terça-feira, 31 de julho de 2012

SUPLICIANDO OS DADOS MAIS UMA VEZ.


Os estatísticos dizem que os dados devem ser torturados para que confessem tudo que sabem. Para os matemáticos, basta tratá-los com carinho que eles já desandam a falar tudo o que sabem. Mas, o cientista político não estabelece uma relação passional com os dados. O que espera deles é que falem seja pela dor, seja pela carícia.

Eu imaginei que já tinha extraído tudo o que podia da pesquisa CAMPINA FM/GRUPO 6SIGMA. Ledo engano meu, pois a riqueza dos dados dessa pesquisa é sem precedentes. Agora, novos dados vieram a tona e eu devo analisá-los. Foram cruzados os dados da intenção estimulada de votos para candidatos a prefeito de Campina Grande com a capacidade de transferência de votos de lideranças políticas que não são candidatos.

Ou seja, o GRUPO 6SIGMA resolveu fornecer dados para que eu possa, mais uma vez, trazer elementos que esclareçam ainda mais o “dilema do poste”. Agora nós temos dados cristalinos de como quatro lideranças políticas (Cássio Cunha Lima, Veneziano Vital, Ricardo Coutinho e Dilma Rousseff) influem nas escolhas do eleitor campinense. O objetivo é precisar a capacidade dessas lideranças de fazer com que o eleitor escolha votar nas candidaturas que vemos nos três primeiros lugares da pesquisa: Romero Rodrigues, Daniella Ribeiro e Tatiana Medeiros.

Assim, perguntou-se ao entrevistado se ele votaria num candidato apoiado por uma das lideranças já citadas. 63.9% disseram que votariam num candidato apoiado por Cássio Cunha Lima. 42.7% disseram que votariam num candidato apoiado por Veneziano Vital. 22.3% disseram que votariam no de Ricardo Coutinho e 48.8% diriam sim para o de Dilma.

Vamos agora para a chamada análise transversal de informações, ou seja, vamos cruzar os dados para saber quem transfere mais e para quem transfere. Dos que disseram que votariam num candidato apoiado por Cássio Cunha Lima 36% escolheriam Romero, 26% Daniella e 13% Tatiana.

Dos que disseram que votariam num candidato apoiado por Veneziano Vital 16% escolheriam Romero, 24% Daniella e 30% Tatiana. Dos que disseram que votariam no candidato de Ricardo Coutinho 38% escolheriam Romero, 23% Daniella e 15% Tatiana. Dos que disseram que votariam no candidato de Dilma 26% escolheriam Romero, 27% Daniella e 20% Tatiana.

O eleitor identifica bem a relação existente entre o líder político e seu escolhido (ou poste, como queiram).  A maioria dos que seguem a influencia de Cassio e Ricardo votariam em Romero. A maioria dos que seguem a influencia de Veneziano votariam em Tatiana. Mas, é bom não esquecer, os percentuais são diferentes. Cássio tem um poder de transferência de votos para Romero que é maior do que a taxa de transferência de votos de Veneziano para Tatiana. Cássio transfere mais votos para Daniella do que Veneziano e Ricardo Coutinho, apesar dos percentuais serem bem próximos.

Num 2º turno sem Romero, Cássio poderia ficar propenso a apoiar Daniella por conseguir transferir mais votos para ela. O mesmo aconteceria num 2º turno sem Tatiana, Veneziano tenderia a apoiar Daniella, pois transferia mais para ela do que para Romero. Como o eleitorado campinense ainda não sabe ao certo quem Dilma apoiará, a taxa de transferência de votos da presidente é quase a mesma para os três candidatos.

Os dados ainda nos mostram que a migração dos votos é mais favorável para Tatiana Medeiros quanto melhor for a avaliação do governo de Veneziano. Apenas 3% dos que consideram o governo Veneziano ruim/péssimo aceitam votar em Tatiana, enquanto que 26% dos que consideram o governo Veneziano bom/ótimo aceitam votar em Tatiana. Nada mais coerente.

A que se observar que apenas 7% dos que consideram o governo Veneziano regular aceitam votar em Tatiana. A rigor apenas metade dos que consideram o governo de Veneziano bom ou ótimo aceitam votar em Tatiana. Além disso, Cássio Cunha Lima tem a vantagem de não ocupar um cargo executivo e no final do 2º mandato. Ele não precisa ficar sendo avaliado por isso. Já Veneziano está terminando seu segundo mandato com índices de avaliação positiva medianos e apresentando dificuldades em transferir votos.


No entanto, esses dados não são imutáveis. Estamos terminando julho. Temos longos agosto e setembro onde tudo pode acontecer, inclusive o imponderável. Eleição é como CPI, sabemos como começa, mas não sabemos como termina.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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