sexta-feira, 27 de julho de 2012

A ESTRATÉGIA DA TRIANGULAÇÃO – OU COMO “ROUBAR” O DISCURSO DE SEU ADVERSÁRIO.

Hoje eu vou tratar da chamada estratégia da triangulação. Dito dessa forma, o caro ouvinte pode achar que não tem a menor ideia do que seja isso. Mas, quando eu começar a explicar, vamos saber que a estratégia da triangulação é algo comum. O nome pode ser pomposo, mas quer dizer uma situação bem conhecida.

Um candidato se apodera de parte da agenda de campanha de um adversário para incorporar ao seu discurso ou como forma de enriquecê-lo ou mesmo para atender a demandas externas. Um dos princípios das campanhas eleitorais é a capacidade do candidato de deixar claro para os eleitores porque a sua postulação é a melhor. Ou seja, o candidato que for mais eficiente no momento de mostrar que sua candidatura é a melhor de todas sai em nítida vantagem. Mas, como se faz isso?

O meio mais utilizado é o contraste. Um candidato vai dizendo que é melhor ao se diferenciar, ou contrastar, com seus concorrentes. Lógico, o melhor local para isso é mesmo o debate. Dick Morris, que foi consultor políticos do ex-presidente dos EUA Bill Clinton, afirma que a estratégia da triangulação “trabalha arduamente para resolver os problemas que motivam os eleitores do outro partido”.

Mas buscar o contraste não significa estabelecer uma estratégia baseada no enfrentamento. Não é que um candidato vá discordar de tudo que seu adversário defende ou propõe. O debate eleitoral não tem que necessariamente ser um embate entre dois ou três projetos, onde se tenta provar a superioridade de um sobre os outros. O projeto eleitoral de um candidato é a tentativa de se estabelecer uma conexão eficiente entre o político e o cidadão. É a possibilidade do candidato se aproximar do eleitor para, finalmente, convencê-lo a nele votar.

A estratégia da triangulação pode ser uma arma eficiente na batalha eleitoral. Ao invés de ir para o enfrentamento, apodera-se de parte da agenda do adversário para incorporá-la ao discurso político. É quando se compartilha valores e propostas. É quando o candidato da oposição, que enfrenta um candidato a reeleição, diz que vai dar continuidade a ações administrativas do seu oponente, caso ele tenha aprovação popular, claro.

Dick Morris afirma, também, que quando você resolve os problemas que mantém o outro lado ativo, leva seu adversário à bancarrota. Quando George Bush Jr., em sua primeira campanha, criou a o “conservadorismo compadecido” amenizou, com sucesso, o problema da “frieza social” que sempre pesou sobre a imagem dos republicanos. Ou seja, quando Bush Jr. dialogou com os eleitores simpáticos às políticas sociais dos democratas, estava triangulando pela esquerda. Tony Blair, ex-primeiro ministro da Inglaterra, triangulou pela direita quando prometeu, em sua campanha, reduzir o poder dos sindicatos e manter os pilares da política liberal.

A relação mal resolvida da campanha presidencial de Geraldo Alckmin com o bolsa família expôs uma estratégia fraca e uma triangulação irregular. Alckmin oscilava entre acusar o programa bolsa família de ser assistencialista e as promessas de manter os programas sociais do governo federal. Ele mesmo minava a credibilidade de seus compromissos junto ao eleitor.

Lula sofreu um impasse estratégico desse tipo que o paralisou em 1994. Diante do sucesso do Plano Real, sem poder criticar um plano econômico com alta popularidade e com medo de elogiar para não fortalecer seu adversário, lula terminou derrotado no 1º turno.

Mas triangular traz riscos. Deve-se ter cuidado para que a adoção de um compromisso de campanha não se torne mera “jogada eleitoreira”. Ao se apoderar de parte da agenda do adversário, o candidato não pode se tornar uma cópia. Não pode se transformar num mero repetidor de propostas já patenteadas sob pena de começar a ser chamada pelo nome daquela fruta de sabor cítrico.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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