que se faz do governo. Ricardo sabe bem disso, tanto é que faz questão de mostrar os feitos de sua administração em se tratando do que ele mesmo chama da “empresa pública”. Ricardo disse que para ele é mais importante a obra do que a placa, o serviço do que a festa de inauguração. E ele disse, ainda, que é diferente de outros, que militam na política, que preferem viver de inaugurações. Mas, o governador inaugurou tantas obras quanto pode até o dia que a legislação eleitoral lhe permitiu. O discurso de Ricardo não é diferente dos outros ou do outro. Na verdade, o discurso do governador não é ruim, mas e mais do mesmo.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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